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Os textos de Soares, Lojudice e Sogayar, e Schettert exemplificam e testemunham o grande impacto que pesquisas com células-tronco poderão ter no tratamento de doenças comuns como hepatite, diabetes e doenças do coração, oferecendo alternativas mais eficazes e provavelmente mais baratas do que os tratamentos atualmente disponíveis para a população. Mas por que tomo tanto cuidado em sempre frisar que ainda se trata de promessas, incluindo um cuidadoso "poderão" naquela frase? Se levarmos em conta o efeito terapêutico direto das células-tronco naquelas doenças, ou seja, o seu tratamento com transplantes de CTs que regenerarão o órgão doente, temos de fato que tomar este cuidado. Há quinze anos, a grande vedete da pesquisa biomédica e promessa de cura de todos os nossos males era a terapia gênica – o uso de genes como agentes terapêuticos. Porém, apesar de toda a expectativa em torno da terapia gênica, até hoje esta promessa não se cumpriu – foi só nos últimos três anos que a terapia gênica conseguiu "curar" um tipo raro de imunodeficiência em crianças, somente para algum tempo depois gerar câncer naqueles pacientes... Estamos em um momento equivalente àquele do início dos anos 1990 com as células-tronco: ainda não temos nenhuma garantia de que de fato elas curarão alguma daquelas doenças.

Porém, isto não significa que elas não trarão nenhum benefício à saúde humana. Da mesma forma com que as pesquisas com terapia gênica levaram ao aumento do nosso conhecimento sobre biologia molecular, as pesquisas com células-tronco já trazem enormes contribuições para o conhecimento da biologia humana. Ao tentarmos fazer estas células produzirem insulina, tivemos que entender como o pâncreas se forma durante o desenvolvimento do embrião humano; descobrimos que em seres humanos existe um mecanismo natural de regeneração do coração, obviamente não suficiente para evitar uma doença ou o envelhecimento, que recruta células-tronco para este órgão quando em sofrimento; e estudando as células-tronco embrionárias pela primeira vez conseguimos olhar para os primeiros eventos do fascinante e misterioso desenvolvimento embrionário humano. Estas pesquisa sim, posso afirmar com certeza, trarão reais benefícios à saúde humana, e por isso devemos seguir entusiasmados com as células-tronco, que de uma forma ou de outra, a médio ou a longo prazo, nos ajudarão a melhorar a nossa qualidade de vida.

ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
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