<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1415-790X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Brasileira de Epidemiologia]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. bras. epidemiol.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1415-790X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva ]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1415-790X2012000100011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S1415-790X2012000100011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prevalência e características de mulheres com aborto provocado - Favela México 70, São Vicente - São Paulo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prevalence and characteristics of women with induced abortion - Favela México 70, São Vicente - São Paulo]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Tássia Ferreira]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Andreoni]]></surname>
<given-names><![CDATA[Solange]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rebeca de Souza e]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal de São Paulo Escola Paulista de Medicina Departamento de Medicina Preventiva]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>15</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>123</fpage>
<lpage>133</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-790X2012000100011&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1415-790X2012000100011&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1415-790X2012000100011&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[No Brasil, o aborto está entre as principais causas de mortalidade materna. Pesquisas mostram que o aborto é praticado clandestinamente por mulheres de todas as classes sociais; no entanto, tem consequências desiguais, dependendo da inserção social, produzindo riscos à vida de mulheres pobres. Embora o tema venha sendo amplamente explorado nos últimos 20 anos, observou-se escassez de dados sobre mulheres de baixa renda. Desta forma, o presente estudo tem por objetivo estimar a prevalência de mulheres com aborto provocado. Arrolaram-se mulheres por inquérito domiciliar de base populacional em setores de baixa renda de São Vicente, São Paulo. Eram elegíveis as mulheres em idade fértil de 15 a 49 anos. A avaliação das razões de prevalência de mulheres com aborto provocado foi realizada por meio de modelos lineares generalizados, usando-se a regressão de Poisson com função de ligação logarítmica e variância robusta para aproximar a binomial. As variáveis que demonstraram ter maior influência no relato de aborto foram: "aceitar sempre esta prática" (IC95% 2,98 - 11,02), seguida de "não ter filho nascido vivo" (IC95% 1,35 - 19,78), ter de "dois a cinco nascidos vivos" (IC95% 1,42 - 14,40) e ter de "seis ou mais nascidos vivos" (IC 95% 1,35 - 19,78), "idade no momento da entrevista" (IC 95% 1,01 - 1,07) e "renda" < R$ 484,97 (IC 95% 1,04 - 2,96). É necessário campanha de grande abrangência sobre a prática do aborto, que consiga sensibilizar para esta causa todas as mulheres, sobretudo as de baixa renda, evitando assim mortes desnecessárias.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In Brazil, abortion is among the leading causes of maternal mortality. Research has shown that abortion is practiced clandestinely by women of all social classes, but has unequal consequences depending on social inclusion, producing risks to poor women. Although the issue has been widely explored in the past 20 years, there is a lack of data about low-income women. Thus, the present study aims to estimate the prevalence of women with induced abortion. Women from a population-based household survey in low-income sectors of São Vicente, São Paulo were recruited. Women of childbearing age from 15 to 49 years were eligible. The evaluation of the prevalence ratios for women with induced abortion was performed by using generalized linear models, with Poisson log-link function and robust variance to approximate the binomial. The most frequent variables that influenced reporting of abortion were: "always accept this practice" (95% CI 2.98 - 11.02), followed by "not having a child born alive" (95% CI 1.35 - 19.78), having "two to five live births" (95% CI 1.42 - 14.40 ), "having 'six or more live births" (95% CI 1.35 - 19.78), "age at interview" (95% CI 1.01 - 1.07) and "income" < R$ 484.97' (95% CI 1.04 - 2.96). A widespread campaign about the practice of abortion, which can raise awareness among women in favor of the cause, especially among those in low-income strata is necessary to prevent unnecessary deaths.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Aborto provocado]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Aborto inseguro]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Epidemiologia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Regressão de Poisson]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Saúde reprodutiva]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pobreza]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Induced abortion]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Unsafe abortion]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Epidemiology]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Poisson Regression]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Reproductive health]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Poverty]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS  ORIGINAIS</b></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Preval&ecirc;ncia  e caracter&iacute;sticas de mulheres com aborto provocado - Favela M&eacute;xico  70, S&atilde;o Vicente - S&atilde;o Paulo</b> </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>T&aacute;ssia  Ferreira Santos; Solange Andreoni; Rebeca de Souza e Silva</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Departamento  de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal  de S&atilde;o Paulo - UNIFESP</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p><hr size="1" noshade>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  Brasil, o aborto est&aacute; entre as principais causas de mortalidade materna.  