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<journal-title><![CDATA[Revista Brasileira de Epidemiologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção discursiva sobre a dengue na mídia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this paper was to understand how the media in the state of Pernambuco portrays dengue fever, a disease that is affecting more and more Brazilians. Taking the explosive epidemic of 2002 as the starting point, we tried to understand the effects of meaning produced by the press in a comparative discourse strategy analysis used in 2002, 2004, 2006 and 2008. We selected 291 articles and notes published in the Jornal do Commercio (Recife-Brazil), on the situation of this viral disease in the state of Pernambuco in the four years. We also analysed dengue fever surveillance reports published by the health department of Pernambuco. To complement discourse analysis, we proposed the construction of a medialogy diagram, a graphic representation that tries to establish a relationship between newspaper texts and number cases of dengue reported. Results indicate that media coverage generally followed the development of dengue fever cases, with more news published during the epidemic periods and showing the appeal of the illness as a mass media phenomenon despite its risk to the Brazilian people.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Dengue]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Diagrama midialógico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS  ORIGINAIS</b></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A  constru&ccedil;&atilde;o discursiva sobre a dengue na m&iacute;dia</b></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Luiz  Marcelo Robalinho Ferraz; Isaltina Maria de Azevedo Mello Gomes</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Programa  de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade  Federal de Pernambuco, Recife, PE</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p><hr size="1" noshade>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  objetivo deste artigo &eacute; compreender o tratamento dado pela imprensa pernambucana  &agrave; dengue, doen&ccedil;a que vem afetando cada vez mais os brasileiros.  Tendo como ponto de partida a epidemia explosiva registrada no Brasil em 2002,  buscamos compreender os efeitos de sentido produzidos, avaliando as estrat&eacute;gias  discursivas utilizadas em 2002, 2004, 2006 e 2008. Para tanto, selecionamos as  291 mat&eacute;rias e notas veiculadas no Jornal do Commercio do Recife (Brasil)  nesses anos, abordando a situa&ccedil;&atilde;o da dengue em Pernambuco, al&eacute;m  dos registros da virose realizados pela Secretaria de Sa&uacute;de de Pernambuco.  De forma complementar &agrave; an&aacute;lise, propomos a elabora&ccedil;&atilde;o  do <i>diagrama midial&oacute;gico</i>, que busca estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o  entre os textos da imprensa e os casos notificados da doen&ccedil;a. Os resultados  indicam que o notici&aacute;rio costuma acompanhar, em geral, a curva epidemiol&oacute;gica  da mol&eacute;stia, com algumas diferen&ccedil;as em determinados per&iacute;odos  do ano, conforme o agendamento da imprensa, indicando o apelo da dengue como fen&ocirc;meno  midi&aacute;tico.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>  Dengue. Diagrama midial&oacute;gico. Discurso jornal&iacute;stico. Epidemia. Mem&oacute;ria  discursiva. Noticiabilidade.</font></p><hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  dengue &eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es atuais da sa&uacute;de p&uacute;blica  brasileira. Apesar de ter perdido espa&ccedil;o no notici&aacute;rio em 2009 para  a pandemia de gripe A(H1N1) que assolou o planeta, ela nunca deixa de ser not&iacute;cia  pela caracter&iacute;stica de apresentar ciclos epid&ecirc;micos que atingem em  maior ou menor grau a popula&ccedil;&atilde;o, a depender da circula&ccedil;&atilde;o  viral e das condi&ccedil;&otilde;es ambientais que favore&ccedil;am a infec&ccedil;&atilde;o.  Ao lado da AIDS, a dengue surgiu de fato e se tornou conhecida no pa&iacute;s  na d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo XX, quando foram registradas sucessivas  epidemias em diversas cidades brasileiras, come&ccedil;ando pelo Rio de Janeiro  e se disseminando para outras localidades.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  Pernambuco, o mosquito <i>Aedes aegypti</i> (transmissor da doen&ccedil;a) foi  identificado no final de 1984 em 90 munic&iacute;pios do Estado. Com a reintrodu&ccedil;&atilde;o  do v&iacute;rus e a ocorr&ecirc;ncia da primeira epidemia no Rio, em 1986, o monitoramento  come&ccedil;ou a ser adotado pelas autoridades de sa&uacute;de. Ainda no mesmo  ano, foram notificados os primeiros registros, sendo casos importados de Alagoas  e do Cear&aacute;, sobretudo. O primeiro surto - j&aacute; com a constata&ccedil;&atilde;o  do v&iacute;rus circulando no territ&oacute;rio pernambucano - ocorreu em 1987  (2.118 casos), como pode ser visto na <a href="#t1">Tabela 1</a>.</font></p>    <p><a name="t1"></a></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/06t1.jpg"></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com  exce&ccedil;&atilde;o do ano de 1989, Pernambuco vivenciou um hiato na notifica&ccedil;&atilde;o  de casos at&eacute; 1995, quando voltou a contabilizar novos registros de dengue,  iniciando uma segunda epidemia, provocada pela introdu&ccedil;&atilde;o do DENV-2.<sup>1</sup>  A partir de ent&atilde;o, a doen&ccedil;a passou a ser uma realidade para os pernambucanos,  especialmente nos primeiros semestres de cada ano, per&iacute;odo em que h&aacute;  historicamente maior n&uacute;mero de casos. A epidemia de 2002 - causada pela  introdu&ccedil;&atilde;o do terceiro sorotipo (DENV-3) no Brasil e de caracter&iacute;stica  explosiva por envolver "em pouco tempo a quase-totalidade das pessoas atingidas"  e ter a progress&atilde;o r&aacute;pida dos casos como crit&eacute;rio diferenciador<sup>2</sup>  - constituiu um acontecimento significativo para a sa&uacute;de p&uacute;blica  no Estado. Houve 116.245 notifica&ccedil;&otilde;es, sendo 96.470 casos confirmados  de dengue cl&aacute;ssica e 340 do tipo hemorr&aacute;gico, al&eacute;m de 20  mortes, sendo determinante para a m&iacute;dia divulgar amplamente o assunto.