Sofrimento psíquico e estresse no trabalho de agentes penitenciários: uma revisão da literatura

Cláudia de Magalhães Bezerra Simone Gonçalves de Assis Patricia Constantino Sobre os autores

Resumo

Apresenta-se revisão da literatura baseada no levantamento da produção sobre sofrimento psíquico e estresse no trabalho de agentes penitenciários nos periódicos nacionais e internacionais entre os anos de 2000 e 2014. As bases de dados pesquisadas foram Biblioteca Virtual em Saúde, Web of Science e Scopus e os principais descritores: sofrimento psíquico, estresse e agentes penitenciários. Foram analisados 40 artigos, a maioria sobre estresse. O conceito de burnout surgiu em vários trabalhos. Os EUA são o país que mais publica sobre o tema. Há pouco destaque nas revistas de Saúde Pública. Na América Latina foram encontrados apenas quatro estudos, todos brasileiros. O número de publicações se intensificou gradualmente ao longo dos anos e houve aprimoramento metodológico na elaboração e avaliação de escalas, principalmente de estresse e burnout. Entre os fatores de risco estão a sobrecarga de trabalho, falta de recursos materiais e humanos, nível de contato com os presos, superlotação, percepções sobre medo ou perigo, paradoxo punir/reeducar, entre outros. Os fatores protetivos remetem ao apoio social dentro do ambiente prisional e as estratégias de enfrentamento relacionam-se ao aprimoramento da formação dos agentes, estímulo ao apoio social e oferta de atendimento psicológico.

Estresse; Sofrimento psíquico; Burnout; Trabalho; Agentes penitenciários

Introdução

O objetivo desse artigo é realizar o levantamento da produção sobre sofrimento psíquico e estresse no trabalho de agentes penitenciários nos periódicos nacionais e internacionais entre os anos de 2000 e 2014, tema complexo que envolve a relação entre trabalho e saúde mental. Segundo Minayo et al.11. Minayo MCS, Souza ER, Constantino P, organizadores. Missão prevenir e proteger: condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2008., “do ponto de vista dos riscos e da segurança, entendemos que se o processo de trabalho constitui um lócus privilegiado da realização humana, ele também produz (em escala específica referente às condições em que é exercido) desgaste físico e mental”.

Agentes penitenciários têm papel importante no funcionamento das instituições prisionais, lidando diretamente com a população carcerária e sendo responsáveis pela custódia do apenado recluso. Trata-se de um grupo profissional pouco estudado, que trabalha em instituições totais ou fechadas22. Goffman E. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva; 1961/1990., de difícil acesso para investigações33. Moraes PRB. A identidade e o papel de agentes penitenciários. Tempo Social 2013; 25(1):131-147.. A complexidade de suas atividades se configura nas especificidades de uma instituição de controle e vigilância e no estigma associado às suas funções44. Barcinski M, Altenbernd B, Campani C. Entre cuidar e vigiar: ambiguidades e contradições no discurso de uma agente penitenciária. Cien Saude Colet 2014; 19(7):2245-2254..

Eles precisam trabalhar em equipe, demonstrar atenção, autocontrole, pró-atividade, iniciativa e capacidade de contornar situações adversas. Esses profissionais mantêm o ambiente de segurança nas prisões e estão frequentemente expostos a diversas situações geradoras de tensão, como ameaças e agressões. Trabalham sob pressão constante, sujeitos a risco de morte55. Brasil. Classificação Brasileira de Ocupações: CBO – 2010. 3ª ed. Brasília: MTE, SPPE; 2010. e com pouca visibilidade e reconhecimento social66. Rumin C, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199..

A postura “sempre alerta e à espera constante”, gera ansiedade77. Taets ARF. Em Trânsito: O Cotidiano de Algumas Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo. Mediações 2013; 18(2):246-259. e esse “aguçamento sensorial necessário”33. Moraes PRB. A identidade e o papel de agentes penitenciários. Tempo Social 2013; 25(1):131-147. leva ao maior desgaste psíquico. Estudos55. Brasil. Classificação Brasileira de Ocupações: CBO – 2010. 3ª ed. Brasília: MTE, SPPE; 2010.,88. Moon B, Maxwell SR. The sources and consequences of corrections officers’ stress: A South Korean example. J Crim Justice 2004; 32(4):359-370.,99. Goldberg D, Huxley P. Common mental disorders: a bio-social model. London: Tavistock, Routledge; 1992. têm descrito que a natureza estressante e perigosa de trabalhar dentro do ambiente prisional pode repercutir na saúde desses profissionais através de doenças físicas, estresse, burnout, problemas familiares, ou incapacidade de exercer suas funções, além de vir a comprometer a segurança institucional.

Há algumas décadas discutem-se os efeitos negativos da organização do trabalho taylorista/fordista, destacando-se: a fragmentação do trabalho com separação entre concepção e execução, que associada ao controle gerencial do processo e à hierarquia rígida têm levado à desmotivação e alienação de trabalhadores, bem como a desequilíbrios nas cargas de trabalho1010. Matos E, Pires D. Teorias administrativas e organização do trabalho: de Taylor aos dias atuais, influencias no setor saúde e na enfermagem. Texto contexto enferm 2006; 15(3):508-514.. Em comum com o método taylorista de gestão da produção, o trabalho pensante e de planejamento na instituição penitenciária restringe-se a um pequeno grupo, esperando da maioria a execução das atividades delegadas, com clara divisão entre quem planeja e quem executa.

