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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Visão ecossistêmica do homicídio]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Four cities were analyzed in term of homicide rates, namely two Brazilian and two Argentinian cities. In each country, a city with high homicide rates and another with low rates were studied over the same three-year period. The theoretical approach of complex systems was used as it examines the link between the local system in its internal interconnections, the influence of the external environment and psychic engagement, namely the interpenetration between the social system and subjectivities. The emphasis of the study and the comparisons were conducted using qualitative research with observation, the use of interviews and focal groups. The results show that in locations with high or low homicide rates, there is synergy between the external environment (macrosocial and macroeconomic politics), the social system (social organization, local government, community participation) and subjectivity, whether it is in the construction of solidarity or social disintegration. Studies about changes in the violent social systems show that persistent and coordinated actions that articulate economic, social and educational investments as measures to prevent and restrain homicides have a positive impact in historical terms.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Homicídio]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b> ARTICLE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vis&atilde;o ecossist&ecirc;mica do   homic&iacute;dio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>An ecosysthemic vision of homicide</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maria Cec&iacute;lia de Souza   Minayo; Patr&iacute;cia Constantino</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Centro   Latino Americano de Estudos de Viol&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Jorge Carelli, Escola Nacional   de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz. Avenida Brasil 4036/700, Manguinhos.   21040-361 Rio de Janeiro RJ. <a href="mailto:cec&iacute;lia@claves.fiocruz.br">cec&iacute;lia@claves.fiocruz.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Analisam-se   quatro casos de munic&iacute;pios em rela&ccedil;&atilde;o a suas taxas de homic&iacute;dio: dois   brasileiros e dois argentinos. Em ambos os pa&iacute;ses, estudou-se uma localidade   com taxas elevadas de homic&iacute;dio ao longo de tr&ecirc;s anos e outra com baixas taxas,   no mesmo per&iacute;odo. Utiliza-se a abordagem te&oacute;rica dos sistemas complexos que   considera uma articula&ccedil;&atilde;o entre o sistema local em suas interconex&otilde;es internas,   a influ&ecirc;ncia do contexto externo e o acoplamento ps&iacute;quico, ou seja, a   interpenetra&ccedil;&atilde;o entre o sistema social e as subjetividades. A an&aacute;lise dos   pontos comuns entre os casos ocorreu a partir de uma pesquisa qualitativa com   observa&ccedil;&atilde;o, uso de entrevistas e grupos focais. Os resultados mostram que tanto   nas localidades que concentram altas taxas de homic&iacute;dio como nas que apresentam   taxas baixas existe uma sinergia entre ambiente externo (pol&iacute;ticas   macrossociais e macroecon&ocirc;micas), o sistema social (organiza&ccedil;&atilde;o social, governo   local, participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria) e a subjetividade, seja na constru&ccedil;&atilde;o da   solidariedade seja na desintegra&ccedil;&atilde;o social. Estudos sobre mudan&ccedil;as nos sistemas   sociais violentos mostram que a&ccedil;&otilde;es coordenadas e persistentes que articulam   investimentos econ&ocirc;micos, sociais e educacionais com medidas para prevenir e   coibir os homic&iacute;dios historicamente apresentam impacto positivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Homic&iacute;dio, Causas externas,   Preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Four cities were analyzed in term of homicide   rates, namely two Brazilian and two Argentinian cities. In each country, a city   with high homicide rates and another with low rates were studied over the same   three-year period. The theoretical approach of complex systems was used as it   examines the link between the local system in its internal interconnections,   the influence of the external environment and psychic engagement, namely the interpenetration   between the social system and subjectivities. The emphasis of the study and the   comparisons were conducted using qualitative research with observation, the use   of interviews and focal groups. The results show that in locations with high or   low homicide rates, there is synergy between the external environment   (macrosocial and macroeconomic politics), the social system (social   organization, local government, community participation) and subjectivity,   whether it is in the construction of solidarity or social disintegration.   Studies about changes in the violent social systems show that persistent and   coordinated actions that articulate economic, social and educational   investments as measures to prevent and restrain homicides have a positive   impact in historical terms.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key   words:</b> Homicide, External causes, Violence prevention</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo, busca-se   responder &agrave; seguinte pergunta: por que determinados espa&ccedil;os sociais   (consideradas aqui como n&uacute;cleos ecossist&ecirc;micos) apresentam taxas diferentes e   opostas de homic&iacute;dios durante per&iacute;odos constantes? Para realizar este percurso,   fez-se uma releitura de quatro estudos de caso realizados em munic&iacute;pios de   m&eacute;dio porte em dois pa&iacute;ses diferentes, &#150; Brasil e Argentina &#150; dentro de uma   vis&atilde;o ecossist&ecirc;mica do fen&ocirc;meno. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por   vis&atilde;o ecossist&ecirc;mica entende-se a que, do ponto de vista da teoria dos sistemas   sociais complexos, se refere a um n&uacute;cleo central &#150; um ecossistema &eacute; sempre   arbitrariamente definido &#150; e fechado sobre suas estruturas e elementos em   permanente intera&ccedil;&atilde;o. Esse n&uacute;cleo comum est&aacute; cercado por um ambiente externo   que ao mesmo tempo se diferencia dele e reconhece sua especificidade. E est&aacute;   acoplado (o que dentro da vis&atilde;o de Luhmann<sup>1 </sup>quer dizer   interpenetrado sem se confundir com) a um sistema ps&iacute;quico (de identifica&ccedil;&atilde;o   das pessoas) cuja organiza&ccedil;&atilde;o tem regras pr&oacute;prias, mas &eacute; afetado pelos dispositivos   do n&uacute;cleo principal e o afeta, recursivamente. Ressalta-se que existe uma   rela&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica entre essas tr&ecirc;s esferas, no entanto, elas n&atilde;o se dissolvem   umas nas outras: interagem e se potencializam<sup>1</sup>. Cada um dos quatro   casos &eacute; aqui considerado um sistema social que influencia e &eacute; influenciado   pela subjetividade dos moradores e relacionado ao contexto externo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algumas   teorias tentam explicar a rela&ccedil;&atilde;o de determinados espa&ccedil;os sociais com a   incid&ecirc;ncia de altas ou baixas taxas de homic&iacute;dios e criminalidade. A mais   antiga &eacute; a chamada <i>Teoria     da Desorganiza&ccedil;&atilde;o</i>,   desenvolvida por autores como Thomas e Znanieki<sup>2</sup>. Esses   pesquisadores mostraram como o r&aacute;pido crescimento econ&ocirc;mico e populacional e o   