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tendo  em vista a for&ccedil;a da dengue no agendamento da m&iacute;dia, sobretudo com  o registro de epidemias da &uacute;ltima d&eacute;cada para c&aacute;, buscamos  analisar os discursos produzidos na imprensa pernambucana nos anos de 2002, 2004,  2006 e 2008, tendo a grande epidemia de dengue de 2002 como ponto de partida.  Optamos pelo meio jornal para buscar compreender como um objeto simb&oacute;lico  escrito, com enunciados estabilizados, produz sentidos. Um dispositivo de legibilidade  no qual o "peso das palavras" desempenha um papel de prova para estabelecer a  verdade, como diz Charaudeau (2006, p. 113)<sup>3</sup>. Para o autor, a m&iacute;dia  escrita tem como caracter&iacute;stica:</font></p>    <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#91;...&#93;  uma rela&ccedil;&atilde;o distanciada entre aquele que escreve e aquele que l&ecirc;,  a aus&ecirc;ncia f&iacute;sica da inst&acirc;ncia de emiss&atilde;o para com a  inst&acirc;ncia de recep&ccedil;&atilde;o; uma atividade de conceitualiza&ccedil;&atilde;o  da parte das duas inst&acirc;ncias para representar o mundo, o que produz l&oacute;gicas  de produ&ccedil;&atilde;o e de compreens&atilde;o espec&iacute;ficas; um percurso  ocular multiorientado do espa&ccedil;o de escritura, que faz com que o que foi  escrito permane&ccedil;a como um tra&ccedil;o para o qual se pode sempre retornar:  aquele que escreve, para retificar ou apagar, aquele que l&ecirc;, para rememorar  ou recompor sua leitura.</font></p></blockquote>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  Jornal do Commercio (Recife-Pernambuco) foi o ve&iacute;culo escolhido como material  do estudo por ser um dos tr&ecirc;s peri&oacute;dicos pernambucanos mais importantes  e com maior tiragem no Estado. Possui uma m&eacute;dia de circula&ccedil;&atilde;o  paga de 31.847 exemplares vendidos &agrave;s ter&ccedil;as-feiras (dia de menor  circula&ccedil;&atilde;o), chegando a 65.028 exemplares no domingo (dia de maior  circula&ccedil;&atilde;o)<sup>4</sup>. Outro fator foi a import&acirc;ncia dada  pelo jornal ao tema sa&uacute;de. A preocupa&ccedil;&atilde;o e o interesse pelo  assunto s&atilde;o confirmados por meio dos resultados de um levantamento que  vem sendo feito anualmente, desde 2004, pelo Instituto Ipsos Marplan, a pedido  do pr&oacute;prio JC. O intuito &eacute; avaliar os assuntos de maior interesse  do seu p&uacute;blico (<a href="#g1">Gr&aacute;fico 1</a>).</font></p>    <p><a name="g1"></a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/06g1.jpg"></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observando  o interesse dos leitores por tem&aacute;ticas ligadas &agrave; sa&uacute;de, entendemos  em parte o privil&eacute;gio que a dengue teve, e ainda tem, dentro do jornal.  Isso porque, pensando nos assuntos de interesse do p&uacute;blico-leitor, a doen&ccedil;a  poderia ser inclu&iacute;da tanto no conjunto tem&aacute;tico <i>sa&uacute;de</i>/<i>bem-estar</i>/<i>qualidade  de vida</i> e <i>medicina/descoberta cient&iacute;fica/cura</i> quanto em <i>atualidades/not&iacute;cias  do momento</i>, especialmente se considerarmos os per&iacute;odos de maior risco  da dengue, como na epidemia de 2002, quando foram produzidos 144 textos jornal&iacute;sticos,  ou em 2008, ano em que a dengue voltou a amea&ccedil;ar novamente Pernambuco,  levando o peri&oacute;dico a publicar 106 mat&eacute;rias.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste  artigo, concentramos a an&aacute;lise nas mat&eacute;rias, reportagens e notas,  j&aacute; que a quantidade de textos publicados sobre a doen&ccedil;a (291 ao  todo) aponta para uma dupla import&acirc;ncia da dengue: como fen&ocirc;meno epidemiol&oacute;gico  e midi&aacute;tico. Complementando o nosso trabalho, buscamos estabelecer uma  rela&ccedil;&atilde;o entre os textos da imprensa e os casos notificados da doen&ccedil;a.  Para isso, constru&iacute;mos um dispositivo gr&aacute;fico que nomeamos de <i>diagrama  midial&oacute;gico da dengue</i>, pois foi inspirado na metodologia de acompanhamento  realizada pela sa&uacute;de p&uacute;blica. O <i>diagrama midial&oacute;gico</i>  nos ajudou a compreender a sazonalidade da m&iacute;dia na abordagem &agrave;  dengue, sendo um instrumento auxiliar de aprofundamento das an&aacute;lises, a  partir da visualiza&ccedil;&atilde;o dos momentos de sil&ecirc;ncio e superexposi&ccedil;&atilde;o  da dengue nas p&aacute;ginas do jornal.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para  constru&ccedil;&atilde;o do <i>diagrama midial&oacute;gico</i>, selecionamos os  textos do JC e as notifica&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a a fim de avaliar  a evolu&ccedil;&atilde;o do notici&aacute;rio em paralelo ao registro de casos.  Acreditamos que os resultados obtidos nos ajudaram no aprofundamento das an&aacute;lises.  Por apontar quest&otilde;es interessantes nos anos estudados, a inten&ccedil;&atilde;o  foi examinar com mais aten&ccedil;&atilde;o os discursos produzidos pela imprensa,  sobretudo nos per&iacute;odos de crescimento dos registros da dengue (com foco  nas epidemias) e decr&eacute;scimo, al&eacute;m dos momentos em que as mat&eacute;rias  n&atilde;o acompanharam a curva epidemiol&oacute;gica.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>O  discurso, a mem&oacute;ria e o jornalismo</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  presen&ccedil;a cada vez maior da dengue levou a um envolvimento dos ve&iacute;culos  de comunica&ccedil;&atilde;o na divulga&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias. Pela  posi&ccedil;&atilde;o privilegiada que ocupa no espa&ccedil;o p&uacute;blico,  a m&iacute;dia se configura num locus de sentidos importante. Em grande parte,  as informa&ccedil;&otilde;es de que dispomos sobre a dengue adv&ecirc;m da divulga&ccedil;&atilde;o  da imprensa, tendo como base a fala de diferentes atores relacionados ao assunto:  gestores, m&eacute;dicos, cientistas, cidad&atilde;os e pacientes, para citar  os mais expressivos. Baseada nessas falas e na pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o  da doen&ccedil;a, a m&iacute;dia foi, e vai, construindo o seu discurso e consolidando  o arcabou&ccedil;o de informa&ccedil;&otilde;es e valores que permeiam a dengue.