O estresse foi definido por Selye1111. Selye H. Confusion and controversy in the stress field. J Human Stress 1975; 1(2):37-44. como uma resposta orgânica não específica para situações estressoras ao organismo. Sua presença de forma moderada significa uma normal adaptação às demandas do dia a dia; quando excessivo, é uma manifestação de sofrimento psíquico com reações físicas e emocionais e os sintomas variam dependendo da fase em que se encontra1212. Lipp MEN. Mecanismos neuropsicológicos do stress: teoria e aplicações clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003.. Em suas pesquisas, Lipp e Guevara1313. Lipp MEN, Guevara AJH. Validação empírica do Inventário de Sintomas de Stress. Estud Psicológicos 1994; 11(3):43-49. relatam sinais físicos que ocorrem com maior frequência: aumento da sudorese, tensão muscular, taquicardia, hipertensão, aperto da mandíbula, ranger de dentes, hiperatividade, náuseas, mãos e pés frios. Em termos psicológicos ocorrem sintomas como ansiedade, tensão, angústia, insônia, alienação, dificuldades interpessoais, dúvidas quanto a si próprio, preocupação excessiva, inabilidade de concentrar-se em outros assuntos que não o relacionado ao sofrimento, dificuldade de relaxar, ira e hipersensibilidade emotiva. Uma vez que o estresse não seja reduzido, através da remoção dos fatores que o geram ou do uso de estratégias de enfrentamento, ele poderá atingir sua fase final, quando doenças graves podem ocorrer nos órgãos mais vulneráveis, como enfarte, úlceras e psoríase. A depressão também faz parte do quadro de sintomas1414. Lipp MEN, Malagris LN. O Stress Emocional e seu Tratamento. In: Range B, organizador. O Stress Emocional e seu Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas; 2001..

O estresse psicológico, causado pela pressão e agitação da vida do trabalho, vem sendo muito investigado. Segundo a Organização Mundial de Saúde1515. World Health Organization (WHO). Global Strategy on occupacional health for all. Geneva: WHO; 1995., mais da metade dos trabalhadores, em geral de países considerados industrializados, julgam seu trabalho “mentalmente pesado”. Alguns fatores têm efeitos psicológicos adversos como o trabalho isolado, monótono, o que exige concentração constante, o trabalho em turnos, o trabalho sob a ameaça de violência, como por exemplo, no sistema prisional. Estresse psicológico e sobrecarga têm sido associados a distúrbios do sono, síndromes de burnout e depressão. Há também evidências de elevado risco de doenças cardiovasculares, particularmente as coronarianas e hipertensão. Nos últimos anos vem se destacando o construto estresse ocupacional, para Paschoal e Tamayo1616. Paschoal T, Tamayo A. Validação da escala de estresse no trabalho. Estud Psicol 2004; 9(1):45-52. este é um enfoque mais abrangente que enfatiza tanto os fatores estressores organizacionais quanto suas respostas fisiológicas, psicológicas e comportamentais. Tal abordagem acentua o caráter relacional do conceito que atribui importância às percepções individuais como mediadoras do impacto estressor do ambiente de trabalho.

Segundo Harvey1717. Harvey J. Perceived Physical Health, Psychological Distress, and Social Support Among Prison Officers. Prison J 2014; 94(2):242-259., estudos têm documentado as reações emocionais da equipe prisional relacionadas com seu trabalho e têm usado diferentes termos para se referirem as dificuldades psicológicas enfrentadas por esses trabalhadores, como work stress, stress, burnout, tedium, psychological distress e trauma.

O sofrimento psíquico (psychological distress) é uma dificuldade emocional que associa sintomas psicológicos e físicos, sendo considerado99. Goldberg D, Huxley P. Common mental disorders: a bio-social model. London: Tavistock, Routledge; 1992. um transtorno mental comum (TMC), caracterizado por sintomas não psicóticos como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas como dor de cabeça, dor abdominal, tosse ou fraqueza. Essas queixas são manifestações ou respostas a um tipo de sofrimento psicológico1818. Harding TW, De Arango V, Baltazar J, Climent CE, Ibrahim A, Ladrido-Ignacio L, Murthy RS, Wig NN. Mental disorders in primary health care: a study of their frequency and diagnosis in four developing countries. Psychol Med 1980; 10(2):231-241.,1919. Fernandes RCP, Silvany Neto AM, Sena GM, Leal AS, Carneiro CAP, Costa FPM. Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cad Saude Publica 2002; 18(3):807-816. e não estão necessariamente associadas à existência de uma patologia orgânica diagnosticável.

Na pesquisa bibliográfica sobre sofrimento psíquico e estresse, o conceito de burnout surgiu em vários trabalhos e será analisado com destaque no item referente ao estresse, pela sua relevância para a compreensão do tema. Burnout é descrito2020. Boudoukha AH, Hautekeete M, Abdelaoui S, Groux W, Garay D. Burnout and victimisation: Impact of inmates’ aggression towards prison guards. Encephale 2011; 37(4):284-292. como uma síndrome tridimensional composta por exaustão emocional, despersonalização e sensação de falta de realização pessoal; é o resultado de um processo crônico de estresse. Foi inicialmente identificado entre trabalhadores que lidam com pessoas doentes ou internadas, no entanto, não é uma psicopatologia do trabalho, mas da relação com os outros. Em outros termos, o burnout parece surgir quando as pessoas compartilham relações estressantes, crônicas e violentas com outras pessoas, o que acontece no exercício profissional do agente penitenciário.