intenso movimento de migra&ccedil;&atilde;o interna na cidade de Chicago no in&iacute;cio do s&eacute;culo   XX propiciaram desintegra&ccedil;&atilde;o e desorganiza&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as sociais tradicionais,   criando ambiente ideal para aumento da criminalidade. A tese da Teoria da   Desorganiza&ccedil;&atilde;o<sup>2-4 </sup>&eacute; que a participa&ccedil;&atilde;o em atividades comunit&aacute;rias desenvolveria   nas pessoas um senso de pertencimento que, por sua vez, refor&ccedil;aria a coes&atilde;o   social e coibiria crimes e delinqu&ecirc;ncias. A desorganiza&ccedil;&atilde;o social, ao   contr&aacute;rio, ocorreria frente &agrave; inabilidade de uma comunidade para realizar   objetivos comuns e resolver seus problemas como pobreza, deteriora&ccedil;&atilde;o   territorial, excessiva mobilidade residencial, heterogeneidade &eacute;tnica e fracos   la&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A   Teoria da Desorganiza&ccedil;&atilde;o acabou caindo em desuso porque apresentava um esquema   muito simplificado de an&aacute;lise da realidade. No entanto, tomou novo impulso nas   duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX a partir de trabalhos de alguns autores<sup>5,6</sup> que elaboraram e deram forma a um modelo sist&ecirc;mico que incorpora a   interfer&ecirc;ncia e a rela&ccedil;&atilde;o de fatores internos e externos nos espa&ccedil;os sociais<sup>7</sup>.   Os fatores internos seriam o controle informal, os la&ccedil;os sociais, o capital   social e a cultura local; e os externos, o controle formal exercido pelos   &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a, as pol&iacute;ticas sociais e a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As pesquisas que d&atilde;o origem   a este artigo foram realizadas em quatro localidades, sendo duas na Argentina e   duas no Brasil. A escolha dos lugares obedeceu aos seguintes crit&eacute;rios: (1)   munic&iacute;pios com mais de 100.000 habitantes, excluindo-se as capitais; (2) dois   em cada pa&iacute;s com comportamentos diferentes em rela&ccedil;&atilde;o aos homic&iacute;dios: um com   elevadas taxas e tend&ecirc;ncia de crescimento pelo menos nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos;   outro com baixas taxas e tend&ecirc;ncia de queda; (3) para a sele&ccedil;&atilde;o levou-se em   considera&ccedil;&atilde;o uma an&aacute;lise preliminar dos &oacute;bitos por homic&iacute;dios e causas externas   nas capitais, regi&otilde;es metropolitanas e munic&iacute;pios do Brasil e prov&iacute;ncias e   munic&iacute;pios da Argentina no per&iacute;odo 1980 a 2007. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para   o grupo com queda da taxa de homic&iacute;dios (3,5/100.000) e melhora da qualidade   da informa&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos foi selecionado o munic&iacute;pio de Jaragu&aacute; do   Sul em Santa Catarina no Brasil e o de San Rafael, em Mendoza na Argentina com   3,9/100.000. Para representar o grupo com elevadas taxas e aumento nos &uacute;ltimos   tr&ecirc;s anos, selecionaram-se os munic&iacute;pio de Paulista, em Pernambuco   (55,1/100.000 habitantes) e o de Venado Tuerto (4,5/100.000), no Departamento   de General Lopez , Prov&iacute;ncia de Santa F&eacute;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ressalta-se   que o Brasil como um todo e a maioria de seus munic&iacute;pios costumam ter taxas   muito mais elevadas de homic&iacute;dio do que os munic&iacute;pios argentinos. No entanto,   buscou-se preservar os mesmos crit&eacute;rios j&aacute; referidos para analisar os pontos   comuns e as diferen&ccedil;as dos munic&iacute;pios entre si e dentro dos pa&iacute;ses. Com base e   em di&aacute;logo com os estudos epidemiol&oacute;gicos, trabalhou-se com a abordagem   qualitativa de estudos de caso<sup>8</sup>, buscando-se olhar o fen&ocirc;meno do   homic&iacute;dio e da criminalidade por diversos &acirc;ngulos. Mas a &ecirc;nfase dos estudos de   caso se deu na observa&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica local e na percep&ccedil;&atilde;o dos moradores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O   estudo dos casos deu &ecirc;nfase apenas aos aspectos discursivos dos entrevistados a   respeito do problema em pauta: gestores de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, de assist&ecirc;ncia   social, conselheiros tutelares (no Brasil), policiais, l&iacute;deres comunit&aacute;rios,   professores de ensino fundamental e de ensino m&eacute;dio, profissionais de sa&uacute;de que   atuam em aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, estudantes, jovens religiosos, jovens em conflito com   a lei e familiares de jovens e jornalistas que fazem a cobertura dos crimes   (Argentina). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os   resultados s&atilde;o apresentados seguindo categorias de an&aacute;lise que, apesar das   diferen&ccedil;as de abordagem, possam ser examinadas em todas as quatro situa&ccedil;&otilde;es:   din&acirc;mica interna da comunidade e de seus diferentes atores; atribui&ccedil;&atilde;o de   causas para a situa&ccedil;&atilde;o quanto aos homic&iacute;dios e criminalidade; e perspectivas de   futuro ou de mudan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para   a an&aacute;lise ecossist&ecirc;mica, foram utilizados alguns conceitos desenvolvidos por   pesquisadores que trabalham com as especificidades dos espa&ccedil;os sociais em   rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia e &agrave; criminalidade: "capital social", "efic&aacute;cia coletiva" e   "efeitos de reciprocidade", entendendo-os, dentro de uma polaridade bin&aacute;ria: ou   seja, os tr&ecirc;s conceitos podem ser utilizados para explicar tanto a presen&ccedil;a   como a aus&ecirc;ncia da solidariedade e da intera&ccedil;&atilde;o social<sup>1</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por   "capital social" entende-se a posse de recursos intang&iacute;veis, produzidos nas   rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas e que facilitam a a&ccedil;&atilde;o social em benef&iacute;cio m&uacute;tuo<sup>9</sup>.   O conceito de "efic&aacute;cia simb&oacute;lica" ressalta a import&acirc;ncia da habilidade para   agir desenvolvida por determinada comunidade, o que depende, em grande parte,   da confian&ccedil;a m&uacute;tua e da solidariedade entre os cidad&atilde;os para criar redes   efetivas de controle e de coes&atilde;o social entre os moradores<sup>10</sup>. E o   conceito de "efeito de reciprocidade" considera que a estrutura da localidade e   a subjetividade dos moradores influenciam e s&atilde;o influenciadas pelo crime ou   pelas rela&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis de forma recursiva e retroalimentadora<sup>1</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Din&acirc;mica   interna dos   dois munic&iacute;pios brasileiros </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulista </b>tem o   dobro da popula&ccedil;&atilde;o de Jaragu&aacute; do Sul (300.466 habitantes e 143.123   respectivamente). Nessa &uacute;ltima, o &iacute;ndice de Gini (0,38), o IDH (0,855) e o PIB,   2.979.318 bilh&otilde;es de reais (para 2008), s&atilde;o substancialmente melhores, o   percentual de pobres (5,1) &eacute; seis vezes menor, assim como a taxa de   analfabetismo (1,2). Enquanto em Paulista no mesmo per&iacute;odo os dados mostram um   PIB, 1.612.924 bilh&otilde;es, apesar do dobro da popula&ccedil;&atilde;o; &Iacute;ndice de Gini, 0,55;   IDH, 0,799; percentual de pobres, 30,4%; e taxa de analfabetismo, 6,0. Outros   indicadores de infraestrutura, de educa&ccedil;&atilde;o e de sa&uacute;de n&atilde;o discrepam tanto. No   entanto, as taxas de homic&iacute;dio ajustadas para os &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos s&atilde;o 15 vezes   mais elevadas em Paulista (55.1/100.000) quando comparadas a Jaragu&aacute; do Sul   (3.5/100.000 habitantes). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em   Paulista, muito mais que em Jaragu&aacute; do Sul, existem instabilidade demogr&aacute;fica   (crescimento acelerado da popula&ccedil;&atilde;o) e econ&ocirc;mica, altas taxas de desemprego,   altos percentuais de popula&ccedil;&atilde;o pobre, &iacute;ndice elevado de desigualdade,   subemprego e deteriora&ccedil;&atilde;o da renda dos trabalhadores formais. A pesquisa   qualitativa mostra com mais intensidade os elementos internos e externos dessa   diferencia&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em   seu conjunto, todos os entrevistados de Paulista percebem e citam o alto risco   de morrerem assassinados no munic&iacute;pio e esse problema foi referido de modo um   tanto fatalista: <i>o     caminho &eacute; esse, deixe-se morrer, eu sou j&aacute; uma defunta </i>&#91;em potencial&#93; (familiar   de um jovem) &#150; como algo que marca a identidade local, por sua vez repercutida   pela m&iacute;dia <i>todo     mundo aqui vive com medo</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As   explica&ccedil;&otilde;es para o clima de derrota frente &agrave; criminalidade variam, embora todos   os entrevistados citem em primeiro lugar e, como determinante, a presen&ccedil;a das   drogas &#150; sobretudo do crack &#150; e o papel dos traficantes no aliciamento de   jovens, acertos de contas entre usu&aacute;rios e vendedores. Outra associa&ccedil;&atilde;o com a   criminalidade, citada por assistentes sociais e educadores, &eacute; a fam&iacute;lia   desestruturada, cujas figuras parentais de refer&ecirc;ncia s&atilde;o fracas ou moralmente   negativas: pais e parentes ausentes ou envolvidos com a criminalidade ou   prostitui&ccedil;&atilde;o, o que os torna incapazes de impor limites morais aos filhos: <i>o abandono dentro da     pr&oacute;pria resid&ecirc;ncia, da pr&oacute;pria fam&iacute;lia &eacute; um fator forte demais</i> (Secret&aacute;ria de   Assist&ecirc;ncia Social). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   terceiro elemento associado por muitos entrevistados ao excessivo n&uacute;mero de   homic&iacute;dios &eacute; a densidade populacional crescente (uma popula&ccedil;&atilde;o que na d&eacute;cada   de 1970 era de 57.000 habitantes e hoje chega a mais 300.000) com enorme   propor&ccedil;&atilde;o de pessoas pobres, o que consideram fruto dos per&iacute;odos econ&ocirc;micos   falidos (primeiramente um longo ciclo da cana de a&ccedil;&uacute;car e um segundo de   f&aacute;bricas t&ecirc;xteis) seguidos, atualmente, por um movimento de intensa especula&ccedil;&atilde;o   imobili&aacute;ria. Esses processos, segundo jovens, l&iacute;deres comunit&aacute;rios e moradores   mais antigos, cronificaram o desemprego, o subemprego e a informalidade das   ocupa&ccedil;&otilde;es da popula&ccedil;&atilde;o pobre, de suas moradias, do uso da infraestrutura urbana   e seu pouco apre&ccedil;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal. Os altos percentuais de pobres (30,4%) e   de desempregados, segundo as autoridades ouvidas, levam &agrave; falta de circula&ccedil;&atilde;o   de recursos financeiros na cidade: <i>&eacute; um munic&iacute;pio populoso, as condi&ccedil;&otilde;es financeiras     da popula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o baixas e a condi&ccedil;&atilde;o prejudicada de acessibilidade &agrave;s     oportunidades de emprego e educa&ccedil;&atilde;o, de forma que esse conjunto de fatores     influencia fortemente para que </i>&#91;os jovens&#93;<i> entrem na criminalidade</i> (chefe de gabinete do   prefeito). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As   taxas elevadas de homic&iacute;dio v&ecirc;m sendo abordadas por v&aacute;rios setores, embora a   hegemonia das a&ccedil;&otilde;es ocorra dentro da &aacute;rea e da concep&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a p&uacute;blica   enquanto policiamento: aumento do efetivo de policiais, aumento e melhoria dos   equipamentos de intelig&ecirc;ncia e integra&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o. Existem alguns programas   espec&iacute;ficos para jovens como "Agentes da Paz", que atuam no policiamento   preventivo, e o "Pacto pela Vida" em que s&atilde;o propostas a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da   sa&uacute;de. H&aacute; muitos outros projetos   governamentais vigentes no munic&iacute;pio, como cursos profissionalizantes,   atividades de lazer, expans&atilde;o da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia e programa Bolsa   Fam&iacute;lia para os moradores mais necessitados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar   de todas as interven&ccedil;&otilde;es governamentais, os moradores consideram dif&iacute;cil   conseguir resultados, pois as v&iacute;timas de homic&iacute;dios &#150; geralmente jovens e   adultos pobres &#150; n&atilde;o pertencem a um grupo espec&iacute;fico. Suas condi&ccedil;&otilde;es   socioecon&ocirc;micas, como tamb&eacute;m de educa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o semelhantes &agrave;s dos outros   moradores. Alguns jovens assim se expressaram no grupo focal: <i>&eacute; muita gente pobre, sem     condi&ccedil;&otilde;es, baixa qualidade do ensino e grande evas&atilde;o escolar, </i>embora como em todo o   pa&iacute;s, o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o fundamental seja universal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma   quest&atilde;o muitas vezes interpretada de forma simplista por quem se prop&otilde;e a   prevenir a viol&ecirc;ncia &eacute; o lazer em Paulista. O acesso a esse valor importante   para qualquer comunidade foi assinalado pelos jovens e pelos policiais como   associado ao aumento dos homic&iacute;dios. Eles comentam que os locais e as datas de   eventos comemorativos e os espa&ccedil;os como discotecas s&atilde;o palcos de disputas de   "galeras" ou de acertos de contas entre fac&ccedil;&otilde;es criminosas rivais. <i>A maioria dos homic&iacute;dios &eacute;     cometida em situa&ccedil;&otilde;es em que os jovens saem para discotecas e tamb&eacute;m para usar     drogas </i>(estudante)<i>. </i>Nas datas comemorativas   tamb&eacute;m &eacute; citada a sa&iacute;da dos presos das cadeias para visitarem suas fam&iacute;lias   como potente facilitador de criminalidade: <i>nos finais de semana quando liberam os     presos em regime semiaberto e nas datas comemorativas o n&uacute;mero de crimes     aumenta, assim como a sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a dos moradores </i>&#91;...&#93;<i> H&aacute; muito homic&iacute;dio na       sa&iacute;da dos pres&iacute;dios</i> (Policiais).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A   pouca for&ccedil;a das igrejas, principalmente da igreja cat&oacute;lica, tamb&eacute;m foi   assinalada, embora alguns jovens tenham se referido aos efeitos positivos dos   encontros de lazer e de conviv&ecirc;ncia protegidos pelos ambientes religiosos. No   &acirc;mbito das fam&iacute;lias, foi particularmente ressaltado o peso negativo da   viol&ecirc;ncia f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, da explora&ccedil;&atilde;o infantil e do abandono (mesmo com   pais presentes) como facilitadores da criminalidade e como dificultadores dos   processos socializadores e de aprendizagem na escola. <i>A fam&iacute;lia errada, m&atilde;e     cachaceira, pai cachaceiro, filho drogado &eacute; filho solto na rua, pode ter 10     anos, a&iacute; chega </i>&#91;algu&eacute;m&#93; <i>e diz:       vamos matar! </i>(estudante).   