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sabemos  que essa constru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o partiu apenas do presente. O passado  tamb&eacute;m &eacute; fundamental para o entendimento que temos das doen&ccedil;as,  sobretudo as infecciosas, que respondem hoje em dia por mais de 25% das mortes  anuais no mundo<sup>5</sup>. Articulando, ent&atilde;o, passado e presente, a  m&iacute;dia foi construindo a sua pr&oacute;pria mem&oacute;ria da dengue, tendo  a epidemia como fio condutor para produ&ccedil;&atilde;o dos sentidos. O evento  epid&ecirc;mico de 2002 &eacute; um exemplo recente dessa mem&oacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o  discursiva nos anos seguintes.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Acontecimento  epidemiol&oacute;gico que afeta o ecossistema da sa&uacute;de, a epidemia se inscreve  na mem&oacute;ria pela imprevisibilidade e a singularidade<sup>6</sup>. Falar  de epidemia nos remete &agrave; desordem causada pelo car&aacute;ter acidental  da doen&ccedil;a em larga escala, provocando mortes e afetando a rotina das cidades.  Por isso, elas adquirem um sentido simb&oacute;lico no cotidiano das sociedades  contempor&acirc;neas, diz Barata (1990, p. 385)<sup>7</sup>:</font></p>    <blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &aacute;rea  da sa&uacute;de, o papel preponderante dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o  ir&aacute; se revelar nas situa&ccedil;&otilde;es coletivas, como as epidemias,  quando a popula&ccedil;&atilde;o se v&ecirc; indistintamente amea&ccedil;ada,  isto &eacute;, a import&acirc;ncia da imprensa, enquanto canal de informa&ccedil;&atilde;o/reivindica&ccedil;&atilde;o,  &eacute; mediatizada pelo car&aacute;ter mais ou menos coletivo do agravo em quest&atilde;o,  bem como pelo potencial de difus&atilde;o social do problema.</font></p></blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para  a An&aacute;lise do Discurso (AD), o discurso &eacute; concebido como a linguagem  sendo posta em pr&aacute;tica no meio social; um trabalho simb&oacute;lico de  produ&ccedil;&atilde;o de sentidos constitutivo do homem e de sua hist&oacute;ria,  conforme Orlandi (2007, p. 15)<sup>8</sup>:</font></p>    <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  An&aacute;lise do Discurso concebe a linguagem como media&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria  entre o homem e a realidade natural e social. Essa media&ccedil;&atilde;o, que  &eacute; o discurso, torna poss&iacute;vel tanto a perman&ecirc;ncia e a continuidade  quanto o deslocamento e a transforma&ccedil;&atilde;o do homem e da realidade  em que ele vive. O trabalho simb&oacute;lico est&aacute; na base da produ&ccedil;&atilde;o  da exist&ecirc;ncia humana.</font></p></blockquote>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa  concep&ccedil;&atilde;o, o discurso &eacute; visto como estrutura de uma pr&aacute;tica  de linguagem que alia atualidade e mem&oacute;ria ao mesmo tempo. Tomando como  base significados criados anteriormente (a mem&oacute;ria), o discurso se constitui  a partir de acontecimentos novos, que desmancham regulariza&ccedil;&otilde;es  existentes, fazendo surgir um novo sistema por meio de um jogo de for&ccedil;as  que visa manter o j&aacute;-produzido e, em sentido contr&aacute;rio, modificar  os sentidos existentes<sup>9</sup>. Na AD, a mem&oacute;ria tem um papel importante  por "invocar" os elementos pr&eacute;-constru&iacute;dos, ou seja, tra&ccedil;os  existentes em outros enunciados.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  reflex&otilde;es sobre discurso e mem&oacute;ria discursiva levaram ao desenvolvimento  do conceito de interdiscurso, ao constatarem que os discursos n&atilde;o est&atilde;o  isolados, e sim articulados entre si. Charaudeau e Maingueneau (2008, p. 286,  grifos dos autores)<sup>10</sup> determinam dois sentidos para o interdiscurso:  um mais restritivo, referindo-se a um espa&ccedil;o discursivo, "<i>um conjunto  de discursos</i> (de um mesmo campo discursivo ou de campos distintos) que mant&eacute;m  rela&ccedil;&otilde;es de delimita&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca uns com os  outros"; e outro mais amplo, como "o conjunto das unidades discursivas (que pertencem  a discursos anteriores do mesmo g&ecirc;nero, de discursos contempor&acirc;neos  de outros g&ecirc;neros etc.) com os quais um <i>discurso particular</i> entra  em rela&ccedil;&atilde;o impl&iacute;cita ou expl&iacute;cita".</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Discutir  a respeito do interdiscurso &eacute; tamb&eacute;m avaliar como os sentidos foram  sendo produzidos pela m&iacute;dia com base na mem&oacute;ria de outras doen&ccedil;as.  Embora as mol&eacute;stias tenham caracter&iacute;sticas distintas, os sentimentos  que envolvem cada uma delas - adoecimento, medo, mal, risco, morte e epidemia  - mobilizam <i>redes partilhadas de mem&oacute;ria</i> sobre enfermidades em geral<sup>11</sup>.  No caso das mat&eacute;rias sobre sa&uacute;de, fazemos correla&ccedil;&atilde;o  com as epidemias. Consideradas acontecimentos significativos ao tratarmos de doen&ccedil;as,  sobretudo as infecciosas (por afetarem parte ou o conjunto da sociedade), as epidemias  s&atilde;o determinantes para a m&iacute;dia divulgar o assunto, configurando-se  num acontecimento discursivo de grande apelo e fazendo evocar o passado. Foi assim  com a gripe A (H1N1), cujo registro da pandemia levou a imprensa a notici&aacute;-la  permanentemente na fase inicial de descoberta do v&iacute;rus e dos primeiros  casos, vinculando-a ao horror vivenciado durante a gripe espanhola no final dos  anos 1910, quando cerca de 22 milh&otilde;es de pessoas morreram<sup>12</sup>.  Costuma ser assim com a dengue, cujas epidemias fazem com que os ve&iacute;culos  divulguem not&iacute;cias com mais intensidade, discursivizando um maior risco  de o mosquito transmissor infectar e matar<sup>11</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  aparecimento de doen&ccedil;as em coletividades tem um forte apelo jornal&iacute;stico  pela atualidade, singularidade, peso social e magnitude do fato, ao levarmos em  conta os principais crit&eacute;rios de noticiabilidade de um fato<sup>13</sup>.  