A “psicodinâmica do trabalho” de Dejours2121. Dejours C. A Loucura do trabalho. 5ª ed. São Paulo: Cortez-Oboré; 1992. concentra seus estudos na dinâmica saúde/doença e define o “sofrimento no trabalho” como o campo que separa a doença da saúde. Essa perspectiva teórica se concentra no impacto da organização do trabalho sobre o funcionamento psíquico do trabalhador: “quando estão bloqueadas todas as possibilidades de adaptação entre a organização do trabalho e o desejo dos sujeitos, então emerge o sofrimento” O sofrimento psíquico no trabalho surge como uma estratégia de não adoecimento: um espaço de luta contra o enlouquecimento e é nesse processo dinâmico entre saúde e doença que os trabalhadores criam estratégias defensivas individuais e coletivas para se protegerem2121. Dejours C. A Loucura do trabalho. 5ª ed. São Paulo: Cortez-Oboré; 1992..

Para conhecer sobre a existência de sofrimento psíquico e estresse profissional entre agentes penitenciários, foi realizado levantamento bibliográfico sobre o tema, cuja metodologia e resultados serão apresentados a seguir.

Material e método

A pesquisa bibliográfica que fundamenta este estudo contemplou os artigos das bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Web of Science e Scopus. O software Zotero foi utilizado para gerenciar as referências.

Na BVS, escolhendo como campos de busca o título, o resumo e o assunto, foram utilizados os descritores (incluindo suas formas no feminino e no plural): inspetor, agente ou guarda penitenciário, prisional ou prisão. E ainda “estresse psicológico”, “sofrimento mental”, “saúde mental”, “sofrimento psíquico” ou “estresse ocupacional”. Na Web of Science e Scopus (campos de busca: title, abstract e key) foram utilizados os descritores equivalentes em inglês: “prison agent”, “prison worker”, “prison staff”, “correctional staff” ou “correctional officers” e também “working conditions”, “occupational health”, “occupational safety”, “stress”, “mental health” ou “stress psychological”.

Inicialmente, a pesquisa foi aberta: os estudos poderiam pertencer a qualquer fonte, idioma e ano de publicação, seu resultado obteve 525 publicações. Após a leitura de todos os títulos e resumos excluíram-se os estudos: referentes à saúde dos prisioneiros, sobre outros grupos de profissionais que trabalham em prisões que não agentes, referentes a transtornos relacionados ao uso de substâncias, sobre delinquência juvenil e psiquiatria legal. Restaram 202 artigos dos quais foram excluídos os trabalhos repetidos (n = 51), aqueles publicados em outras línguas que não português, inglês, francês ou espanhol e os anteriores ao ano de 2000 (n = 31), uma vez que pesquisas sobre o tema aumentaram significativamente a partir desse período2222. Dial KC, Downey RA, Goodlin WE. The job in the joint: The impact of generation and gender on work stress in prison. J Crim Justice 2010; 38(4):609-615..

Entre os 40 artigos selecionados, cinco não estavam livremente disponíveis, na íntegra, nos sites específicos e por esse motivo foram analisados a partir de seus resumos2323. Prati G, Boldrin S. Organizational stressors, exposure to critical incidents and organizational well-being among correctional officers. G Ital Med Lav Ergon 2011; 33(3 Suppl B):B33-B39.

24. Brough P, Biggs A. Predictors of Work Cover occupational stress claims by correctional officers. J Occup Health Saf - Aust N Z 2007; 23(1):43-52.

25. Lourel M. Burnout: Theory and critical approach. The value of exploratory research in prisons. Encephale 2001; 27(3):223-227.

26. Moulin V, Sevin A-S. Suffering at work in prison. Trav Hum 2012; 75(2):147-178.
-2727. Summerlin Z, Oehme K, Stern N, Valentine C. Disparate levels of stress in police and correctional officers: Preliminary evidence from a pilot study on domestic violence. J Hum Behav Soc Environ 2010; 20(6):762-777.. Todos os demais 35 artigos foram integralmente lidos e analisados. O material coletado foi classificado visando evidenciar: o estado do conhecimento em relação ao assunto, os fatores de risco e de proteção abordados, as estratégias de enfrentamento propostas para estes agravos à saúde mental dos trabalhadores e, finalmente, as lacunas no conhecimento e os aspectos que podem ser mais explorados em futuras pesquisas.

Resultados

Características gerais dos artigos

A revisão da literatura mostra que internacionalmente estudos com foco na saúde mental desses profissionais vêm despertando muito interesse acadêmico principalmente nos EUA e nas revistas sobre Justiça Criminal desse país. No Brasil, ainda são poucos os estudos sobre esse tema, concentrados nas revistas de Psicologia.

Mais da metade dos textos (n = 21) é produção norte-americana: 16 dos EUA e cinco do Canadá. A Europa também se interessa pelo tema (n = 11), com três artigos apresentando a realidade francesa, três sobre a Espanha e os restantes sobre o contexto da Itália, Reino Unido, Portugal, Polônia e Holanda. A produção da América Latina se limita à do Brasil, com quatro artigos brasileiros1919. Fernandes RCP, Silvany Neto AM, Sena GM, Leal AS, Carneiro CAP, Costa FPM. Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cad Saude Publica 2002; 18(3):807-816.,2828. Rumin CR. Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicol Ciênc Prof 2006; 26(4):570-581.

29. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199.
-3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535.: dois com pesquisas no Sistema Penitenciário de São Paulo, um no Rio Grande do Sul e um na Bahia/Salvador. Encontram-se ainda dois trabalhos realizados na Austrália, um na Turquia e outro na África do Sul.

As produções se intensificam gradualmente ao longo dos anos: oito entre 2000 e 2004, 15 entre 2005 e 2009 e 17 entre 2010 e 2014. Acompanhando todo o período percebe-se a relevância das revistas sobre Justiça Criminal: cinco delas apresentaram 11 artigos. A área da Psicologia/Psiquiatria tem produções a partir de 2005: nove revistas publicaram 11 artigos. Alguns jornais sobre o tema específico das prisões concentram estudos: Prison Journal (n = 05) e Journal of Correctional Health Care (n = 01). Revistas sobre Saúde Pública apresentaram apenas quatro trabalhos e sobre Saúde Ocupacional, três artigos. Periódicos sobre comportamento humano apresentaram dois artigos e os sobre trabalho e ergologia mais duas produções. Uma revista específica sobre estresse (Stress and Health) expôs um trabalho.

A maioria aborda o tema do estresse (n = 22), seguida do burnout (n = 12) e do sofrimento psíquico (n = 08). Entre as 40 publicações, temos 34 relatos de pesquisas, a maioria com abordagem quantitativa (n = 25), utilizando escalas de estresse, burnout, entre outras; dois estudos3131. Martin JL, Lichtenstein B, Jenkot RB, Forde DR. “They can take us over any time they want”: Correctional officers’ responses to prison crowding. Prison J 2012; 92(1):88-105.,3232. Owen SS. Occupational stress among correctional supervisors. Prison J 2006; 86(2):164-181. combinaram instrumentos quantitativos (questionários baseados em escalas psicométricas) e qualitativos (entrevistas semidirigidas e espaços nos questionários liberados para expressão escrita). Apenas três estudos brasileiros2828. Rumin CR. Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicol Ciênc Prof 2006; 26(4):570-581.

29. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199.
-3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535. utilizaram exclusivamente o método qualitativo em suas pesquisas, por meio de entrevistas semidirigidas.

Quatro artigos são revisões de literatura e dois foram destinados à avaliação das propriedades psicométricas de escalas sobre estresse: Escala de Estresse no Trabalho para Agentes Penitenciários - WSSCO3333. Şenol-Durak E, Durak M, Gençöz T. Development of work stress scale for correctional officers. J Occup Rehabil 2006; 16(1):157-168. e Escala de Estresse Ocupacional - JDCS3434. Brough P, Williams J. Managing occupational stress in a high-risk industry: Measuring the job demands of correctional officers. Crim Justice Behav 2007; 34(4):555-567.. Entre as revisões sistemáticas da literatura, na Holanda em 2000, Schaufeli e Peeters3535. Schaufeli WB, Peeters MCW. Job Stress and Burnout among Correctional Officers: A Literature Review. Int J Stress Manag 2000; 7(1):19-48. analisaram a produção sobre estresse ocupacional e burnout em instituições correcionais. Posteriormente outras duas revisões foram realizadas no Canadá: em 2004, Dowden e Telier3636. Dowden C, Tellier C. Predicting work-related stress in correctional officers: A meta-analysis. J Crim Justice 2004; 32(1):31-47. analisaram os preditores de estresse no trabalho de agentes penitenciários e desenvolveram meta-análise sobre o tema. Recentemente, em 2013, Finney et al.3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82. revisaram a literatura sobre estresse e burnout nesses profissionais, identificando as áreas em que intervenções podem vir a reduzir tais problemas. Outra revisão3838. Swenson DX, Waseleski D, Hartl R. Shift work and correctional officers: Effects and strategies for adjustment. J Correct Health Care 2008; 14(4):299-310. investigou sobre o estresse de mudança de turno entre agentes penitenciários.

Constata-se a tendência na utilização de escalas entre os estudos que abordam o estresse (Quadro 1). Algumas escalas medem especificamente o estresse no trabalho e outras, mais gerais, medem o estresse na vida. Três diferentes instrumentos aferem o sofrimento psíquico nos textos avaliados.

Quadro 1
Instrumentos para aferir estresse e sofrimento psíquico em agentes penitenciários.

Outras medidas, não apresentadas no Quadro 1, surgiram no levantamento bibliográfico e foram utilizadas para: (a) avaliar o estresse fisiológico, através de mensuração de cortisol, colesterol, triglicérides, frequência cardíaca e pressão arterial, entre outros3939. McCraty R, Atkinson M, Lipsenthal L, Arguelles L. New hope for correctional officers: An innovative program for reducing stress and health risks. Appl Psychophysiol Biofeedback 2009; 34(4):251-272.; (b) medir burnout, sendo o Maslach Burnout Inventory4040. Maslach C, Jackson SE, Leiter MP. Maslach Burnout Inventory. Palo Alto: Consult Psychol Press; 1996. o único instrumento utilizado para esse fim.