As mortes ocorrem entre envolvidos com drogas e t&ecirc;m baixa escolaridade, mas h&aacute;   muitos homic&iacute;dios cometidos por brigas em bares, de casais, por ci&uacute;mes, abuso   sexual de mulheres e estupro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   l&iacute;der comunit&aacute;rio de Paulista resumiu assim a situa&ccedil;&atilde;o local: <i>a gente tem notado que &eacute; um     sistema </i>&#91;...&#93;<i> de aus&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es e de       consequ&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m contribu&iacute;do para essa situa&ccedil;&atilde;o. </i>Essa &eacute; uma s&aacute;bia s&iacute;ntese   sist&ecirc;mica e que encontra respaldo nos estudos de localidades com elevadas taxas   de criminalidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deu-se   &ecirc;nfase neste texto &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de Paulista porque ela poderia ser considerada   exemplar da complexidade dos processos sociais e subjetivos que atuam nas   ocorr&ecirc;ncias de homic&iacute;dios: n&atilde;o s&atilde;o apenas os indicadores demogr&aacute;ficos,   econ&ocirc;micos, sociais, de sa&uacute;de, de educa&ccedil;&atilde;o e de ambiente que, per se, explicam   o acirramento e a persist&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia. Para compreend&ecirc;-los, &eacute; preciso   entrar tamb&eacute;m na hist&oacute;ria, na cultura e nas representa&ccedil;&otilde;es locais onde n&atilde;o s&oacute;   os costumes se reproduzem, mas tamb&eacute;m as cren&ccedil;as e as identifica&ccedil;&otilde;es os   corroboram. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Jaragu&aacute;   do Sul </b>tem   uma popula&ccedil;&atilde;o de 143.123 habitantes que, como Paulista, se concentra nos jovens   e adultos de at&eacute; 49 anos. Sua taxa de homic&iacute;dios ficou em 3,5/100.000 nos   &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos. Seu IDH &eacute; mais elevado que o do Brasil e de Santa Catarina e   nele &eacute; muito pequena a propor&ccedil;&atilde;o de pobres (5,1%). Possui melhor distribui&ccedil;&atilde;o   de renda que Paulista e a m&eacute;dia do Pa&iacute;s. &Eacute; um munic&iacute;pio com atividades   industriais e econ&ocirc;micas diversificadas, incluindo-se o turismo. Sua taxa de   desemprego &eacute; de apenas 2,15%, o que, do ponto de vista econ&ocirc;mico se considera   pleno emprego. Igualmente, a taxa de analfabetismo &eacute; baixa (1,2% da popula&ccedil;&atilde;o)   e a rede escolar e de sa&uacute;de &eacute; bastante s&oacute;lida (o que em dimens&otilde;es, n&atilde;o em   qualidade, tamb&eacute;m &eacute; bastante expressiva em Paulista). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os   homic&iacute;dios n&atilde;o constituem um problema para os moradores. Os poucos fatos   ocorridos s&atilde;o lembrados com nomes e circunst&acirc;ncias e geralmente atribu&iacute;dos &agrave;s   chamadas causas tradicionais como viol&ecirc;ncia entre parceiros &iacute;ntimos, ci&uacute;mes,   brigas em bares. Outras quest&otilde;es aparecem como mais relevantes: &eacute; o caso das   mortes no tr&acirc;nsito. No entanto, a preocupa&ccedil;&atilde;o com as drogas e com as bebidas   alco&oacute;licas observada em Paulista se repete aqui. <i>Os nossos problemas hoje     s&atilde;o mais com drogas e alcoolismo. O crack &eacute; bem forte entre adolescentes </i>(Conselheiro tutelar).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para   explicarem o clima de tranquilidade do munic&iacute;pio, os moradores apresentam   v&aacute;rios fatores: a qualidade de vida, a grande oferta de empregos formais, o   policiamento ostensivo, a confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es, as bases familiares   s&oacute;lidas, a religi&atilde;o, a cultura do trabalho e o esp&iacute;rito empresarial: <i>aqui o pessoal trabalha     muito e n&atilde;o tem tempo para pensar nisso </i>&#91;cometer homic&iacute;dio&#93;<i>. Tem muito emprego e n&atilde;o       trabalha quem n&atilde;o quer </i>(jovem). Esses argumentos foram apresentados com maior ou   menor &ecirc;nfase por todos os interlocutores. Nas entrevistas, as autoridades chamaram aten&ccedil;&atilde;o   para os investimentos que fazem em educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de e tamb&eacute;m atribuem um papel   importante &agrave; cultura "alem&atilde;", voltada para o progresso material. Muitas pessoas   ouvidas se referiram com diferentes palavras &agrave; <i>cultura de um povo     trabalhador, pac&iacute;fico, n&atilde;o armamentista e pouco afeito a festas e concentra&ccedil;&otilde;es</i> (cita&ccedil;&atilde;o de uma   educadora).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas   que seriam consideradas qualidades, demonstra, por outro lado, uma sociedade   bastante fechada em seu sistema, o que &eacute; ressaltado, sobretudo, por jovens em conflito   com a lei. Eles se queixaram muito do excesso de controle, falta de liberdade e   permanente vigil&acirc;ncia por parte dos moradores e dos policiais. Por sua vez, os   moradores atribu&iacute;ram os males que existem em Jaragu&aacute; do Sul, como situa&ccedil;&otilde;es de   pobreza, criminalidade e uso de drogas, &agrave; presen&ccedil;a de imigrantes de outros   estados e localidades. <i>N&oacute;s     temos alguns bairros aqui na periferia que s&atilde;o um pouco complicados, que s&atilde;o     pontos de drogas, s&atilde;o pessoas que vieram de fora. Vieram principalmente do     Paran&aacute;</i> (conselheiro tutelar). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   ponto assinalado por quase todos para configurar a coes&atilde;o interna de seu   sistema social &eacute; o peso dos diversos Conselhos, das associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias e   da vigil&acirc;ncia dos pr&oacute;prios cidad&atilde;os: <i>as pessoas s&atilde;o muito solid&aacute;rias e est&atilde;o sempre     alertas. Se desconfiam de alguma coisa, elas n&atilde;o ficam quietas. Exigem que se     tomem provid&ecirc;ncias</i> (profissional de sa&uacute;de). Tendo em vista as baixas taxas de homic&iacute;dio, n&atilde;o   existem estrat&eacute;gias para preveni-los. No entanto, se observa na cidade e nas   falas das pessoas uma integra&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de seguran&ccedil;a, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de,   gest&atilde;o social voltada para criar um ambiente seguro e saud&aacute;vel. Assim como   existem comunidades terap&ecirc;uticas que se encarregam do tratamento de pessoas com   problemas de alcoolismo e drogas e programas que focam outras quest&otilde;es que a   sociedade local considera mais relevantes, como preven&ccedil;&atilde;o de acidentes de   tr&acirc;nsito e de viol&ecirc;ncia intrafamiliar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em   resumo, aqui tamb&eacute;m funciona um sistema complexo de a&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es em que   causas e consequ&ecirc;ncias se potencializam, mas ao contr&aacute;rio de Paulista, fazem   crescer a efetividade do respeito &agrave; vida dos cidad&atilde;os: existe uma presen&ccedil;a   forte dos elementos externos (empresas e din&acirc;mica socioecon&ocirc;mica) que   influencia positivamente o sistema social e a socializa&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Din&acirc;mica   interna dos   dois munic&iacute;pios argentinos </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute;   importante assinalar que as prov&iacute;ncias, departamentos e munic&iacute;pios argentinos   apresentam, em geral, taxas de homic&iacute;dio muito mais baixas que as regi&otilde;es,   estados e munic&iacute;pios brasileiros e as diferen&ccedil;as observadas nas taxas s&atilde;o   menores entre eles. No entanto, nos dois casos estudados foi poss&iacute;vel observar   fatores que explicam a maior ou a menor incid&ecirc;ncia das taxas de homic&iacute;dio,   ajustadas para o tri&ecirc;nio de 2007 a 2009. No munic&iacute;pio de General L&oacute;pez   (popula&ccedil;&atilde;o de cerca de 200.000 habitantes), na Prov&iacute;ncia de Santa F&eacute;, regi&atilde;o   agropecu&aacute;ria situada no centro do pa&iacute;s, aprofundou-se o caso de Venado Tuerto   onde as taxas s&atilde;o de 4.5/100.000 habitantes. E na Prov&iacute;ncia de Mendoza, regi&atilde;o   vin&iacute;cola da Argentina, o estudo de caso ocorreu no munic&iacute;pio de San Rafael, com   popula&ccedil;&atilde;o um pouco menor que a de Venado Tuerto e taxas de homic&iacute;dio de   3.9/100.000. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Venado   Tuerto </b>constitui   uma refer&ecirc;ncia regional para o setor sa&uacute;de, o poder judici&aacute;rio e o sistema   educacional, abrigando subsedes de universidades nacionais. Ao longo da   hist&oacute;ria, o munic&iacute;pio foi atravessado por dois fatos importantes: a constru&ccedil;&atilde;o   de uma estrada de ferro, no final do s&eacute;culo XIX, que propiciou a chegada de   imigrantes para o trabalho no campo; e na segunda metade do s&eacute;culo XX, forte   desenvolvimento industrial do setor metalmec&acirc;nico. Nos arredores do centro   urbano emergiram moradias populares e conjuntos habitacionais para os   trabalhadores, criando-se um padr&atilde;o irregular de crescimento urbano e um clima   de desconfian&ccedil;a social em rela&ccedil;&atilde;o aos locais onde vivem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o   s&atilde;o elevados os padr&otilde;es de homic&iacute;dios em Venado Tuerto se comparados aos   brasileiros (4.5/100.000), mas h&aacute; um clima de inseguran&ccedil;a no munic&iacute;pio.   Geralmente os crimes s&atilde;o atribu&iacute;dos pelos interlocutores a tr&ecirc;s causas   principais: elevado grau de desigualdades sociais pois nessa regi&atilde;o   agropecu&aacute;ria, a riqueza tende a se concentrar nas m&atilde;os de poucas fam&iacute;lias; um   sentimento de decad&ecirc;ncia econ&ocirc;mica, social e moral, expresso numa leitura   nost&aacute;lgica do passado e recrimina&ccedil;&atilde;o dos jovens que tenderiam a desobedecer &agrave;s   normas de conviv&ecirc;ncia social pelo uso de drogas e brigas entre bandos; e,   atualmente, &agrave; chegada na regi&atilde;o de muitos trabalhadores imigrantes para o   cultivo de soja, criando-se na popula&ccedil;&atilde;o local um sentimento de desconfian&ccedil;a e   de inseguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos "de fora". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m   desse quadro comum de explica&ccedil;&otilde;es gerais, o conjunto dos entrevistados se   refere a um problema mais profundo de desarticula&ccedil;&atilde;o e de falta de di&aacute;logo na   gest&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es que direta ou indiretamente se ocupam da preven&ccedil;&atilde;o da   viol&ecirc;ncia e da aten&ccedil;&atilde;o aos eventuais danos e traumas causados por ela. V&aacute;rios   interlocutores, sobretudo gestores locais, reclamaram do sistema   jur&iacute;dico-policial que responde ao governo provincial e n&atilde;o se coordena com a   municipalidade. Internamente, para manter a seguran&ccedil;a da localidade, apostaram   em programas sociais de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e em estrat&eacute;gias de   interven&ccedil;&atilde;o urbana, como limpeza e ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No   entanto, os profissionais que trabalham nos programas governamentais e nas ONG   de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia reclamaram de tr&ecirc;s pontos: falta de recursos para   realizar a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias; aus&ecirc;ncia de integra&ccedil;&atilde;o entre os &oacute;rg&atilde;os; e pouco   investimento na forma&ccedil;&atilde;o das pessoas que deveriam se organizar em rede para   prevenir e punir os crimes e as delinqu&ecirc;ncias. A imprensa local foi destacada   pelo seu papel na apura&ccedil;&atilde;o dos crimes e na divulga&ccedil;&atilde;o dos problemas, cobrando   provid&ecirc;ncias das autoridades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O   abuso de drogas e de ingest&atilde;o de &aacute;lcool, sobretudo nos finais de semana, foi   apontado como importante fator associado a brigas que, por vezes, levam &agrave;   morte, principalmente de jovens, o grupo social que mais pratica crimes e mais   morre por viol&ecirc;ncia. No entanto, como no caso de Jaragu&aacute; do Sul, os   profissionais de sa&uacute;de assinalaram que os maiores problemas com os quais e se   defrontam s&atilde;o o abuso de drogas e &aacute;lcool entre os jovens e a viol&ecirc;ncia   intrafamiliar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em   resumo, no conjunto, os entrevistados em Venado Tuerto assinalaram a falta de   perspectiva comum entre as v&aacute;rias ag&ecirc;ncias p&uacute;blicas e n&atilde;o governamentais e de   recursos para os programas de preven&ccedil;&atilde;o e coibi&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, como os   respons&aacute;veis pelo clima de inseguran&ccedil;a vivenciada no munic&iacute;pio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <b>Departamento   de San Rafael </b>tem   sua popula&ccedil;&atilde;o concentrada na cidade e em pequenos munic&iacute;pios na montanha. Ao   contr&aacute;rio de Venado Tuerto, onde as pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia est&atilde;o   desconectadas, aqui, os v&aacute;rios entrevistados (policiais, educadores,   profissionais de sa&uacute;de, gestores, jovens, profissionais que atendem &agrave;s   emerg&ecirc;ncias e jornalistas) atribuem o baixo n&iacute;vel de conflitos e crimes a uma   rede organizada de preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia em que se coordenam ag&ecirc;ncias   provinciais e municipais. Por exemplo, a pol&iacute;cia, como em toda a Argentina,   obedece ao n&iacute;vel provincial, mas se articula com o governo local por meio do   policiamento comunit&aacute;rio e tem um programa amplo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s v&iacute;timas. Todos   os representantes locais entrevistados falaram da relev&acirc;ncia da preven&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia   intrafamiliar &#150; problema que eles identificam como o principal e do qual   resultam brigas, agress&otilde;es e at&eacute; mortes &#150; e do esfor&ccedil;o de consolida&ccedil;&atilde;o de um   uma rede composta por todos os que devem dar aten&ccedil;&atilde;o ao problema. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante   o trabalho de campo foi poss&iacute;vel acompanhar as a&ccedil;&otilde;es dos diferentes agentes e   constatar que realmente existe uma rede de seguran&ccedil;a e defesa social integrada   pela pol&iacute;cia comunit&aacute;ria e pelos profissionais de educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de que busca   prevenir e atender (do ponto de vista m&eacute;dico e psicol&oacute;gico) &agrave;s pessoas que   sofrem viol&ecirc;ncia. Esse conjunto de atores considera que nos &uacute;ltimos anos   aumentaram o consumo de drogas, &#150; o que tem repercuss&otilde;es na viol&ecirc;ncia   interpessoal &#150; e os acidentes de tr&acirc;nsito, sobretudo com motos. Relataram que as   estat&iacute;sticas de agress&atilde;o aumentam nos finais de semana (como foi constatado   tamb&eacute;m em Venado Tuerto e Paulista) e costumam acontecer no contexto do abuso   de &aacute;lcool e drogas. Os policiais destacaram que as diversas formas de   delinqu&ecirc;ncia se concentram na periferia da cidade onde vive a popula&ccedil;&atilde;o mais   pobre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em   resumo, ainda que as estat&iacute;sticas mostrem pouca diferen&ccedil;a entre as taxas de   mortes por homic&iacute;dio em S&atilde;o Rafael e Venado Tuerto, neste &uacute;ltimo munic&iacute;pio, a   sociedade local sente muito mais inseguran&ccedil;a que atribui &agrave; falta de efic&aacute;cia   coletiva dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e n&atilde;o governamentais. Um ponto importante a ser   enfatizado, &eacute; que nesse munic&iacute;pio h&aacute; tantas entidades governamentais quanto em   San Rafael e h&aacute; mais entidades n&atilde;o governamentais atuando, embora cada uma aja   por si. J&aacute;, em San Rafael, praticamente n&atilde;o se encontraram organiza&ccedil;&otilde;es   governamentais voltadas para preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, pois a rede p&uacute;blica se   encarrega da defesa e dos direitos dos cidad&atilde;os. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Das situa&ccedil;&otilde;es tratadas   acima, dar-se-&aacute; &ecirc;nfase a quatro aspectos: a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, a cultura e   a hist&oacute;rica local, a influ&ecirc;ncia do ambiente externo, e o papel das interven&ccedil;&otilde;es   sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O   primeiro &eacute; a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, elemento central do dinamismo dos sistemas   sociais complexos<sup>1</sup>. Esse movimento interno de intera&ccedil;&atilde;o constitui o   que Coleman<sup>9</sup> denomina <i>capital social</i> e &eacute; constru&iacute;do e valorizado pelas   institui&ccedil;&otilde;es e pelas pessoas. Fica   evidente que em Jaragu&aacute; do Sul e em San Rafael os la&ccedil;os sociais e as rela&ccedil;&otilde;es   internas que promovem a solidariedade social est&atilde;o internalizados pela cultura;   enquanto em Paulista e Venado Tuerto ressalta-se a dispers&atilde;o de esfor&ccedil;os.   Nessas duas localidades n&atilde;o faltam propostas a favor da consolida&ccedil;&atilde;o de uma   cultura de paz. As narrativas emp&iacute;ricas at&eacute; sugerem que nelas existam mais   programas socioeducativos e de seguran&ccedil;a p&uacute;blica que nos dois primeiros   munic&iacute;pios. Mas, a exist&ecirc;ncia de la&ccedil;os sociais e de capital social n&atilde;o   explicam, per se, a capacidade de enfrentamento da criminalidade e dos   homic&iacute;dios<sup>11</sup>: s&atilde;o elementos necess&aacute;rios, mas n&atilde;o suficientes. O   conceito mais potente parece ser o de <i>efic&aacute;cia </i>coletiva<sup>10,12 </sup>que ressalta a   import&acirc;ncia das redes de comunica&ccedil;&atilde;o para promover o controle social e a coes&atilde;o   entre os moradores, como se observa em Jaragu&aacute; do Sul e San Rafael. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   segundo ponto a ser ressaltado &eacute; a import&acirc;ncia da cultura e da hist&oacute;ria local<sup>11</sup> na reprodu&ccedil;&atilde;o de valores e sua distribui&ccedil;&atilde;o entre os cidad&atilde;os, uma vez que o   tipo de rela&ccedil;&atilde;o da comunidade com o crime ou com a delinqu&ecirc;ncia &eacute; um fen&ocirc;meno   de longa dura&ccedil;&atilde;o<sup>4</sup>, em que entram em jogo processos sociais e   econ&ocirc;micos, a forma como se deu o crescimento da sociedade local e a   distribui&ccedil;&atilde;o de poder. Tomando o caso de Paulista, ressalta-se que al&eacute;m de uma   saga em que ciclos de riqueza e decad&ecirc;ncia se alternaram e se sucederam, as   desigualdades sociais a&iacute; s&atilde;o hist&oacute;ricas e persistentes, como o mostra o &iacute;ndice   de Gini, e as altas taxas de criminalidade s&atilde;o corroboradas por v&aacute;rias   subculturas, valores e estruturas sociais em competi&ccedil;&atilde;o. Esse conjunto de   fatores diminui a efic&aacute;cia coletiva para enfrentar os problemas, cria um   sentimento de desist&ecirc;ncia e de impot&ecirc;ncia frente &agrave; criminalidade e o homic&iacute;dio   &eacute; visto como uma fatalidade inevit&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existe,   como dizem os autores que estudam sistemas complexos, um <i>efeito de reciprocidade</i> entre o comportamento do   sistema social e o dos sujeitos: boas escolas, acesso a empregos, ambiente   limpo, saud&aacute;vel e seguro geram conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica e cidad&atilde; e as pessoas   tendem a buscar locais assim para viver, como &eacute; caso real&ccedil;ado nas falas dos   moradores de Jaragu&aacute; do Sul. E vice-versa: medo e inseguran&ccedil;a geram d&eacute;ficit de   coes&atilde;o e de participa&ccedil;&atilde;o na vida comunit&aacute;ria reduzem a vontade das pessoas de   se engajarem no controle social formal ou informal e cria-se uma esp&eacute;cie de cinismo   em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s normas legais, como se constata em Paulista e, em menores   propor&ccedil;&otilde;es, em Venado Tuerto. Nesse v&aacute;cuo de controle social, os delinquentes   costumam assumir o poder e usar san&ccedil;&otilde;es cru&eacute;is aos que os desrespeitam, criando   assim uma subcultura do crime temida por todos<sup>13,14</sup>. Ao contr&aacute;rio,   nas localidades com baixas taxas de delinqu&ecirc;ncia, como Jaragu&aacute; do Sul e San   Rafael, h&aacute; mais consenso, uniformidade e clareza quanto aos valores comuns<sup>4</sup>,   expressos no estilo de vida e nutridos pelos grupos locais de refer&ecirc;ncia como   igrejas, fam&iacute;lias, empresas e associa&ccedil;&otilde;es diversas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   terceiro ponto a comentar &eacute; a influ&ecirc;ncia do ambiente externo sobre o sistema   social. Sabe-se que os efeitos de pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas e macrossociais   influenciam as taxas de criminalidade e de informalidade em localidades   violentas. Existe evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica de que a desindustrializa&ccedil;&atilde;o e o   desinvestimento (como no caso de Paulista) redundam em aumento no n&uacute;mero de   desempregados e de pobres, em instabilidade demogr&aacute;fica, em incremento de   resid&ecirc;ncias prec&aacute;rias e n&atilde;o legalizadas e em ocupa&ccedil;&otilde;es informais. Nesses   munic&iacute;pios, como num c&iacute;rculo vicioso, fogem as oportunidades econ&ocirc;micas e de   turismo e cresce o isolamento territorial e social dos moradores. Mas n&atilde;o s&atilde;o   apenas os empreendimentos econ&ocirc;micos que se afugentam, tamb&eacute;m o poder p&uacute;blico   ainda que invista em programas sociais em localidades em decad&ecirc;ncia econ&ocirc;mica,   o faz de forma descoordenada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por   fim, &eacute; importante refletir sobre o papel de interven&ccedil;&otilde;es sociais para provocar   mudan&ccedil;as e redu&ccedil;&atilde;o das taxas de homic&iacute;dios. Nesse ponto, alguns exemplos   brasileiros, embora digam respeito a favelas e bairros de periferia urbana e   n&atilde;o a munic&iacute;pios, s&atilde;o interessantes. Um dos casos de maior sucesso de que se   tem not&iacute;cia &eacute; a interven&ccedil;&atilde;o do "Programa Fica Vivo" do Estado de Minas Gerais,   cujo objetivo &eacute; reduzir os homic&iacute;dios em &aacute;reas onde sua concentra&ccedil;&atilde;o seja alta,   combinando a&ccedil;&otilde;es preventivas e repressivas. As a&ccedil;&otilde;es preventivas incluem   participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e suporte social para solu&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es locais e   tem foco em propostas para e junto com os jovens. As a&ccedil;&otilde;es repressivas visam a   dar resposta r&aacute;pida do sistema policial e judicial, de forma a aumentar a   probabilidade de apreens&atilde;o de armas e de pris&atilde;o dos delinquentes. Avalia&ccedil;&atilde;o de   impacto realizada por Peixoto et al.