Foi assim em 2002, quando a epidemia se enquadrou em quase todas essas caracter&iacute;sticas  de marca&ccedil;&atilde;o. J&aacute; em 2008, o aumento de casos de dengue e as  mortes foram o principal motivo para a doen&ccedil;a ser not&iacute;cia, tendo  valores-not&iacute;cia semelhantes aos de 2002, com base em uma experi&ecirc;ncia-mem&oacute;ria  discursiva recente.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os  crit&eacute;rios de noticiabilidade t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o direta com  a no&ccedil;&atilde;o de <i>agenda-setting</i>, desenvolvida nos anos 70 por McCombs  e Shaw<sup>14</sup>. Segundo esse conceito, atrav&eacute;s dos fatos que se tornam  not&iacute;cia, a m&iacute;dia define os temas que ser&atilde;o ou n&atilde;o  discutidos pela opini&atilde;o p&uacute;blica, modificando, de certa maneira,  a realidade social, de acordo com Barros Filho (2001)<sup>15</sup>. Da&iacute;,  Traquina (2000) ter descrito o processo de agendamento como interativo, uma vez  que a agenda p&uacute;blica influencia a m&iacute;dia e vice-versa<sup>16</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m  disso, h&aacute; que se considerar a credibilidade que a m&iacute;dia tem na sociedade.  Por retratarem as transforma&ccedil;&otilde;es da realidade e registr&aacute;-las,  os meios de comunica&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;aram uma posi&ccedil;&atilde;o  de "porta-voz oficial dos acontecimentos" e com "poder de elevar os acontecimentos  &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ricos", conforme Ribeiro (2005,  p. 115)<sup>17</sup>. Segundo esta autora, isso leva os ve&iacute;culos a produzirem  enunciados sobre a realidade social aceitos como verdadeiros. "O que passa ao  largo da m&iacute;dia &eacute; considerado, pelo conjunto da sociedade, como sem  import&acirc;ncia" (p. 115). Para a autora, esse fen&ocirc;meno decorre do mito  da <i>neutralidade</i> e da <i>imparcialidade</i>, criado em meados do s&eacute;culo  XIX com o <i>jornalismo informativo</i> e que se consolidou no s&eacute;culo seguinte,  com o advento do conceito de <i>objetividade</i> (bastante questionado, diga-se  de passagem).</font></p>    <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  mito da objetividade, por mais que j&aacute; tenha sido exaustivamente criticado  pelos pr&oacute;prios jornalistas e pelos te&oacute;ricos da comunica&ccedil;&atilde;o,  &eacute; um dos grandes respons&aacute;veis pela acolhida que o jornalismo tem.  Ainda hoje, o seu discurso se reveste de uma <i>aura de fidelidade aos fatos</i>  que nos leva a acreditar que o que "deu no jornal" &eacute; a verdade. Al&eacute;m  disso, por mais que os estudiosos provem a n&atilde;o-objetividade jornal&iacute;stica,  nunca poder&atilde;o negar a sua <i>ancoragem factual</i>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#91;...&#93;</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  discurso jornal&iacute;stico possui, assim, uma certa objetividade, <i>um efeito  de sentido</i>, produzido por suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias enunciativas.  E &eacute; essa objetividade o que lhe atribui, nas sociedades contempor&acirc;neas,  o estatuto de porta-voz das verdades factuais. (2005, p. 117-8, grifos da autora)<sup>17</sup></font></p></blockquote>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora  a m&iacute;dia tenha a pretens&atilde;o de atuar a favor da democracia, n&atilde;o  podemos esquecer que ela apresenta uma finalidade d&uacute;bia. Segundo Charaudeau,  essa ambiguidade decorre do fato de ser um <i>organismo especializado</i> o qual  atua sob duas l&oacute;gicas: uma <i>democr&aacute;tico-cidad&atilde;</i>, que  torna p&uacute;blicas as informa&ccedil;&otilde;es de interesse geral, participando  assim da constru&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, e outra <i>comercial</i>,  que capta o p&uacute;blico com um produto economicamente rent&aacute;vel, que  &eacute; a not&iacute;cia<sup>3</sup>. Uma mercadoria especial que responde aos  apelos e demandas mercadol&oacute;gicas<sup>18</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Uma  leitura dos discursos sobre a dengue</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste  artigo, fizemos a an&aacute;lise com aux&iacute;lio do <i>diagrama midial&oacute;gico  da dengue</i>, proposto por n&oacute;s e inspirado na l&oacute;gica de acompanhamento  da sa&uacute;de p&uacute;blica. De concep&ccedil;&atilde;o simples e diferente  do diagrama de controle (usado para acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o da dengue),  o nosso gr&aacute;fico traz os textos jornal&iacute;sticos e os casos notificados.  A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; visualizar a sazonalidade na abordagem &agrave;  dengue como pr&aacute;tica midi&aacute;tica, observando se a maior "incid&ecirc;ncia"  de not&iacute;cias se deu na mesma &eacute;poca em que os registros de casos aumentaram  ou se ocorreu de maneira diversa (<a href="#g2">Gr&aacute;fico 2</a>).</font></p>    <p><a name="g2"></a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/06g2.jpg" usemap="#Map3" border="0">  <map name="Map3"> <area shape="rect" coords="227,356,310,372" href="http://www.jc.com.br" target="_blank">  </map> </p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pela  grande diferen&ccedil;a num&eacute;rica entre casos e mat&eacute;rias, inserimos  uma escala no lado direito, em que se v&ecirc; o n&uacute;mero de mat&eacute;rias  (em preto), variando de 0 a 60, e outra no lado esquerdo, na qual est&atilde;o  os registros de dengue (em cinza), que v&atilde;o de 0 a 45.000. Apesar de as  colunas pretas estarem bem pr&oacute;ximas, &agrave;s vezes at&eacute; acima,  da &aacute;rea pintada de cinza, h&aacute; uma grande diferen&ccedil;a quantitativa  entre as duas vari&aacute;veis. Da&iacute; a necessidade de se observar os n&uacute;meros  nos dois lados. A op&ccedil;&atilde;o pela dupla escala foi feita para reunir  as duas vari&aacute;veis em um s&oacute; gr&aacute;fico de forma a ter uma vis&atilde;o  global intuitiva e imediata da liga&ccedil;&atilde;o entre esses dois grupos,  evitando assim uma distor&ccedil;&atilde;o que ocorreria se houvesse apenas uma  escala.