Pesquisas mostram que o aborto &eacute; praticado clandestinamente por mulheres  de todas as classes sociais; no entanto, tem consequ&ecirc;ncias desiguais, dependendo  da inser&ccedil;&atilde;o social, produzindo riscos &agrave; vida de mulheres  pobres. Embora o tema venha sendo amplamente explorado nos &uacute;ltimos 20 anos,  observou-se escassez de dados sobre mulheres de baixa renda. Desta forma, o presente  estudo tem por objetivo estimar a preval&ecirc;ncia de mulheres com aborto provocado.  Arrolaram-se mulheres por inqu&eacute;rito domiciliar de base populacional em  setores de baixa renda de S&atilde;o Vicente, S&atilde;o Paulo. Eram eleg&iacute;veis  as mulheres em idade f&eacute;rtil de 15 a 49 anos. A avalia&ccedil;&atilde;o  das raz&otilde;es de preval&ecirc;ncia de mulheres com aborto provocado foi realizada  por meio de modelos lineares generalizados, usando-se a regress&atilde;o de Poisson  com fun&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o logar&iacute;tmica e vari&acirc;ncia  robusta para aproximar a binomial. As vari&aacute;veis que demonstraram ter maior  influ&ecirc;ncia no relato de aborto foram: "aceitar sempre esta pr&aacute;tica"  (IC95% 2,98 - 11,02), seguida de "n&atilde;o ter filho nascido vivo" (IC95% 1,35&nbsp;-  19,78), ter de "dois a cinco nascidos vivos" (IC95% 1,42 - 14,40) e ter de "seis  ou mais nascidos vivos" (IC 95% 1,35 - 19,78), "idade no momento da entrevista"  (IC 95% 1,01&nbsp;- 1,07) e "renda" <u>&lt;</u> R$ 484,97 (IC 95% 1,04&nbsp;-  2,96). &Eacute; necess&aacute;rio campanha de grande abrang&ecirc;ncia sobre a  pr&aacute;tica do aborto, que consiga sensibilizar para esta causa todas as mulheres,  sobretudo as de baixa renda, evitando assim mortes desnecess&aacute;rias.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>  Aborto provocado. Aborto inseguro. Epidemiologia. Regress&atilde;o de Poisson.  Sa&uacute;de reprodutiva. Pobreza.</font></p><hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  cada ano, no mundo, 20 milh&otilde;es de mulheres arriscam suas vidas atrav&eacute;s  de procedimentos de aborto inseguro e 25% delas sofrem complica&ccedil;&otilde;es  graves para a sua sa&uacute;de, a ponto de cerca de 66.500 mulheres morrerem em  decorr&ecirc;ncia de um aborto provocado sem a adequada assist&ecirc;ncia m&eacute;dica<sup>1</sup>.  A legisla&ccedil;&atilde;o do aborto varia em cada pa&iacute;s. Atualmente, apenas  26% da popula&ccedil;&atilde;o mundial vivem em pa&iacute;ses onde o aborto &eacute;  proibido por lei, ou seja, na grande maioria dos pa&iacute;ses vigora uma legisla&ccedil;&atilde;o  permissiva sobre essa mat&eacute;ria.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, em seu documento publicado  este ano, destaca em suas conclus&otilde;es que o aborto inseguro e as mortes  devido a complica&ccedil;&otilde;es do aborto inseguro continuam a afligir as  vidas de muitas mulheres, a maioria em pa&iacute;ses em desenvolvimento. O aborto  inseguro &eacute; a causa de complica&ccedil;&otilde;es graves e incapacidade  para milh&otilde;es de mulheres a cada ano e &eacute; uma causa importante de  morte materna. Apesar dos esfor&ccedil;os para alcan&ccedil;ar o Objetivo de Desenvolvimento  5ª Meta do Projeto do Mil&ecirc;nio - reduzir em tr&ecirc;s quartos a taxa de  mortalidade materna entre 1990 e 2015 -, o percentual de mortes maternas por aborto  inseguro permanece inalterada em 13%. O n&uacute;mero de abortos inseguros tem  aumentado com o aumento no n&uacute;mero de mulheres em idade reprodutiva. Esta  tend&ecirc;ncia pode continuar, a menos que o acesso das mulheres ao aborto seguro  e contracep&ccedil;&atilde;o adequada seja melhorado.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  caso do Brasil, particularmente, o aborto provocado consta do c&oacute;digo penal  como crime contra a vida, sendo previstas dr&aacute;sticas puni&ccedil;&otilde;es  tanto para a mulher quanto para a pessoa que realiza a interven&ccedil;&atilde;o.  Apenas em casos de risco iminente da vida da m&atilde;e e de estupro a provoca&ccedil;&atilde;o  de um aborto &eacute; aceita legalmente<sup>2</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  decorr&ecirc;ncia disso, no Brasil, o aborto inseguro &eacute; a quarta causa  de mortalidade materna<sup>3</sup>, sendo respons&aacute;vel por 11% do total  das mortes de mulheres<sup>4</sup>. As mulheres negras t&ecirc;m um risco 3 vezes  maior de morrer por aborto inseguro do que as mulheres brancas<sup>5</sup>, provavelmente  por possu&iacute;rem acesso deficiente &agrave;s pol&iacute;ticas de planejamento  familiar para preven&ccedil;&atilde;o de uma gravidez indesejada<sup>5,7</sup>,  mas sobretudo por disporem de menos recursos para recorrerem &agrave;s cl&iacute;nicas  clandestinas e se colocarem nas m&atilde;os de curiosas ou mesmo arcarem com o  &ocirc;nus de um aborto autoprovocado.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paralelamente,  segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Sa&uacute;de (PNDS) de 2006, cerca  de 18,2% das gravidezes foram indesejadas pelas brasileiras. As mulheres mais  pobres, menos escolarizadas, negras, n&atilde;o-casadas ou n&atilde;o-unidas,  mais velhas e com parturi&ccedil;&otilde;es mais elevadas apresentaram maior preval&ecirc;ncia  de nascimentos n&atilde;o desejados<sup>6</sup>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  suma, &agrave;s mulheres mais pobres cabe uma maior ocorr&ecirc;ncia de gesta&ccedil;&otilde;es  n&atilde;o desejadas. Embora uma parcela delas opte por interromper a gravidez  a qualquer pre&ccedil;o, existem outras que acabam por assumir o nascimento de  um filho num momento inoportuno de suas vidas.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora  o tema aborto venha sendo amplamente explorado nos &uacute;ltimos 20 anos, ainda  existem poucos dados populacionais, particularmente em popula&ccedil;&atilde;o  de baixa renda. Nesse sentido, o presente estudo tem por objetivo estimar e caracterizar  a preval&ecirc;ncia de mulheres - entre 15 e 49 anos de idade - com aborto provocado  em uma Favela localizada em S&atilde;o Vicente no Estado de S&atilde;o Paulo.