Dentre os doze artigos que abordaram o tema do burnout2020. Boudoukha AH, Hautekeete M, Abdelaoui S, Groux W, Garay D. Burnout and victimisation: Impact of inmates’ aggression towards prison guards. Encephale 2011; 37(4):284-292.,2323. Prati G, Boldrin S. Organizational stressors, exposure to critical incidents and organizational well-being among correctional officers. G Ital Med Lav Ergon 2011; 33(3 Suppl B):B33-B39.,2525. Lourel M. Burnout: Theory and critical approach. The value of exploratory research in prisons. Encephale 2001; 27(3):223-227.,3535. Schaufeli WB, Peeters MCW. Job Stress and Burnout among Correctional Officers: A Literature Review. Int J Stress Manag 2000; 7(1):19-48.,3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82.,4141. Morgan RD, Van Haveren RA, Pearson CA. Correctional officer burnout - Further analyses. Crim Justice Behav 2002; 29(2):144-160.

42. Savicki V, Cooley E, Gjesvold J. Harassment as a Predictor of Job Burnout in Correctional Officers. Crim Justice Behav 2003; 30(5):602-619.

43. Carlson JR, Anson RH, Thomas G. Correctional officer burnout and stress: Does gender matter? Prison J 2003; 83(3):277-288.

44. Gonçalo H, Rui Gomes A, Barbosa F, Afonso J. Occupational stress forces in security: A comparative study. Anal Psicol 2010; 28(1):165-178.

45. Cieslak R, Korczynska J, Strelau J, Kaczmarek M. Burnout predictors among prison officers: The moderating effect of temperamental endurance. Personal Individ Differ 2008; 45(7):666-672.

46. Gould DD, Watson SL, Price SR, Valliant PM. The relationship between burnout and coping in adult and young offender center correctional officers: An exploratory investigation. Psychol Serv 2013; 10(1):37-47.
-4747. Hernandez-Martin L. Burnout syndrome in watchmen in a penitentiary center. International Journal of Clinical and Health Psychology. Int J Clin Health Psychol 2006; 6(3):599-611., nove usaram o Maslach Burnout Inventory Survey3535. Schaufeli WB, Peeters MCW. Job Stress and Burnout among Correctional Officers: A Literature Review. Int J Stress Manag 2000; 7(1):19-48., que engloba três escalas: (a) exaustão emocional, que mede sentimentos de estar sobrecarregado e exausto pelo trabalho; (b) despersonalização, que afere a resposta insensível e impessoal em relação às pessoas com quem se trabalha; (c) realização pessoal, que avalia sentimentos de competência e realização bem sucedida na atividade. Os demais três artigos se referem a revisões de literatura.

Um último aspecto geral observado refere-se à diferenciação de gênero. Sete artigos abordam essa temática2222. Dial KC, Downey RA, Goodlin WE. The job in the joint: The impact of generation and gender on work stress in prison. J Crim Justice 2010; 38(4):609-615.,3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535.,4141. Morgan RD, Van Haveren RA, Pearson CA. Correctional officer burnout - Further analyses. Crim Justice Behav 2002; 29(2):144-160.

42. Savicki V, Cooley E, Gjesvold J. Harassment as a Predictor of Job Burnout in Correctional Officers. Crim Justice Behav 2003; 30(5):602-619.
-4343. Carlson JR, Anson RH, Thomas G. Correctional officer burnout and stress: Does gender matter? Prison J 2003; 83(3):277-288.,4848. Griffin ML. Gender and stress: A comparative assessment of sources of stress among correctional officers. J Contemp Crim Justice 2006; 22(1):4-25.,4949. Cheeseman KA, Downey RA. Talking “bout my generation”: The effect of “generation” on correctional employee perceptions of work stress and job satisfaction. Prison J 2012; 92(1):24-44. de forma diferenciada segundo o foco do texto: (a) o ambiente prisional predominantemente masculino leva as mulheres a enfrentarem desafios específicos em seu trabalho nessas instituições; (b) homens e mulheres têm estilos diferentes de lidar e se relacionarem com os presos, por exemplo, mulheres são menos propensas do que os homens em responder aos reclusos de forma impessoal ou com falta de atenção ou interesse; (c) características socialmente aceitas como femininas (compaixão, orientação familiar) podem ser desvalorizadas no ambiente prisional onde as noções de “resistência” e força física são muito respeitadas; (d) as diferenças entre os gêneros podem levar as mulheres a se sentirem pressionadas em concordar com as características do trabalho desempenhado pelos seus colegas homens.

Para Cheeseman et al.4949. Cheeseman KA, Downey RA. Talking “bout my generation”: The effect of “generation” on correctional employee perceptions of work stress and job satisfaction. Prison J 2012; 92(1):24-44. e Dial et al.2222. Dial KC, Downey RA, Goodlin WE. The job in the joint: The impact of generation and gender on work stress in prison. J Crim Justice 2010; 38(4):609-615., gênero é um fator significante para estresse no trabalho mais do que qualquer outra variável demográfica, mesmo assim, na pesquisa de Griffin4848. Griffin ML. Gender and stress: A comparative assessment of sources of stress among correctional officers. J Contemp Crim Justice 2006; 22(1):4-25. houve poucas diferenças entre ambos os sexos. Carlson et al.43 testaram a relação entre gênero e burnout em uma prisão de segurança máxima nos EUA e ao contrário de estudos anteriores, as mulheres agentes penitenciárias demonstraram maior sensação de realização pessoal e satisfação relacionada com o trabalho do que seus colegas do sexo oposto. Elas também seriam mais propensas a usar técnicas de enfrentamento ao lidar com situações estressantes4646. Gould DD, Watson SL, Price SR, Valliant PM. The relationship between burnout and coping in adult and young offender center correctional officers: An exploratory investigation. Psychol Serv 2013; 10(1):37-47..