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  termos de cobertura, verificamos que a imprensa costuma acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o  da dengue, publicando mais textos no primeiro semestre dos anos estudados do que  no segundo. Essa tend&ecirc;ncia tamb&eacute;m ocorre com a distribui&ccedil;&atilde;o  mensal de casos de dengue em Pernambuco. Historicamente, os registros s&atilde;o  mais numerosos nos seis primeiros meses do ano, devido a uma correla&ccedil;&atilde;o  entre mudan&ccedil;as na temperatura e ocorr&ecirc;ncia de chuvas. Aliado a isso,  o Estado ainda enfrenta, h&aacute; d&eacute;cadas, a intermit&ecirc;ncia no abastecimento,  obrigando a popula&ccedil;&atilde;o a armazenar &aacute;gua muitas vezes de forma  inadequada, favorecendo nas esta&ccedil;&otilde;es secas a prolifera&ccedil;&atilde;o  do mosquito vetor<sup>19</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pela  leitura do <i>diagrama midial&oacute;gico</i>, identificamos dois momentos em  que a curva de mat&eacute;rias acompanhou a de notifica&ccedil;&otilde;es, algo  que j&aacute; era esperado, uma vez que agenda p&uacute;blica influencia a m&iacute;dia,  a exemplo da ocorr&ecirc;ncia de epidemias e calamidades. Esses dois momentos  a que nos referimos coincidiram com os per&iacute;odos epid&ecirc;micos de maior  magnitude nos anos 2000. O primeiro deles ocorreu no in&iacute;cio de 2002, com  a epidemia explosiva. Foram publicados 144 textos no Jornal do Commercio, dos  quais 119 no primeiro semestre (82,6% do total), sobretudo nos meses de fevereiro  e mar&ccedil;o (94 textos). Comparando com as notifica&ccedil;&otilde;es, o notici&aacute;rio  teve uma influ&ecirc;ncia direta do aumento de registros. Pelos dados, foram notificados  116.148 casos, sendo 111.729 no primeiro semestre de 2002 (95,7% do total). O  <a href="#q1">Quadro 1</a> traz as manchetes daquele per&iacute;odo, influenciadas  pela evolu&ccedil;&atilde;o da dengue no in&iacute;cio da epidemia.</font></p>    <p><a name="q1"></a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/06q1.jpg" usemap="#Map" border="0">  <map name="Map"> <area shape="rect" coords="198,586,273,604" href="http://www.jc.com.br" target="_blank">  </map> </p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Verificamos  que contextos de epidemia ou de risco de epidemia levaram o JC a publicar mat&eacute;rias  numa quantidade bem superior aos per&iacute;odos sob controle. O aumento de casos  e as mortes por dengue possuem um apelo jornal&iacute;stico forte, impondo uma  cobertura permanente do desenrolar dos acontecimentos, devido &agrave; amea&ccedil;a  provocada pela doen&ccedil;a. Discursivamente, vimos que o notici&aacute;rio refor&ccedil;ou  o enfoque dado ao <i>dizer notificador</i>. Nas manchetes, o verbo <i>confirmar</i>  - que significa "afirmar a verdade ou a exatid&atilde;o", "validar", "comprovar"<sup>20</sup>  - foi bastante utilizado como estrat&eacute;gia enunciativa do jornal. Al&eacute;m  de <i>confirmar</i>, o verbo <i>atingir</i> apareceu nos t&iacute;tulos das mat&eacute;rias,  exprimindo o sentido de "chegar at&eacute;" e "alcan&ccedil;ar". Amparado nos  n&uacute;meros fornecidos pela sa&uacute;de p&uacute;blica, o jornal mediatizou  os registros de casos e conferiu sentido &agrave; doen&ccedil;a <i>atingindo</i>  os corpos e <i>confirmando</i>, pouco a pouco, um quadro de poss&iacute;vel descontrole.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ainda  nessa fase da cobertura, observamos o uso dos termos "dengue hemorr&aacute;gica",  "sa&uacute;de" e, sobretudo, "epidemia" nas estrat&eacute;gias de titula&ccedil;&atilde;o  das mat&eacute;rias. Todos eles, especialmente este &uacute;ltimo, tornaram-se  significantes para produ&ccedil;&atilde;o de sentidos. Fausto Neto (1999, p. 62)<sup>21</sup>  afirma que o uso de termos espec&iacute;ficos como esses na edi&ccedil;&atilde;o  dos t&iacute;tulos do jornal cria uma subagenda sobre a tem&aacute;tica em quest&atilde;o  dentro da agenda cotidiana definida pelo ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o.  "Atrav&eacute;s dele, o jornal anuncia uma esp&eacute;cie de 'encontro marcado'  com o leitor". Assim, a <i>epidemia</i> ocupou um espa&ccedil;o privilegiado e  vis&iacute;vel ao p&uacute;blico no Jornal do Commercio, conferindo sentido &agrave;s  manchetes.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  segundo momento em que a curva de mat&eacute;rias acompanhou a de notifica&ccedil;&otilde;es  ocorreu no fim do primeiro trimestre de 2008, quando houve um aumento importante  de casos, levando a imprensa a intensificar a cobertura (<a href="#g2">Gr&aacute;fico  2</a>). Sa&iacute;ram 106 textos sobre a doen&ccedil;a, das quais 99 nos primeiros  sete meses do ano (93,3%), com destaque para abril, maio e junho (88 textos),  per&iacute;odo em que o n&uacute;mero de registros tamb&eacute;m cresceu.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pelas  manchetes selecionadas &eacute; poss&iacute;vel identificar o sentido negativo  dado &agrave; dengue. A nosso ver, as no&ccedil;&otilde;es de medo e mal est&atilde;o  intimamente ligadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de sentidos das doen&ccedil;as  infecciosas, transmitidas por um agente biol&oacute;gico (no caso da dengue, um  v&iacute;rus). Nessas enfermidades transmiss&iacute;veis, a materializa&ccedil;&atilde;o  da doen&ccedil;a no contexto da coletividade exp&otilde;e a no&ccedil;&atilde;o  do "mal" se alastrando no territ&oacute;rio e espalhando o medo entre as pessoas.  Apesar de n&atilde;o ter a marca de outras enfermidades, como a hansen&iacute;ase  (a antiga lepra), a AIDS e o c&acirc;ncer, que marcaram a mem&oacute;ria pelas  mudan&ccedil;as vis&iacute;veis no corpo, a dengue traz consigo o risco potencial  de morte, sobretudo pelo maior desenvolvimento da forma hemorr&aacute;gica. Entender  essa amea&ccedil;a &eacute; fundamental para entender o estado de alerta da m&iacute;dia  diante do aumento de casos e suspeitas de &oacute;bitos.