</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Metodologia</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este  estudo &eacute; transversal e foi baseado em dados secund&aacute;rios de uma subpopula&ccedil;&atilde;o  de mulheres participantes do Projeto "Aborto provocado, fecundidade e contracep&ccedil;&atilde;o:  imbrica&ccedil;&otilde;es com a integralidade em sa&uacute;de, rela&ccedil;&otilde;es  de g&ecirc;nero e exclus&atilde;o social - Cidade de S&atilde;o Paulo e na Favela  M&eacute;xico 70", em finais de 2008, CEP 0196/08.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  Favela M&eacute;xico 70 &eacute; localizada no extremo sudoeste da Ilha de S&atilde;o  Vicente, caracterizando-se como uma ocupa&ccedil;&atilde;o irregular de terrenos  de marinha, em uma &aacute;rea de cerca de 30 hectares de terras baixas inund&aacute;veis,  situada entre as pontes dos Barreiros e do Mar Pequeno, S&atilde;o Vicente. A  Favela no momento da coleta estava dividida em 3 &aacute;reas: pr&eacute;dios  constru&iacute;dos e administrados pela CDHU, assentamentos e &aacute;reas de  palafitas inseridas em &aacute;rea carente de infraestrutura, principalmente quanto  ao saneamento b&aacute;sico e &agrave; drenagem de esgoto. Esta favela constitui-se  em um dos maiores e mais prec&aacute;rios assentamentos localizados na Baixada  Santista, apresentando situa&ccedil;&otilde;es de deteriora&ccedil;&atilde;o ambiental  e de extrema pobreza.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  projeto original, mediante a amostragem aleat&oacute;ria<sup>8</sup> de domic&iacute;lios,  encontrou-se 1.067 mulheres, de 15 a 60 anos, dentre elas 860 na idade de interesse.  Entretanto, este artigo privilegia a an&aacute;lise de 735 com alguma gesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  sele&ccedil;&atilde;o de domic&iacute;lios foi realizada em parceria com a Companhia  de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de S&atilde;o Paulo - CDHU,  que em 2007 estimou haver 6.000 pessoas residentes na sua regi&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o  na Favela M&eacute;xico 70. Admitindo-se que cada domic&iacute;lio, incluindo-se  com&eacute;rcio e igrejas, tinha em m&eacute;dia 3 pessoas, estimou-se haver 2.200  domic&iacute;lios no local. A amostra foi constitu&iacute;da por todos os domic&iacute;lios  residenciais com n&uacute;meros pares, os &iacute;mpares constituindo a chamada  amostra reserva. Dos locais selecionados, optou-se por entrevistar as pessoas  de um domic&iacute;lio sim e um n&atilde;o, o que gerou cerca de 1.100 domic&iacute;lios  visitados. No caso de haver mais de uma mulher na idade de interesse, a que faria  anivers&aacute;rio em data mais pr&oacute;xima era selecionada para responder  ao question&aacute;rio. Foram feitas at&eacute; 3 visitas antes de a amostra ser  considerada perdida.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para  a coleta de dados, foi utilizado um question&aacute;rio produzido e pr&eacute;-codificado.  Todas as entrevistadoras eram mulheres universit&aacute;rias, por terem maior  facilidade para dialogar sobre o tema. Estas foram submetidas a treinamento sobre  o conte&uacute;do, o manejo e a aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios.  Este inclu&iacute;a: indica&ccedil;&atilde;o dos objetivos do estudo; descri&ccedil;&atilde;o  do esquema e instru&ccedil;&otilde;es de amostragem para identificar as respondentes  eleg&iacute;veis; descri&ccedil;&atilde;o detalhada do question&aacute;rio; instru&ccedil;&otilde;es  das t&eacute;cnicas de entrevista e execu&ccedil;&atilde;o da entrevista.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  instrumento foi testado mediante a realiza&ccedil;&atilde;o de um estudo piloto,  que permitiu constatar a facilidade em entender as perguntas formuladas, avaliar  a capacidade das entrevistadoras em executar a tarefa que lhes foi atribu&iacute;da  e detectar as instru&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias, que deveriam estar  contidas no manual de aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  banco de dados da subamostra do presente estudo foi estruturado no software Excel.  As an&aacute;lises estat&iacute;sticas foram realizadas no software SPSS - vers&atilde;o  17.0 para Windows. Os dados foram descritos em n&uacute;mero e percentagem para  vari&aacute;veis qualitativas, e em m&eacute;dia e desvio-padr&atilde;o para as  quantitativas.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  avalia&ccedil;&atilde;o das raz&otilde;es de preval&ecirc;ncia de mulheres com  aborto provocado foi realizada por meio de modelos lineares generalizados, usando-se  a distribui&ccedil;&atilde;o de Poisson com fun&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o  logar&iacute;tmica e vari&acirc;ncia robusta para aproximar &agrave; binomial<sup>9</sup>  em fun&ccedil;&atilde;o de cada caracter&iacute;stica, tais como: idade, atividade  remunerada, renda, escolaridade, estado civil, uso de contraceptivo, nascidos  vivos, aceita&ccedil;&atilde;o frente ao aborto (esta foi agrupada nas mulheres  que n&atilde;o aceitam em hip&oacute;tese nenhuma), aquelas que o aceitam em casos  espec&iacute;ficos (por exemplo, n&atilde;o contar com o apoio do pai da crian&ccedil;a,  presen&ccedil;a de muitos filhos, condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas desfavor&aacute;veis,  qualquer condi&ccedil;&atilde;o que impossibilite a m&atilde;e fornecer a aten&ccedil;&atilde;o  necess&aacute;ria &agrave; crian&ccedil;a, risco &agrave; vida da m&atilde;e e/ou  da crian&ccedil;a, estupro) e aquelas que o aceitam em todos os casos, a fim de  identificar quais caracter&iacute;sticas foram mais associadas ao aborto provocado.  