<sup>15</sup> indica que o <i>Fica Vivo</i> conseguiu reduzir a   criminalidade e os homic&iacute;dios em todas as seis &aacute;reas onde foi implementado, o   que vem ocorrendo desde 2002, embora seus resultados sejam distintos em cada   uma delas. Duas observa&ccedil;&otilde;es cabem aqui: a primeira diz respeito &agrave; coes&atilde;o   interna da sociedade local e &agrave; capilariza&ccedil;&atilde;o diferenciada do programa entre os   moradores, o que refor&ccedil;a a ideia de que a reorganiza&ccedil;&atilde;o e a transforma&ccedil;&atilde;o   social s&atilde;o caminhos de possibilidades e nunca uma certeza dada. A segunda   observa&ccedil;&atilde;o vem a partir de uma constata&ccedil;&atilde;o dos avaliadores de que nas   localidades com mais tempo de exist&ecirc;ncia do programa os resultados tendem a ser   melhores. Ora, esse ponto ressalta o papel importante da reprodu&ccedil;&atilde;o cultural   que exige tempo para se consolidar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro   caso emblem&aacute;tico no foco deste estudo &eacute; o que ocorreu na cidade de S&atilde;o Paulo,   onde as taxas de homic&iacute;dio ca&iacute;ram de 56,4 em 1996 para 14,9 em 2008<sup>16</sup>.   Embora sejam necess&aacute;rias cautelas quanto aos fatores explicativos para a queda,   alguns elementos devem ser ressaltados: S&atilde;o Paulo apresentou decl&iacute;nio   importante nas taxas de homic&iacute;dios em todas regi&otilde;es da cidade e em todos os   grupos sociodemogr&aacute;ficos, mas a queda foi mais relevante nas &aacute;reas com maior   grau de exclus&atilde;o social e nos grupos considerados de maior risco: homens jovens   de 15 a 24 anos. Esse decl&iacute;nio, segundo an&aacute;lises<sup>16</sup>, resultou na   redu&ccedil;&atilde;o de outras iniquidades, uma vez que investimentos sociais e econ&ocirc;micos,   de educa&ccedil;&atilde;o, de sa&uacute;de, de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, de desarmamento da popula&ccedil;&atilde;o e de   integra&ccedil;&atilde;o dos moradores nas v&aacute;rias formas de atua&ccedil;&atilde;o contemplaram as &aacute;reas de   exclus&atilde;o extrema. Foi o caso de Jardim &Acirc;ngela, por exemplo, uma favela com   cerca de 300.000 habitantes da periferia de S&atilde;o Paulo que j&aacute; foi considerada pela   ONU a localidade mais violenta do mundo (117 homic&iacute;dios por 100.000 habitantes   em 1996) e que nesse per&iacute;odo teve uma queda de 73,3% nas taxas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   terceiro exemplo &eacute; o "Programa de Pol&iacute;cia Pacificadora" (UPP) da cidade do Rio   de Janeiro, sempre acompanhado de uma pol&iacute;tica abrangente denominada "UPP   Social". Essa a&ccedil;&atilde;o vem sendo uma das respons&aacute;veis pela diminui&ccedil;&atilde;o acentuada nas   taxas de homic&iacute;dio que em 2000 eram de 51,0 e em 2010 baixaram para 26,2 por   100.000 habitantes, uma queda de 46,9%<sup>17</sup>. Estudos desagregados por   &aacute;reas da cidade mostram que nas regi&otilde;es onde h&aacute; UPP, os homic&iacute;dios tiveram   queda de at&eacute; 77%<sup>18</sup>. Ressalta-se que a UPP Social re&uacute;ne esfor&ccedil;os das   esferas municipal, estadual e federal e tamb&eacute;m de empres&aacute;rios, das &aacute;reas   p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e ambiente e da sociedade civil. Projetos e   programas s&atilde;o planejados para cada territ&oacute;rio (j&aacute; ocupado por UPP), sempre a   partir das demandas da comunidade que atuam junto com as for&ccedil;as externas que se   unem a ela, de forma comunicativa e interativa. No caso do Rio de Janeiro,   n&atilde;o se pode esquecer tamb&eacute;m, a influ&ecirc;ncia de importantes fatores   macroecon&ocirc;micos que fizeram aumentar os empregos formais e diminuir a informalidade   em todos os seus aspectos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos   os tr&ecirc;s exemplos ressaltam o investimento tanto na coer&ccedil;&atilde;o do crime como na   coes&atilde;o social e embora nenhum deles possa ser transplantado, cada um a seu modo   demonstra que os processos hist&oacute;ricos de criminalidade e de excesso de   homic&iacute;dios, aparentemente cronificados, s&atilde;o pass&iacute;veis de serem modificados quando   se juntam as for&ccedil;as internas e externas a favor da vida e da inclus&atilde;o social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do ponto de vista   metodol&oacute;gico &eacute; importante ressaltar que apesar das discrep&acirc;ncias das situa&ccedil;&otilde;es   e dos dados das quatro localidades, os casos permitem uma leitura a respeito do   que dificulta e do que promove a seguran&ccedil;a, a defesa social e o respeito &agrave;   vida. Definitivamente, a a&ccedil;&atilde;o policial &eacute; apenas um dos elementos a ser levado   em conta, embora haja necessidade de que ela esteja presente e seja preventiva,   eficaz e legal. Em muitos casos, como os dos programas Fica Vivo e das UPP,   pela especificidade dos locais onde se implantaram, a for&ccedil;a coercitiva tem que   se impor primeiro, numa opera&ccedil;&atilde;o de retomada do territ&oacute;rio pelo Estado. No   entanto, n&atilde;o existe nenhum exemplo hist&oacute;rico de que a a&ccedil;&atilde;o de cunho policial   apenas tenha tido efic&aacute;cia transformadora.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma   segunda conclus&atilde;o importante &eacute; de que tanto nas localidades com concentradas   taxas de homic&iacute;dio como nas que apresentam taxas baixas existe uma sinergia do   ambiente externo (pol&iacute;ticas macrossociais e macroecon&ocirc;micas) com o sistema   interno (organiza&ccedil;&atilde;o social, governo local, participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria) e com o   sistema ps&iacute;quico (a subjetividade) dos moradores, seja na constru&ccedil;&atilde;o da solidariedade   seja na responsabilidade pela desintegra&ccedil;&atilde;o social. Como num efeito cumulativo,   os espa&ccedil;os sociais em desvantagem s&atilde;o menos seguros, menos atendidos, t&ecirc;m menos   servi&ccedil;os de prote&ccedil;&atilde;o e o controle formal sempre chega a reboque dos homic&iacute;dios   e da criminalidade. Geralmente, at&eacute; as for&ccedil;as de repress&atilde;o ao crime na sua   comunica&ccedil;&atilde;o com a popula&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas socialmente desfavorecidas costumam   tratar os moradores com trucul&ecirc;ncia e crueldade, como se eles fossem   merecedores desse comportamento. Igualmente, nas localidades com altas taxas de   homic&iacute;dio existe um efeito de reciprocidade (negativo) vis&iacute;vel: aumento de   moradias prec&aacute;rias e da informalidade no trabalho e no trato da coisa p&uacute;blica;   aumento de consumo de drogas ilegais; disputas de poder entre narcotraficantes   ou entre gangues rivais; colapso do sistema de seguran&ccedil;a p&uacute;blica; aumento do   desemprego, sobretudo, de jovens; pouco apre&ccedil;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o formal; cultura da   viol&ecirc;ncia; desprezo pelas normas de conviv&ecirc;ncia e de legalidade; e colapso de   fatores dissuas&oacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   