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos  quatro anos pesquisados, observamos tamb&eacute;m que as iniciativas do poder  p&uacute;blico para controlar a dengue tiveram espa&ccedil;o privilegiado no jornal,  sobretudo com a constata&ccedil;&atilde;o do aumento de casos e o registro das  primeiras mortes. Dos 291 textos produzidos pelo JC em 2002, 2004, 2006 e 2008,  as mat&eacute;rias sobre mutir&otilde;es de combate e an&uacute;ncios de novas  medidas somaram 27,5% do total. Assim, o <i>Aedes aegypti</i> se converteu no  grande "vil&atilde;o", o qual era necess&aacute;rio combater, eliminando seus  criadouros. O <a href="#q2">quadro 2</a> re&uacute;ne trechos de mat&eacute;rias  refor&ccedil;ando esse combate.</font></p>    <p><a name="q2"></a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/06q2.jpg" usemap="#Map2" border="0">  <map name="Map2"> <area shape="rect" coords="198,499,270,574" href="http://www.jc.com.br" target="_blank">  </map> </p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  Brasil, o uso de met&aacute;foras b&eacute;licas nos remete &agrave;s primeiras  campanhas de vacina&ccedil;&atilde;o, a exemplo da estrat&eacute;gia empreendida  por Oswaldo Cruz no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX para conter a epidemia de  var&iacute;ola<sup>12</sup>. Os conceitos de conten&ccedil;&atilde;o e vigil&acirc;ncia,  de inspira&ccedil;&atilde;o militar, surgiram depois da Primeira Guerra, sendo  utilizados pela sa&uacute;de p&uacute;blica, que adotou a vis&atilde;o do "inimigo"  para combater os problemas sanit&aacute;rios da &eacute;poca. Posteriormente,  esses termos foram assimilados pela imprensa na constru&ccedil;&atilde;o do seu  discurso ao tratar de doen&ccedil;as, segundo Gomes (2000, p. 190, grifos da autora)<sup>22</sup>:</font></p>    <blockquote>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#91;...&#93; nas  mat&eacute;rias que envolvem o desenvolvimento de drogas contra doen&ccedil;as,  as pesquisas tamb&eacute;m s&atilde;o tratadas como uma guerra, com o uso de express&otilde;es  como <i>desafio</i>, <i>estrat&eacute;gia</i>, <i>ataque, alvo</i> e <i>comandado</i>.  Por pertencerem a um outro contexto, tais express&otilde;es funcionam como recursos  precisos no sentido de ressemantizar o que &eacute; enunciado.</font></p></blockquote>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  nosso ver, o discurso de guerra presente nos enunciados jornal&iacute;sticos sobre  a dengue refor&ccedil;a a ideia de uma doen&ccedil;a dif&iacute;cil de ser controlada,  demandando a ado&ccedil;&atilde;o de verdadeiras "t&aacute;ticas" para conter  a sua expans&atilde;o. Esse tipo de discurso foi observado nos trechos destacados  atrav&eacute;s do uso de termos b&eacute;licos, tais como <i>refor&ccedil;ar o  combate</i>, <i>ex&eacute;rcito de combate</i>, <i>combate &agrave; dengue</i>,  <i>armas</i>, <i>ocupar palmo a palmo o territ&oacute;rio da cidade</i>, <i>luta  contra a dengue</i>, <i>visitar</i>, <i>identificar</i> e <i>destruir</i>. Discursivamente,  esse fen&ocirc;meno caracteriza o papel da mem&oacute;ria discursiva na produ&ccedil;&atilde;o  de significados, a partir do momento em que a m&iacute;dia retoma n&atilde;o apenas  sentidos do passado das doen&ccedil;as, como tamb&eacute;m sentidos comuns ao  campo militar para consolidar o arcabou&ccedil;o de informa&ccedil;&otilde;es  e valores que permeiam a dengue.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es  finais</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Possivelmente  nenhuma outra doen&ccedil;a infecciosa tenha tido tanto espa&ccedil;o nos &uacute;ltimos  anos no notici&aacute;rio quanto a dengue, devido &agrave; ocorr&ecirc;ncia c&iacute;clica  de epidemias e o risco de morte pela forma hemorr&aacute;gica, que representa  uma amea&ccedil;a cada vez maior. A dengue encontra sempre lugar cativo na imprensa,  tornando a experi&ecirc;ncia da doen&ccedil;a mais comum para a popula&ccedil;&atilde;o  pela ampla divulga&ccedil;&atilde;o do assunto.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pela  an&aacute;lise empreendida neste artigo, constatamos que a epidemia costuma ser  priorizada pela imprevisibilidade, novidade, peso social, proximidade geogr&aacute;fica,  impacto sobre o p&uacute;blico e perspectivas de evolu&ccedil;&atilde;o do acontecimento,  praticamente todos os crit&eacute;rios que norteiam a noticiabilidade de um fato.  Al&eacute;m disso, a no&ccedil;&atilde;o de epidemia resgata discursivamente a  mem&oacute;ria de antigas pestes na constitui&ccedil;&atilde;o de sentidos, trazendo  &agrave; tona nas mat&eacute;rias no&ccedil;&otilde;es como medo, mal, morte e  risco, ligadas &agrave;s mol&eacute;stias que fizeram hist&oacute;ria no passado<sup>11</sup>.  A partir da ideia de proximidade do perigo, provocada a cada nova epidemia, a  imprensa valoriza assim o <i>descontrole</i> como forma de conferir significado  &agrave; dengue. Talvez por isso mesmo, o uso de met&aacute;foras b&eacute;licas  - bastante comuns tanto na fala dos gestores da sa&uacute;de quanto no pr&oacute;prio  discurso midi&aacute;tico - &eacute; uma forma de corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o  da sociedade, que &eacute; chamada a fazer parte do "ex&eacute;rcito" nas "batalhas"  contra a dengue.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A&ccedil;&otilde;es  pautadas pela corresponsabilidade entre governo e popula&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m  sendo, ali&aacute;s, enfatizadas cada vez mais como forma de garantir sucesso  no combate &agrave; dengue. Apesar de a mobiliza&ccedil;&atilde;o social fortalecer  a cidadania e a consci&ecirc;ncia sanit&aacute;ria e promover a configura&ccedil;&atilde;o  de um ambiente saud&aacute;vel<sup>23</sup>, os discursos midi&aacute;ticos t&ecirc;m  levado, nos &uacute;ltimos anos, &agrave; culpabiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade  de um modo geral, como se ela fosse a respons&aacute;vel pela situa&ccedil;&atilde;o  da dengue. Diante da inviabilidade de erradica&ccedil;&atilde;o do mosquito <i>Aedes  aegypti</i>, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) definiu,  desde 1995, a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade envolvida e de todos os  setores da sociedade como um dos elementos b&aacute;sicos para prevenir e controlar  a dengue, segundo Guzm&aacute;n e Kour&iacute;<sup>24</sup>. Ao avaliar o tratamento  dado pela imprensa &agrave; dengue, acreditamos ser importante