Realizou-se an&aacute;lise m&uacute;ltipla de regress&atilde;o da raz&atilde;o  de preval&ecirc;ncia pelos fatores investigados, utilizando-se uma estrat&eacute;gia  de sele&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis do tipo <i>backward</i> e o agrupamento  de n&iacute;veis de fatores estatisticamente mais pr&oacute;ximos. Em todas as  an&aacute;lises foi adotado um n&iacute;vel de signific&acirc;ncia (</font><font size="2">&#945;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">)  de 5%, ou seja, foram considerados como significantes os resultados que apresentaram  p<i>-valor</i> igual ou inferior a 5% (<u>&lt;</u> 0,05). A for&ccedil;a de associa&ccedil;&atilde;o  entre cada uma das vari&aacute;veis explicativas e a vari&aacute;vel resposta  foi avaliada pelo c&aacute;lculo de raz&atilde;o de preval&ecirc;ncia acompanhado  do respectivo intervalo de confian&ccedil;a de 95% (IC 95%).</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ficaram  no modelo final - relacionando as que provocaram aborto com aquelas que n&atilde;o  o provocaram, as vari&aacute;veis <u>&lt;</u> a 1 sal&aacute;rio-m&iacute;nimo  (SM) (R$484,97 &agrave; &eacute;poca), nenhum filho nascido vivo (NV), dois ou  mais nascidos vivos, aceitar sempre a pr&aacute;tica do aborto e idade atual (<a href="/img/revistas/rbepid/v15n1/11t3.jpg">Tabela  3</a>) - todas aquelas que favoreciam a recorr&ecirc;ncia ao aborto, haja vista  que a raz&atilde;o de preval&ecirc;ncia superou a unidade.</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre  as 860 mulheres de 15 a 49 anos, observou-se m&eacute;dia de idade de 32,4 anos,  com DP 8,65. Destas, 735 (85%) j&aacute; haviam engravidado e apresentaram m&eacute;dia  de idade de 32,9 anos com DP 8,30. A <a href="/img/revistas/rbepid/v15n1/11t1.jpg">Tabela  1</a> expressa a preval&ecirc;ncia de mulheres que engravidaram segundo caracter&iacute;sticas  socioecon&ocirc;micas.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  menores preval&ecirc;ncias de mulheres que tiveram hist&oacute;rico de gesta&ccedil;&atilde;o  foram observadas na faixa et&aacute;ria de 15 a 20 anos de idade (53,5%), com  renda superior a um SM (83,3%), com escolaridade alta (74,5%), solteiras (55,5%),  n&atilde;o usu&aacute;rias de m&eacute;todo contraceptivo eficaz (74,2%) e n&atilde;o  favor&aacute;veis &agrave; pr&aacute;tica do aborto (81,6%).</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  <a href="/img/revistas/rbepid/v15n1/11t2.jpg">Tabela 2</a> exp&otilde;e a distribui&ccedil;&atilde;o  das mulheres que engravidaram segundo a presen&ccedil;a e a aus&ecirc;ncia de  aborto provocado (AP). A idade no momento da entrevista foi apresentada nesta  tabela como cont&iacute;nua e, em seguida, em categorias de idade.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre  as mulheres que engravidaram 6,9% provocaram aborto. As maiores frequ&ecirc;ncias  de AP foram verificadas em mulheres na faixa et&aacute;ria de 40 a 45 anos de  idade (12,9%), com renda igual ou inferior a um SM (9%), com baixa escolaridade  at&eacute; o prim&aacute;rio completo (11,4%), que aceitam sempre a pr&aacute;tica  do aborto (34,8%), e com respeito &agrave; vari&aacute;vel nascido vivo observou-se  risco elevado entre mulheres sem filhos e com 6 ou mais filhos nascidos vivos.  As vari&aacute;veis atividade remunerada, estado civil e uso de contraceptivo  n&atilde;o apresentaram signific&acirc;ncia estat&iacute;stica.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os  resultados do modelo final de an&aacute;lise de regress&atilde;o para aborto provocado  est&atilde;o apresentados na <a href="/img/revistas/rbepid/v15n1/11t3.jpg">Tabela  3</a>.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observa-se  que a vari&aacute;vel que demonstrou maior influ&ecirc;ncia na pr&aacute;tica  do aborto foi "aceita sempre aborto" (p <u>&lt;</u> 0,0001, IC95% 2,98 - 11,02),  seguida de "nenhum nascido vivo" (p = 0,0002, IC95% 3,23 - 46,19), "dois a cinco  nascidos vivos" (p = 0,0108, IC95% 1,42 - 14,40), "seis ou mais nascidos vivos"  (p&nbsp;= 0,0162, IC95% 1,35 - 19,78), "idade atual" (p = 0,0216, IC95% 1,01 -  1,07) e "renda" <u>&lt;</u>&nbsp;R$&nbsp;484,97 (p = 0,0345, IC95% 1,04 - 2,96).</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  presente estudo revela as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas das  mulheres com hist&oacute;rico de gesta&ccedil;&atilde;o, enfatizando as que provocaram  aborto, e por fim o modelo de regress&atilde;o que exp&otilde;e as principais  vari&aacute;veis que, em conjunto, explicam o processo de abortamento provocado.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  faixa et&aacute;ria com maior preval&ecirc;ncia de mulheres que engravidaram foi  a de 30 a 35 anos de idade (91,4%), sendo que mais da metade das mulheres de 15  a 20 anos j&aacute; apresentava algum hist&oacute;rico de gesta&ccedil;&atilde;o  (53,5%).</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os  resultados da Pesquisa Nacional de Demografia e Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a  e da Mulher-PNDS<sup>6</sup> referente &agrave;s caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas  das mulheres em todo o Brasil, mostram que a estrutura de idade das mulheres brasileiras  em idade reprodutiva pode ser entendida como a de uma popula&ccedil;&atilde;o  relativamente jovem, com o grupo de menores de 30 anos representando cerca de  50% do total. Ao estimar a m&eacute;dia de idade das mulheres entrevistadas segundo  a macrorregi&atilde;o de resid&ecirc;ncia, as mulheres residentes no Sul, Sudeste  e Centro-Oeste apresentaram m&eacute;dia de idade superior a 31 anos, bem semelhante  &agrave; do presente estudo, sendo a faixa et&aacute;ria de 25 a 30 anos a que  apresentou o maior percentual de mulheres que engravidaram, perfazendo 22,4%.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto  &agrave; renda m&eacute;dia, o presente trabalho demonstrou que esta foi igual  ou inferior a 1 SM da &eacute;poca para 88,7% das mulheres que engravidaram e  9% para as que praticaram aborto. Estes resultados foram bem inferiores aos obtidos  pela PNDS<sup>6</sup>, onde a regi&atilde;o Sudeste apresentou renda m&eacute;dia  de 1.674,98 reais por domic&iacute;lio.