As produções brasileiras

Os quatro artigos brasileiros encontrados se inserem em publicações sobre saúde: Psicologia Ciência e Profissão (n = 2), Estudos Psicológicos e Cadernos de Saúde Pública. Três deles utilizam a abordagem teórica da psicodinâmica do trabalho, de Dejours2121. Dejours C. A Loucura do trabalho. 5ª ed. São Paulo: Cortez-Oboré; 1992., e metodologia qualitativa. Outra publicação utiliza duas escalas para medir estresse e sofrimento psíquico.

Dois trabalhos sobre o sofrimento psíquico de agentes penitenciários2828. Rumin CR. Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicol Ciênc Prof 2006; 26(4):570-581.,2929. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199. se originaram de pesquisa realizada em uma unidade prisional de regime fechado em São Paulo. O primeiro deles utiliza entrevistas para identificar várias situações ansiogênicas2121. Dejours C. A Loucura do trabalho. 5ª ed. São Paulo: Cortez-Oboré; 1992. entre elas: risco constante de exposição à violência física, temor em relação à segurança de seus familiares, exposição a doenças como tuberculose, hepatite C e HIV, percepção da degradação de sua saúde mental, trabalho monótono, entre outras. A partir dessas descobertas, um serviço de saúde mental foi proposto e organizado na unidade pesquisada, oferecendo aos profissionais encontros individuais com estagiários de psicologia sob supervisão, durante a jornada de trabalho.

O segundo artigo2929. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199., também com abordagem qualitativa, se originou da pesquisa anterior e teve como objeto as experiências profissionais e o sofrimento psíquico relatado durante os atendimentos psicológicos. Os resultados demonstraram que diversas formas de manifestação da violência conferem condições para que o sofrimento psíquico surja entre esses trabalhadores. Também se evidenciou a presença de sintomas psicossomáticos, distúrbios do sono e o impacto sobre as relações fora do trabalho.

No Rio Grande do Sul, Tschiedel e Monteiro3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535. pesquisaram mulheres agentes penitenciárias através de entrevistas semiestruturadas. As autoras concluíram que a vivência de sofrimento psíquico está relacionada ao contexto da organização, condições e relações de trabalho. Elas sofrem com a precariedade das condições materiais e humanas de trabalho, com a falta de reconhecimento institucional e com a atividade da “revista íntima”, momento em que a visitante é revistada e precisa ficar sem roupa e agachada na frente da agente penitenciária. As agentes também relataram vivências de prazer relacionadas ao seu salário, ao horário de trabalho “flexível” (plantões) e à estabilidade no emprego. As estratégias defensivas apresentadas foram a negação e a racionalização.

O quarto artigo brasileiro1919. Fernandes RCP, Silvany Neto AM, Sena GM, Leal AS, Carneiro CAP, Costa FPM. Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cad Saude Publica 2002; 18(3):807-816. originou-se de um estudo epidemiológico sobre sofrimento psíquico e estresse entre agentes penitenciários de Salvador/Bahia. Duas escalas foram utilizadas: o Self-Reported Questionnaire - SRQ201818. Harding TW, De Arango V, Baltazar J, Climent CE, Ibrahim A, Ladrido-Ignacio L, Murthy RS, Wig NN. Mental disorders in primary health care: a study of their frequency and diagnosis in four developing countries. Psychol Med 1980; 10(2):231-241. que afere sofrimento psíquico ou transtornos psíquicos menores e o Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos (ISSL)1313. Lipp MEN, Guevara AJH. Validação empírica do Inventário de Sintomas de Stress. Estud Psicológicos 1994; 11(3):43-49. que avalia a existência de sintomas, tipo de estresse predominante (físico ou psicológico) e a fase em que ele se encontra (alerta, resistência, quase exaustão e exaustão). Entre os resultados, queixas de adoecimento foram apresentadas por 91,6% dos trabalhadores, manifestação de estresse persistente em 15,1% dos entrevistados e a prevalência de distúrbios psíquicos menores foi encontrada em 30,7% dos agentes penitenciários, índice maior que o apresentado por professores, metalúrgicos, trabalhadores de processamento de dados e de hospitais.

Abordagens sobre sofrimento psíquico e seus fatores de risco

Sofrimento psíquico no trabalho foi o tema abordado em oito artigos1717. Harvey J. Perceived Physical Health, Psychological Distress, and Social Support Among Prison Officers. Prison J 2014; 94(2):242-259.,1919. Fernandes RCP, Silvany Neto AM, Sena GM, Leal AS, Carneiro CAP, Costa FPM. Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cad Saude Publica 2002; 18(3):807-816.,2626. Moulin V, Sevin A-S. Suffering at work in prison. Trav Hum 2012; 75(2):147-178.,2828. Rumin CR. Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicol Ciênc Prof 2006; 26(4):570-581.

29. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199.
-3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535.,5050. Atkin-Plunk CA, Armstrong GS. Transformational Leadership Skills and Correlates of Prison Warden Job Stress. Crim Justice Behav 2013; 40(5):551-568.,5151. Hartley DJ, Davila MA, Marquart JW, Mullings JL. Fear is a Disease: The Impact of Fear and Exposure to Infectious Disease on Correctional Officer Job Stress and Satisfaction. Am J Crim Justice 2013; 38(2):323-340.,5353. Bourbonnais R, Malenfant R, Vézina M, Jauvin N, Brisson I. Work characteristics and health of correctional officers. Rev Epidemiol Sante Publique 2005; 53(2):127-142.,5454. Bourbonnais R, Jauvin N, Dussault J, Vézina M. Psychosocial work environment, interpersonal violence at work and mental health among correctional officers. Int J Law Psychiatry 2007; 30(4-5):355-368., entre eles os quatro trabalhos brasileiros que apontam várias situações ansiogênicas ligadas à precariedade das condições de trabalho dos agentes penitenciários: esvaziamento do sentido do trabalho, sensação de enclausuramento em algumas funções e representação social pejorativa de sua atividade2929. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199.,3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535.. Entre outros fatores de risco para o sofrimento no trabalho são apontados a exposição cotidiana à violência física, o temor em relação à segurança de seus familiares, o medo da exposição a doenças como tuberculose, hepatite C e HIV2828. Rumin CR. Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicol Ciênc Prof 2006; 26(4):570-581..

Fernandes et al.1919. Fernandes RCP, Silvany Neto AM, Sena GM, Leal AS, Carneiro CAP, Costa FPM. Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cad Saude Publica 2002; 18(3):807-816. verificaram distúrbios psíquicos menores (não psicóticos) entre esses trabalhadores que enfrentam um ambiente psicologicamente inadequado, condições infraestruturais insuficientes, longas jornadas de trabalho, falta de tempo para o lazer e inadequada organização do trabalho. Na França2626. Moulin V, Sevin A-S. Suffering at work in prison. Trav Hum 2012; 75(2):147-178. e no Canadá3636. Dowden C, Tellier C. Predicting work-related stress in correctional officers: A meta-analysis. J Crim Justice 2004; 32(1):31-47. foram citadas como causadoras de sofrimento, as “missões paradoxais” ou a “dupla missão” ou o “conflito de papéis” dos agentes penitenciários, ou seja, o trabalho de custódia e vigilância concomitante ao de ressocialização ou reabilitação. Outra pesquisa no Canadá5353. Bourbonnais R, Malenfant R, Vézina M, Jauvin N, Brisson I. Work characteristics and health of correctional officers. Rev Epidemiol Sante Publique 2005; 53(2):127-142. apontou que esses profissionais são mais expostos a fatores psicossociais adversos no trabalho e relatam mais problemas de saúde (como sofrimento psíquico, saúde regular ou ruim e uso de serviços de saúde ou social) do que uma amostra comparável de outros trabalhadores. Os fatores associados com o aumento do sofrimento psíquico foram o baixo apoio social no trabalho, e os conflitos com colegas e superiores, dentre outros.

Abordagens sobre estresse e seus fatores de risco

A maioria dos artigos encontrados é sobre o tema do estresse. Estresse e burnout são dois constructos relacionados, mas distintos. Estresse em condições normais pode ser uma resposta adaptativa a situações difíceis, enquanto o burnout é uma resposta comportamental ao estresse que é debilitante, custosa e problemática4343. Carlson JR, Anson RH, Thomas G. Correctional officer burnout and stress: Does gender matter? Prison J 2003; 83(3):277-288..

O trabalho de Finney et al.3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82. constatou que estresse no trabalho e burnout afetam entre 19-30% dos trabalhadores em geral. Ambos derivam de uma combinação de fatores de risco individuais e estressores organizacionais, seus efeitos são mais pronunciados nos agentes penitenciários do que na população em geral2020. Boudoukha AH, Hautekeete M, Abdelaoui S, Groux W, Garay D. Burnout and victimisation: Impact of inmates’ aggression towards prison guards. Encephale 2011; 37(4):284-292.,3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82., devido ao ambiente tenso, de alto risco e das exigências das tarefas5252. Misis M, Kim B, Cheeseman K, Hogan NL, Lambert EG. The impact of correctional officer perceptions of inmates on job stress. SAGE Open 2013; 3(2):1-13.

53. Bourbonnais R, Malenfant R, Vézina M, Jauvin N, Brisson I. Work characteristics and health of correctional officers. Rev Epidemiol Sante Publique 2005; 53(2):127-142.
-5454. Bourbonnais R, Jauvin N, Dussault J, Vézina M. Psychosocial work environment, interpersonal violence at work and mental health among correctional officers. Int J Law Psychiatry 2007; 30(4-5):355-368., o que também pode levá-los a ficarem mais suscetíveis a problemas físicos de saúde88. Moon B, Maxwell SR. The sources and consequences of corrections officers’ stress: A South Korean example. J Crim Justice 2004; 32(4):359-370.,1717. Harvey J. Perceived Physical Health, Psychological Distress, and Social Support Among Prison Officers. Prison J 2014; 94(2):242-259.. Estresse e burnout vivenciados pelos agentes penitenciários podem deixar ainda mais inseguro o ambiente laboral, levar a altas taxas de rotatividade entre os servidores, alto absenteísmo e baixa produtividade3535. Schaufeli WB, Peeters MCW. Job Stress and Burnout among Correctional Officers: A Literature Review. Int J Stress Manag 2000; 7(1):19-48..

Revisões de literatura3535. Schaufeli WB, Peeters MCW. Job Stress and Burnout among Correctional Officers: A Literature Review. Int J Stress Manag 2000; 7(1):19-48.