promover uma discuss&atilde;o  sobre o assunto, lan&ccedil;ando luzes no repensar as estrat&eacute;gias de controle  e preven&ccedil;&atilde;o da dengue tamb&eacute;m no &acirc;mbito da comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  elabora&ccedil;&atilde;o do <i>diagrama midial&oacute;gico</i> como instrumento  auxiliar de an&aacute;lise do notici&aacute;rio nos ajudou a visualizar os momentos  de superexposi&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, bem como os per&iacute;odos  de "sil&ecirc;ncio", reconhecendo que a dengue &eacute; uma doen&ccedil;a sazonal  n&atilde;o apenas do ponto de vista epidemiol&oacute;gico, como tamb&eacute;m  midi&aacute;tico. Esse fen&ocirc;meno poderia ser explicado pela teoria do agendamento,  que, segundo Pena (2006, p. 142), "defende a ideia de que os consumidores de not&iacute;cias  tendem a considerar mais importantes os assuntos que s&atilde;o veiculados na  imprensa, sugerindo que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o agendam nossas conversas"<sup>25</sup>.  A &ecirc;nfase dada &agrave; dengue na cobertura mostra tamb&eacute;m a tend&ecirc;ncia  da imprensa de valorizar determinadas mol&eacute;stias em detrimentos de outras,  como a hansen&iacute;ase e a tuberculose, consideradas doen&ccedil;as negligenciadas  pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e que representam entrave ao desenvolvimento  de um pa&iacute;s<sup>26</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  nossa opini&atilde;o, a an&aacute;lise dos dados nos d&aacute; indica&ccedil;&otilde;es  de como a m&iacute;dia pode ser sensibilizada quanto &agrave; import&acirc;ncia  de se falar sobre a dengue em per&iacute;odos diferenciados do ano. Mais que cumprir  com o seu papel de divulgar informa&ccedil;&otilde;es completas e de forma transparente,  os &oacute;rg&atilde;os governamentais podem e devem incentivar a ado&ccedil;&atilde;o  de h&aacute;bitos saud&aacute;veis na imprensa, estimulando um conhecimento mais  amplo dos jornalistas sobre o campo da sa&uacute;de.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por  outro lado, os pr&oacute;prios meios de comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m  podem e devem reavaliar a sua cobertura, buscando abordar outras quest&otilde;es  que permeiam o assunto dengue, mas que s&atilde;o pouco exploradas nas reportagens.  Dentre eles podemos destacar o saneamento b&aacute;sico e o racionamento d'&aacute;gua  (que favorecem a prolifera&ccedil;&atilde;o do mosquito <i>Aedes aegypti</i>).  Al&eacute;m disso, a import&acirc;ncia da preven&ccedil;&atilde;o poderia ser  enfocada nos momentos em que ainda &eacute; poss&iacute;vel eliminar os criadouros,  e n&atilde;o apenas nos per&iacute;odos epid&ecirc;micos, quando as a&ccedil;&otilde;es  de combate e o discurso de guerra propalado pela m&iacute;dia buscam apenas <i>garantir  dom&iacute;nio ao desequil&iacute;brio</i>, n&atilde;o auxiliando na altera&ccedil;&atilde;o  do curso da doen&ccedil;a.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por  fim, consideramos que a &ecirc;nfase dada &agrave; dengue no notici&aacute;rio  indica caminhos para avalia&ccedil;&atilde;o do comportamento da m&iacute;dia  em rela&ccedil;&atilde;o a outras mol&eacute;stias que tamb&eacute;m representam  risco &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira, como a leptospirose, a hansen&iacute;ase,  a tuberculose, a AIDS e a pr&oacute;pria gripe A (H1N1), a fim de verificar o  peso que o campo jornal&iacute;stico confere &agrave;s diferentes enfermidades.</font></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1.  Cordeiro M et al. <i>Vinte anos de evolu&ccedil;&atilde;o da dengue no Estado  de Pernambuco</i>. Recife: Ed. da UFPE; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969258&pid=S1415-790X201200010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2.  Rouquayrol MZ, Almeida Filho N. <i>Epidemiologia e sa&uacute;de</i>. 6ª ed. Rio  de Janeiro: MEDSI; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969260&pid=S1415-790X201200010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3.  Charaudeau P. <i>O discurso das m&iacute;dias</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto;  2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969262&pid=S1415-790X201200010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4.  Dados relativos ao m&ecirc;s de maio de 2009 fornecidos pelo Instituto Verificador  de Circula&ccedil;&atilde;o. Dispon&iacute;vel em www.ivc.org.br. &#91;Acessado  em 10 de novembro de 2009&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969264&pid=S1415-790X201200010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5.  Silva LJ, Angerami RN. <i>Viroses emergentes no Brasil</i>. Rio de Janeiro: Fiocruz;  2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969266&pid=S1415-790X201200010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6.  Foucault M. <i>O nascimento da cl&iacute;nica</i>. 6ª ed. Rio de Janeiro: Forense;  2006&#91;1963&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969268&pid=S1415-790X201200010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7.  Barata RCB. Sa&uacute;de e direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. <i>Cad Sa&uacute;de  P&uacute;blica</i> 1990; 6(4): 385-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969270&pid=S1415-790X201200010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8.  Orlandi EP. <i>An&aacute;lise do discurso: princ&iacute;pios e procedimentos</i>.  7ª ed. Campinas, SP: Pontes; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969272&pid=S1415-790X201200010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9.  P&ecirc;cheux M. <i>O discurso: estrutura ou acontecimento</i>. 5ª ed. Campinas,  SP: Pontes; 2008&#91;1983&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969274&pid=S1415-790X201200010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10.  Charaudeau P, Maingueneau D. <i>Dicion&aacute;rio de An&aacute;lise do Discurso</i>.  2ª ed., S&atilde;o Paulo: Contexto; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969276&pid=S1415-790X201200010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11.  Ferraz LMR. <i>Epidemia e mem&oacute;ria: narrativas jornal&iacute;sticas na constru&ccedil;&atilde;o  discursiva sobre a dengue</i> &#91;disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado&#93;.  