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade, observou-se que tanto as mulheres  que engravidaram como as que praticaram aborto tinham como resposta mais frequente  possuir escolaridade at&eacute; o prim&aacute;rio completo (at&eacute; a quarta  s&eacute;rie do atual ensino fundamental). Estes resultados contrariam os da PNDS<sup>6</sup>,  os quais referem que 20% de mulheres brasileiras em idade reprodutiva declararam  ter completado at&eacute; a quarta s&eacute;rie do ensino fundamental, enquanto  50% superaram oito anos de estudo, ou seja, tinham no m&iacute;nimo o ensino fundamental  completo.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  caso da rela&ccedil;&atilde;o entre n&uacute;mero de gravidezes e AP, percebeu-se  que a pr&aacute;tica do aborto &eacute; alta nas mulheres que n&atilde;o tiveram  filhos nascidos vivos e volta a crescer nas que tiveram mais de 2 filhos, intensificando-se  a premissa de que o n&uacute;mero de abortos estaria diretamente relacionado ao  n&uacute;mero de gravidezes. Na Col&ocirc;mbia, Zamudio et al.<sup>10</sup> identificaram  que donas-de-casa possu&iacute;am menor experi&ecirc;ncia de aborto, e a porcentagem  de mulheres que abortavam aumentava tamb&eacute;m em fun&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero  de gravidezes. Silva e Fusco<sup>11</sup>, em estudo realizado na Favela Inajar  de Souza, em S&atilde;o Paulo, encontrou que apenas 33,3% das mulheres tiveram  seu primeiro AP na primeira gesta&ccedil;&atilde;o, enquanto 66,6% o induziram  em gesta&ccedil;&otilde;es posteriores, o que coaduna com os resultados encontrados  no presente estudo.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  mulheres residentes na Favela M&eacute;xico 70 apresentaram fecundidade alta de  2,5 filhos por mulher. Tal taxa se assemelha &agrave; encontrada por Sorrentino<sup>12</sup>  no Estado de S&atilde;o Paulo (2,5) e maior que aquela achada por Yazaki<sup>13</sup>  (1,74). Contudo, estes resultados se diferem dos da Funda&ccedil;&atilde;o Seade<sup>14</sup>,  que coloca que o perfil de fecundidade da mulher brasileira vem decrescendo ao  longo dos anos, correspondendo a 2,26 filhos em 1995 e a 2,16 filhos em 2000,  assim como o de Cuba<sup>15</sup>, que experimentou um grande decl&iacute;nio  a partir dos anos 70, at&eacute; alcan&ccedil;ar uma taxa de 1,5 em 1992 e 1,55  em 2000, uma das mais baixas da Am&eacute;rica Latina. O fator preponderante no  decl&iacute;nio da fecundidade nesse pa&iacute;s foi a crescente pr&aacute;tica  do aborto.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  preval&ecirc;ncia de AP no presente estudo foi de 6,9%, sendo mais frequente na  faixa et&aacute;ria de 40 a 45 anos de idade. Este resultado foi maior que o encontrado  na cidade de S&atilde;o Paulo<sup>16</sup>, que foi de 4,5%, e menor do que o  encontrado na maioria das pesquisas domiciliares realizadas nesta cidade, que  por sua vez foram 8,3% em Vila Madalena<sup>17</sup> e 13,6% na Favela Inajar  de Souza<sup>11</sup>. Na cidade do Rio de Janeiro, em inqu&eacute;rito domiciliar,  Martins et al.<sup>18</sup> entrevistaram 1.784 mulheres de 15-49 anos, residentes  em &aacute;reas de baixa renda, onde um ter&ccedil;o delas relatou um aborto,  sendo 16,9% provocados. Sup&otilde;e-se que as diversas preval&ecirc;ncias encontradas  nos diferentes estudos se devem tanto &agrave;s particularidades metodol&oacute;gicas  de cada pesquisa como tamb&eacute;m a fatores sociais e religiosos relacionados  &agrave; din&acirc;mica local e a vieses de resposta devido ao medo ou ao preconceito  de admitir o ato.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  modelo final revela que as vari&aacute;veis em conjunto que explicam a decis&atilde;o  pelo aborto s&atilde;o a renda baixa, o n&uacute;mero de NV, a idade no momento  da entrevista e a aceita&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica. Tr&ecirc;s categorias  de NV entraram na composi&ccedil;&atilde;o do modelo final, mostrando uma associa&ccedil;&atilde;o  entre o aborto provocado e o n&uacute;mero de nascidos vivos, sendo: nenhum nascido  vivo (RP = 12,22), dois a cinco nascidos vivos (RP = 4,52) e seis ou mais nascidos  vivos (RP = 5,18), apontando desta forma que o n&uacute;mero de nascidos vivos  pode ser um bom indicador para a predi&ccedil;&atilde;o da fecundidade futura.  Caso tivesse sido perguntado o n&uacute;mero de filhos considerado ideal, seria  poss&iacute;vel avaliar a necessidade de melhorar ou n&atilde;o o acesso aos m&eacute;todos  contraceptivos dispon&iacute;veis.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Possuir  renda <u>&lt;</u> 1SM (R$ 484,97) entrou no modelo final desta pesquisa como fator  que, quando correlacionado &agrave; pr&aacute;tica de aborto, possui signific&acirc;ncia  (RP = 1,76). Corroborando com o presente achado, Silva e Fusco<sup>11</sup> encontraram  associa&ccedil;&atilde;o significativa entre AP e renda <i>per capita</i> (RPC)  atual. Estas autoras tamb&eacute;m trabalharam com grupo de AE e nenhum aborto,  e observaram que ainda assim o AP apresentou RPC inferior a estes outros dois  grupos.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto  &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica do aborto, quando as entrevistadas  do presente estudo foram questionadas sobre sua opini&atilde;o, a resposta mais  frequente tanto para as mulheres com hist&oacute;rico de gravidez quanto para  aquelas que praticaram aborto foi de que aceitavam a pr&aacute;tica do mesmo.  Este dado est&aacute; de acordo com o encontrado pela PNDS<sup>6</sup>, onde 66,6%  das mulheres que j&aacute; engravidaram responderam que aceitavam esta pr&aacute;tica.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre  as limita&ccedil;&otilde;es do estudo, al&eacute;m das inerentes aos estudos transversais  optou-se pela presen&ccedil;a de um entrevistador, mesmo que isso tenha favorecido  a omiss&atilde;o de respostas afirmativas sobre a pr&aacute;tica do aborto, j&aacute;  que devido &agrave; baixa escolaridade possivelmente haveria dificuldades para  a compreens&atilde;o e a escrita das respostas<sup>21,22</sup>.