terceiro ponto a se ressaltar &eacute; que, o fato de um munic&iacute;pio ter baixas taxas de   homic&iacute;dios n&atilde;o indica que nele inexistam outras formas de viol&ecirc;ncia. Por   exemplo, Jaragu&aacute; do Sul tem elevadas taxas de causas externas (63,3/100.000),   cujas especificidades merecem aprofundamento. Em todos os quatro munic&iacute;pios, os   entrevistados assinalaram a forte presen&ccedil;a da viol&ecirc;ncia intrafamiliar (de cunho   patriarcalista), das drogas e do alcoolismo e de acidentes de tr&acirc;nsito,   particularmente, pelo uso de motocicletas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por   fim, &eacute; importante ressaltar a necessidade de um conjunto de interven&ccedil;&otilde;es   articuladas quando se pensa em mudan&ccedil;as nas situa&ccedil;&otilde;es de elevadas taxas de   homic&iacute;dios: investimentos socioecon&ocirc;micos; educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de qualidade,   sobretudo para os jovens, condizentes com as necessidades do mercado de   trabalho; pol&iacute;ticas sociais efetivas; participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os nas a&ccedil;&otilde;es   comunit&aacute;rias e a&ccedil;&otilde;es que fortale&ccedil;am a cidadania em converg&ecirc;ncia, conflu&ecirc;ncia e   rec&iacute;proca potencializa&ccedil;&atilde;o por meio de redes que se comuniquem e se fortale&ccedil;am   ao longo do tempo: qualquer mudan&ccedil;a n&atilde;o ocorre da noite para o dia. A cultura   da viol&ecirc;ncia &eacute; sedimentada nas estruturas sociais e se reproduz na consci&ecirc;ncia   dos cidad&atilde;os, tornando-se naturalizada. Por isso, as desconstru&ccedil;&otilde;es s&atilde;o lentas,   mas sempre poss&iacute;veis. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Colaboradores</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MCS Minayo e P Constantino   participaram igualmente de todas as etapas de elabora&ccedil;&atilde;o do artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Luhmann N.   System as difference. <i>Organization </i>2006; 3(1):37&#150;57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632361&pid=S1413-8123201200120001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Thomas WI,   Znaniecki. The polish peasant in Europe and America. Chicago: University Press   of Chicago; 1918.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632363&pid=S1413-8123201200120001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Sutherland EH. <i>Principles of   Criminology</i>.   Chicago: University of Chicago Press; 1924.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632365&pid=S1413-8123201200120001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Shaw CR, McRay   H. Juvenile delinquency and urban areas. Chicago: Chicago University Press;   1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632367&pid=S1413-8123201200120001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Stark R.   Deviant places &#150; a theory of the ecology of crime. <i>Criminology</i> 1987;   25:893-909.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632369&pid=S1413-8123201200120001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Bursick R.   Social disorganization and theories of crime and delinquency: problems and   prospects. <i>Criminology</i> 1998;   26:519-551.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632371&pid=S1413-8123201200120001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Bursik R,   Grasmick HG. <i>Neighborhoods and crime</i>: the dimensions of   effective community control. New York: Lexington; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632373&pid=S1413-8123201200120001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Minayo MCS<i>. O desafio do conhecimento</i>. 12&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo:   Editora Hucitec; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632375&pid=S1413-8123201200120001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Coleman J.   Social capital in the creation of human capital. <i>American Journal of     Sociology</i> 1988; 94:S95-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632377&pid=S1413-8123201200120001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Sampson RJ,   Morenoff JD, Earls F. Neighborhoods and violent crime. <i>Science</i> 1999;   277:918-924.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632379&pid=S1413-8123201200120001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Taylor R. Fear   of crime, social ties and collective efficacy. <i>Justice Quarterly</i> 2002;   19:773-795.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632381&pid=S1413-8123201200120001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Kubrin C, Weitzer   R. Reliatory homicide: concentrated disadvantange and neighborhood culture. <i>Social Problems</i> 2003;   50:157-180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632383&pid=S1413-8123201200120001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Bruce MA,   Roscigno V, McCall OL. Structure, context and agency in the reproduce tion in   black-on-black violence. <i>Theoretical criminology</i> 1998; 2:29-55 </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632385&pid=S1413-8123201200120001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Sampson RJ,   Wilson WJ. Toward a rece theory of race, crime and urban violence. In: Haghan   J, Petterson R, editors. <i>Sampson RJ, Wilson WJ</i>. Crime and inequality.   Stanford: Stanford University Press; 1995. p. 37-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632386&pid=S1413-8123201200120001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Peixoto BT, Andrade MV, Azevedo JP. <i>Preven&ccedil;&atilde;o   e controle de homic&iacute;dios:</i> uma avalia&ccedil;&atilde;o de impacto no Brasil. Belo   Horizonte: UFMG, Cedeplar; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632388&pid=S1413-8123201200120001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> (Texto para discuss&atilde;o, n. 337)</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Peres MFT, Vicentin D,   Lima RS, Souza ER, Carda M, Cardia N, Adorno S. Queda dos homic&iacute;dios em S&atilde;o   Paulo: uma an&aacute;lise descritiva. <i>Rev Panam Salud Publica</i> 2011; 29(1):17-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632390&pid=S1413-8123201200120001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Waiselfisz JJ. Mapa da   viol&ecirc;ncia 2012. <i>Os     novos padr&otilde;es da viol&ecirc;ncia homicida no Brasil</i>. S&atilde;o Paulo: Instituto Sangari; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632392&pid=S1413-8123201200120001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Rio de Janeiro. Instituto   de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. <i>Estat&iacute;sticas     de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Estado do Rio de Janeiro</i>. &#91;site na Internet&#93;.   2012. &#91;acessado 2012 ago 18&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.isp.rj.gov.br/Conteudo.asp?ident=241" target="_blank">http://www.isp.rj.gov.br/Conteudo.asp?ident=241</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1632394&pid=S1413-8123201200120001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Artigo apresentado em 10/05/2012<br />   Aprovado em 23/07/2012<br />   Vers&atilde;o final apresentada em 13/09/2012</font></p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
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<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
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<source><![CDATA[The polish peasant in Europe and America]]></source>
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