Recife: Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o,  2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969278&pid=S1415-790X201200010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12.  Ujvari SC. <i>A hist&oacute;ria e suas epidemias: a conviv&ecirc;ncia do homem  com os microorganismos</i>. Rio de Janeiro: SENAC; S&atilde;o Paulo: SENAC; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969280&pid=S1415-790X201200010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13.  Galtung J, Ruge MH. The structure of foreign news. <i>Journal of Peace Research.</i>  1965; 1: 64-90 // Sodr&eacute; M. <i>A narra&ccedil;&atilde;o do fato: notas para  uma teoria do acontecimento</i>. Petr&oacute;polis: Vozes; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969282&pid=S1415-790X201200010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14.  McCombs ME, Shaw DL. A fun&ccedil;&atilde;o do agendamento dos media, 1972. In:  Traquina N. <i>O poder do jornalismo: an&aacute;lise e textos da teoria do agendamento.</i>  Coimbra: Minerva; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969284&pid=S1415-790X201200010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15.  Barros Filho C de. <i>&Eacute;tica na Comunica&ccedil;&atilde;o: da informa&ccedil;&atilde;o  ao receptor</i>. S&atilde;o Paulo: Moderna; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969286&pid=S1415-790X201200010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">16.  Traquina N. <i>O poder do jornalismo: an&aacute;lise e textos da teoria do agendamento</i>.  Coimbra: Minerva; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969288&pid=S1415-790X201200010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17.  Ribeiro APG. A m&iacute;dia e o lugar da hist&oacute;ria. In: Herschamann M, Pereira  CA (org.). <i>M&iacute;dia, mem&oacute;ria e celebridades.</i> 2ª ed. Rio de Janeiro:  E-Papers; 2005. p. 105-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969290&pid=S1415-790X201200010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18.  Marcondes Filho C. <i>O capital da not&iacute;cia: jornalismo como produ&ccedil;&atilde;o  social da segunda natureza.</i> S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica; 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969292&pid=S1415-790X201200010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19.  Donalisio MR. <i>O dengue no espa&ccedil;o habitado</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec:  Funcraf; 1999 // Cordeiro MT, Freese E, Schatzmayr H, Nogueira MR. <i>Vinte anos  de evolu&ccedil;&atilde;o da dengue no Estado de Pernambuco</i>. Recife: Ed. Universit&aacute;ria  da UFPE; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969294&pid=S1415-790X201200010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20.  Houaiss A. <i>Dicion&aacute;rio Houaiss da L&iacute;ngua Portuguesa</i>. Rio de  Janeiro: Objetiva; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969296&pid=S1415-790X201200010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21.  Fausto Neto A. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e m&iacute;dia impressa: estudo sobre  a Aids</i>. S&atilde;o Paulo: Hacker; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969298&pid=S1415-790X201200010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22.  Gomes IMAM. <i>A Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica em Ci&ecirc;ncia Hoje:  caracter&iacute;sticas discursivo-textuais. 2002</i> &#91;tese de doutorado&#93;.  Recife: Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Letras; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969300&pid=S1415-790X201200010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">23.  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>A&ccedil;&otilde;es integradas de educa&ccedil;&atilde;o,  comunica&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o social no controle de doen&ccedil;as  preven&iacute;veis</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dengue.lcc.ufmg.br/dengue_cd/files/ministerio/materiais/encontro_nacional/apresentacaodagepdengue01.pdf" target="_blank">http://www.dengue.lcc.ufmg.br/dengue_cd/  files/ministerio/materiais/encontro_nacional/apresentacaodagepdengue01.pdf</a>  &#91;Acessado em 29 de janeiro de 2011&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969302&pid=S1415-790X201200010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">24.  Guzm&aacute;n MG, Kour&iacute; GG y G. El dengue y el dengue hemorr&aacute;gico:  prioridades de investigaci&oacute;n. <i>Rev Panam Salud P&uacute;blica</i> 2006;  19(3); 204-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969304&pid=S1415-790X201200010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">25.  Pena F. <i>Teoria do jornalismo</i>. 2ª ed. S&atilde;o Paulo: Contexto; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969306&pid=S1415-790X201200010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">26.  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Doen&ccedil;as negligenciadas: estrat&eacute;gias  do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica.</i>  2010, v. 44, n. 1, p. 200-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1969308&pid=S1415-790X201200010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/seta.jpg" border="0"></a>  <b> Correspond&ecirc;ncia:    <br> </b> Luiz Marcelo Robalinho Ferraz    <br> Rua Maria  Ramos, 1153/02, Bairro Novo    <br> Olinda, PE CEP 53030-050    <br> E-mail: <a href="mailto:marcelorobalinho@yahoo.com.br">marcelorobalinho@yahoo.com.br</a>  </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido  em: 16/08/10    <br> Vers&atilde;o final apresentada em: 20/02/11    <br> Aprovado em:  01/05/11</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">*  Este artigo &eacute; derivado da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado de Ferraz  (2010), financiada pela bolsa de estudos do Programa Reuni de Assist&ecirc;ncia  ao Ensino-UFPE.    <br> Agradecimentos ao estat&iacute;stico franc&ecirc;s Olivier  Georger pela ajuda na confec&ccedil;&atilde;o do diagrama midial&oacute;gico.  </font></p>      ]]></body><back>
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