</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  fato de o maior percentual de mulheres com aborto provocado ter sido encontrado  nas mulheres mais velhas pode ser justificado por terem, via de regra, um maior  tempo de exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ocorr&ecirc;ncia de uma gesta&ccedil;&atilde;o  indesejada. Por outra parte, a associa&ccedil;&atilde;o positiva entre a presen&ccedil;a  de abortos provocados e a aceita&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica &eacute; mais  dif&iacute;cil de interpretar, j&aacute; que elas podem tanto ter praticado um  aborto por n&atilde;o terem restri&ccedil;&otilde;es a essa pr&aacute;tica como  terem passado a aceit&aacute;-la depois de provocado um aborto. O desenho transversal  do estudo impossibilita saber o que ocorre antes.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo,  o fato de n&atilde;o ter filhos mostrar-se como fator potencializador do aborto  provocado &eacute; bastante revelador, sobretudo por indicar que essas mulheres  pobres almejam, tanto quanto as mais abastadas<sup>13</sup>, uma fecundidade baixa.  Assim &eacute; que o risco de provocar um aborto se eleva em 12,22 quando a mulher  possui "filho nenhum", em rela&ccedil;&atilde;o a ter um "&uacute;nico filho".  Somando-se a esse dado o fato de serem as mais pobres entre as pobres as que mais  recorrem ao aborto provocado, sobressai um claro d&eacute;ficit por parte da sa&uacute;de  p&uacute;blica em atender as necessidades contraceptivas dessa camada populacional  - justamente a que mais padece com a morbimortalidade advinda dessa pr&aacute;tica.  Reverter esse panorama &eacute; uma necessidade imperativa para nossa &aacute;rea  do saber.</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse  &iacute;nterim, a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto certamente conseguiria promover  uma equidade, na medida em que todas as mulheres, e n&atilde;o apenas as que podem  pagar por tal servi&ccedil;o, seriam atendidas por m&eacute;dicos na situa&ccedil;&atilde;o  extrema de optarem por um aborto provocado. A reduzida preval&ecirc;ncia de mulheres  com aborto indica claramente que este n&atilde;o &eacute; um recurso utilizado  de forma rotineira. Acredita-se, com base nos dados de pa&iacute;ses que legalizaram  o aborto provocado, que na medida em que programas efetivos de preven&ccedil;&atilde;o  de gesta&ccedil;&atilde;o indesejada forem sendo implementados, a recorr&ecirc;ncia  a essa pr&aacute;tica tender&aacute; a diminuir.</font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Conflito  de interesses:</b> N&atilde;o h&aacute; conflito de interesses a declarar.</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1.  World Health Organization. <i>Unsafe abortion: global and regional estimates of  the incidence of unsafe abortion and associated mortality</i>. Geneve; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990046&pid=S1415-790X201200010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2.  World Health Organization. <i>Unsafe abortion: global and regional estimates of  the incidence of unsafe abortion and associated mortality</i>. Geneve; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990048&pid=S1415-790X201200010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3.  BRASIL. <i>C&oacute;digo penal</i>. 4. ed. S&atilde;o Paulo: Editora Revista dos  Tribunais; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990050&pid=S1415-790X201200010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4.  Laurenti R, Mello Jorge MHP, Gotlieb SLD. A mortalidade materna nas capitais brasileiras:  algumas caracter&iacute;sticas e estimativas de um fator de ajuste. <i>Rev Bras  Epidemiol</i> 2004; 7(4): 449-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990052&pid=S1415-790X201200010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5.  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>Norma T&eacute;cnica para Aten&ccedil;&atilde;o  Humanizada ao Abortamento</i>; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990054&pid=S1415-790X201200010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6.  Instituto de Medicina Social/UERJ e Ipas Brasil. ENSP/Fiocruz 2005. <i>Rev Radis</i>  2008; 66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990056&pid=S1415-790X201200010001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7.  Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito sobre a Situa&ccedil;&atilde;o  da Mortalidade Materna no Brasil, Relat&oacute;rio 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990058&pid=S1415-790X201200010001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8.  Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, CEBRAP. <i>Pesquisa Nacional de Demografia  e Sa&uacute;de da Crian&ccedil;a e da Mulher 2006</i>. Bras&iacute;lia; 2009.  Dispon&iacute;vel em <a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnds_crianca_mulher.pdf" target="_blank">http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnds_crianca_mulher.pdf</a>.  &#91;Acessado em 25 de dezembro de 2010&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990060&pid=S1415-790X201200010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9.  RELEASE Bahia: Dossi&ecirc; sobre a Realidade do Aborto Inseguro na Bahia: a Ilegalidade  da Pr&aacute;tica e os seus Efeitos na Sa&uacute;de das Mulheres em Salvador e  Feira de Santana, 2008. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ipas.org.br/arquivos/RELEASE_Dossie_BA.pdf" target="_blank">http://www.ipas.org.br/arquivos/RELEASE_Dossie_BA.pdf</a>.  &#91;Acessado em 11 de fevereiro de 2011&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990062&pid=S1415-790X201200010001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10.  Cardoso MRA. <i>Compara&ccedil;&atilde;o entre tr&ecirc;s m&eacute;todos de amostragem  que visam &agrave; estima&ccedil;&atilde;o da cobertura vacinal</i> &#91;disserta&ccedil;&atilde;o  de mestrado&#93;. S&atilde;o Paulo: Universidade de S&atilde;o Paulo; 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990064&pid=S1415-790X201200010001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11.  Barros AJ, Hirakata VN. Alternatives for logistic regression in cross-sectional  studies: an empirical comparison of models that directly estimate the prevalence  ratio. <i>BMC Medical Research Methodology</i> 2003; 3: 21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990066&pid=S1415-790X201200010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12.  Zamudio C&aacute;rdenas L, Rubiano Blanco N, Wartenberg L, Viveros M, Salcedo  Fidalgo H. El aborto inducido en Colombia. <i>Cuadernos del CIDS</i>. Bogot&aacute;:  Centro de Investigaciones sobre Din&aacute;mica Social (CIDS); 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990068&pid=S1415-790X201200010001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13.  Fusco CLB, Andreoni S, Silva RS. Epidemiologia do aborto inseguro em uma popula&ccedil;&atilde;o  em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza Favela Inajar de Souza, S&atilde;o Paulo.  <i>Rev Bras Epidemiol</i> 2008 mar; 11(1): 78-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990070&pid=S1415-790X201200010001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14.  Sorrentino SR. "Aborto inseguro". Rede nacional feminista de sa&uacute;de e diretos  reprodutivos. <i>Sa&uacute;de da mulher e direitos reprodutivos</i>: dossi&ecirc;s.  S&atilde;o Paulo: Rede Nacional Feminista de Sa&uacute;de e Direitos Reprodutivos  2001; 41-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990072&pid=S1415-790X201200010001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15.  Yazaki LM. An&aacute;lise da Fecundidade no Estado de S&atilde;o Paulo. <i>S&atilde;o  Paulo em Perspectiva</i> 2008; 22(1): 48-65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990074&pid=S1415-790X201200010001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">16.  Funda&ccedil;&atilde;o Sistema Estadual de An&aacute;lise de dados, SEADE. Secretaria  de Economia e Planejamento. <i>Perfil Municipal de S&atilde;o Paulo, 2009.</i>  Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.seade.gov.br/produtos/perfil/perfil.php" target="_blank">http://www.seade.gov.br/produtos/perfil/perfil.php</a>  &#91;Acessado em 15 de Novembro de 2010&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990076&pid=S1415-790X201200010001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17.  Cabezas-Garcia E et al. Perfil sociodemogr&aacute;fico del aborto inducido. <i>Salud  P&uacute;blica de M&eacute;xico</i> 1998; 40: (30).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990078&pid=S1415-790X201200010001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18.  Silva RS. Padr&otilde;es de aborto provocado na Grande S&atilde;o Paulo, Brasil.  <i>Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica</i> 1998; 32(1): 7-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990080&pid=S1415-790X201200010001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19.  Silva RS. <i>Aborto provocado: sua incid&ecirc;ncia e caracter&iacute;sticas:  um estudo com mulheres em idade f&eacute;rtil (15 a 49 anos), residentes no subdistrito  de Vila Madalena</i> &#91;tese de doutorado&#93;. S&atilde;o Paulo: Universidade  de S&atilde;o Paulo; 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990082&pid=S1415-790X201200010001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20.  Martins IR, Costa SH, Freitas SRS, Pinto CS. Aborto induzido em mulheres de baixa  renda: dimens&atilde;o de um problema. <i>Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>  1991; 7: 251-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990084&pid=S1415-790X201200010001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21.  Alan Guttmacher Institute. <i>Sharing responsibilities: women, society and abortion  worldwide</i>. New York: The Alan Guttmacher Institute; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990086&pid=S1415-790X201200010001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22.  Grimes DA, Benson J, Singh S et al. Unsafe abortion: the preventable pandemic.  <i>Lancet</i> 2006; 368: 1908-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1990088&pid=S1415-790X201200010001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/rbepid/v15n1/seta.jpg" border="0"></a>  <b> Correspond&ecirc;ncia:    <br> </b> T&aacute;ssia Ferreira Santos    <br> Rua Afonso  Celso, 718 Apto, 23, Vila Mariana    <br> S&atilde;o Paulo, SP CEP 04.119-060    <br>  E-mail: <a href="mailto:tassiafsantos@gmail.com">tassiafsantos@gmail.com</a> </font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido  em: 09/04/11    <br> Vers&atilde;o final apresentada em: 13/10/11    <br> Aprovado em:  09/01/12</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aprovado  pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Universidade de S&atilde;o Paulo,  CEP 0196/08.</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Unsafe abortion: global and regional estimates of the incidence of unsafe abortion and associated mortality]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneve ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Unsafe abortion: global and regional estimates of the incidence of unsafe abortion and associated mortality]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneve ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>BRASIL</collab>
<source><![CDATA[Código penal]]></source>
<year>2002</year>
<edition>4</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Revista dos Tribunais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Laurenti]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mello Jorge]]></surname>
<given-names><![CDATA[MHP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gotlieb]]></surname>
<given-names><![CDATA[SLD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A mortalidade materna nas capitais brasileiras: algumas características e estimativas de um fator de ajuste]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Bras Epidemiol]]></source>
<year>2004</year>
<volume>7</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>449-60</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Ministério da Saúde</collab>
<source><![CDATA[Norma Técnica para Atenção Humanizada ao Abortamento]]></source>
<year>2005</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>Instituto de Medicina Social</collab>
<collab>UERJ</collab>
<collab>Ipas Brasil</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[ENSP/Fiocruz 2005]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Radis]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>66</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Situação da Mortalidade Materna no Brasil: Relatório 2001]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Ministério da Saúde^dCEBRAP</collab>
<source><![CDATA[Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher 2006]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Brasília ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[RELEASE Bahia: Dossiê sobre a Realidade do Aborto Inseguro na Bahia: a Ilegalidade da Prática e os seus Efeitos na Saúde das Mulheres em Salvador e Feira de Santana, 2008]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[MRA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comparação entre três métodos de amostragem que visam à estimação da cobertura vacinal]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barros]]></surname>
<given-names><![CDATA[AJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hirakata]]></surname>
<given-names><![CDATA[VN]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Alternatives for logistic regression in cross-sectional studies: an empirical comparison of models that directly estimate the prevalence ratio]]></article-title>
<source><![CDATA[BMC Medical Research Methodology]]></source>
<year>2003</year>
<volume>3</volume>
<page-range>21</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zamudio Cárdenas]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rubiano Blanco]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wartenberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Viveros]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salcedo Fidalgo]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El aborto inducido en Colombia]]></article-title>
<source><![CDATA[Cuadernos del CIDS. Bogotá: Centro de Investigaciones sobre Dinámica Social (CIDS)]]></source>
<year>1999</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fusco]]></surname>
<given-names><![CDATA[CLB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Andreoni]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[RS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Epidemiologia do aborto inseguro em uma população em situação de pobreza Favela Inajar de Souza, São Paulo]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Bras Epidemiol]]></source>
<year>2008</year>
<month> m</month>
<day>ar</day>
<volume>11</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>78-88</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sorrentino]]></surname>
<given-names><![CDATA[SR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Aborto inseguro": Rede nacional feminista de saúde e diretos reprodutivos]]></article-title>
<source><![CDATA[Saúde da mulher e direitos reprodutivos: dossiês]]></source>
<year></year>
<page-range>41-72</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos 2001]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yazaki]]></surname>
<given-names><![CDATA[LM]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise da Fecundidade no Estado de São Paulo]]></article-title>
<source><![CDATA[São Paulo em Perspectiva]]></source>
<year>2008</year>
<volume>22</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>48-65</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="">
<collab>Secretaria de Economia e Planejamento^dFundação Sistema Estadual de Análise de dados</collab>
<source><![CDATA[Perfil Municipal de São Paulo, 2009]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cabezas-Garcia]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Perfil sociodemográfico del aborto inducido]]></article-title>
<source><![CDATA[Salud Pública de México]]></source>
<year>1998</year>
<volume>40</volume>
<numero>30</numero>
<issue>30</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[RS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Padrões de aborto provocado na Grande São Paulo, Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Saúde Pública]]></source>
<year>1998</year>
<volume>32</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>7-17</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[RS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Aborto provocado: sua incidência e características: um estudo com mulheres em idade fértil (15 a 49 anos), residentes no subdistrito de Vila Madalena]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[IR]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[SH]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Freitas]]></surname>
<given-names><![CDATA[SRS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[CS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aborto induzido em mulheres de baixa renda: dimensão de um problema]]></article-title>
<source><![CDATA[Cad Saúde Pública]]></source>
<year>1991</year>
<volume>7</volume>
<page-range>251-66</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Alan Guttmacher Institute</collab>
<source><![CDATA[Sharing responsibilities: women, society and abortion worldwide]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The Alan Guttmacher Institute]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grimes]]></surname>
<given-names><![CDATA[DA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Benson]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Singh]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Unsafe abortion: the preventable pandemic]]></article-title>
<source><![CDATA[Lancet]]></source>
<year>2006</year>
<volume>368</volume>
<page-range>1908-19</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