36. Dowden C, Tellier C. Predicting work-related stress in correctional officers: A meta-analysis. J Crim Justice 2004; 32(1):31-47.
-3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82. apontam os fatores que mais contribuem para o estresse no trabalho prisional: problemas de relacionamento (com colegas, supervisores ou prisioneiros); sobrecarga de trabalho; baixo status social da profissão e a falta de apoio social. Também foram citados o “conflito de papéis” e as poucas oportunidades de promoção, que ao interagirem com fatores individuais como personalidade e conflitos familiares, podem gerar problemas de saúde mental e física. Conflito de papéis é definido como qualquer situação de demanda de trabalho conflitante, como ambiguidade de papéis. De acordo com Misis et al.5252. Misis M, Kim B, Cheeseman K, Hogan NL, Lambert EG. The impact of correctional officer perceptions of inmates on job stress. SAGE Open 2013; 3(2):1-13. existem agentes penitenciários orientados para a custódia que defendem abertamente as estratégias de punição para lidar com os presos e que não apoiam a reabilitação como uma filosofia correcional. Por outro lado, existem profissionais que acreditam na reabilitação enquanto objetivo correcional primário e que exercem sua função voltada para o aconselhamento. Os resultados indicam que agentes que veem seu trabalho mais orientado para o tratamento do preso teriam níveis mais elevados de estresse. Nos Estados Unidos, agentes penitenciários que têm percepções de características pessoais dos presos mais negativas (hostis, antissociais e frios) apresentam níveis mais elevados de estresse, o que coincide com a investigação sobre conflito de papéis: quanto mais conflito, mais estresse.

Percebem-se nas pesquisas algumas divergências em relação ao impacto das características individuais (gênero, etnia, idade, nível educacional, experiências na prisão) nos níveis de estresse no trabalho. Em alguns textos não foram encontradas relações estatísticas significativas2222. Dial KC, Downey RA, Goodlin WE. The job in the joint: The impact of generation and gender on work stress in prison. J Crim Justice 2010; 38(4):609-615.,3232. Owen SS. Occupational stress among correctional supervisors. Prison J 2006; 86(2):164-181., ou com pequena capacidade explicativa de impacto no estresse ocupacional, indicando que outras características mais latentes ou menos explícitas, como a satisfação no trabalho, por exemplo, ou características da própria atividade (tipo de prisão, por exemplo) podem ter maior impacto no esforço de trabalho4747. Hernandez-Martin L. Burnout syndrome in watchmen in a penitentiary center. International Journal of Clinical and Health Psychology. Int J Clin Health Psychol 2006; 6(3):599-611.. A variável “satisfação no trabalho” está intimamente ligada ao estresse4949. Cheeseman KA, Downey RA. Talking “bout my generation”: The effect of “generation” on correctional employee perceptions of work stress and job satisfaction. Prison J 2012; 92(1):24-44.,5656. Castle TL. Satisfied in the jail? Exploring the predictors of job satisfaction among jail officers. Crim Justice Rev 2008; 33(1):48-63. sendo a mais forte preditora sobre quaisquer outras variáveis.

São vários os fatores de risco para estresse indicados nas pesquisas. De um modo geral, eles se relacionam principalmente com a sobrecarga de trabalho: falta de recursos materiais e humanos1414. Lipp MEN, Malagris LN. O Stress Emocional e seu Tratamento. In: Range B, organizador. O Stress Emocional e seu Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas; 2001.,2424. Brough P, Biggs A. Predictors of Work Cover occupational stress claims by correctional officers. J Occup Health Saf - Aust N Z 2007; 23(1):43-52.; percepção do trabalho como sendo perigoso3131. Martin JL, Lichtenstein B, Jenkot RB, Forde DR. “They can take us over any time they want”: Correctional officers’ responses to prison crowding. Prison J 2012; 92(1):88-105.,5151. Hartley DJ, Davila MA, Marquart JW, Mullings JL. Fear is a Disease: The Impact of Fear and Exposure to Infectious Disease on Correctional Officer Job Stress and Satisfaction. Am J Crim Justice 2013; 38(2):323-340.,5252. Misis M, Kim B, Cheeseman K, Hogan NL, Lambert EG. The impact of correctional officer perceptions of inmates on job stress. SAGE Open 2013; 3(2):1-13.; medo de contrair doenças como HIV/AIDS, hepatite e tuberculose5151. Hartley DJ, Davila MA, Marquart JW, Mullings JL. Fear is a Disease: The Impact of Fear and Exposure to Infectious Disease on Correctional Officer Job Stress and Satisfaction. Am J Crim Justice 2013; 38(2):323-340.; nível de contato com os presos5757. Ghaddar A, Mateo I, Sanchez P. Occupational stress and mental health among correctional officers: A cross-sectional study. J Occup Health 2008; 50(1):92-98.,5959. Murofuse NT, Abranches SS, Napoleão AA. Reflexões sobre estresse e Burnout e a relação com a enfermagem. Rev Latino-Am Enfermagem 2005; 13(2):255-261.; e conflito de papéis88. Moon B, Maxwell SR. The sources and consequences of corrections officers’ stress: A South Korean example. J Crim Justice 2004; 32(4):359-370.,5252. Misis M, Kim B, Cheeseman K, Hogan NL, Lambert EG. The impact of correctional officer perceptions of inmates on job stress. SAGE Open 2013; 3(2):1-13.. A rejeição da sociedade ou a percepção da imagem pública negativa também foi citada como fator de risco para estresse88. Moon B, Maxwell SR. The sources and consequences of corrections officers’ stress: A South Korean example. J Crim Justice 2004; 32(4):359-370.,5757. Ghaddar A, Mateo I, Sanchez P. Occupational stress and mental health among correctional officers: A cross-sectional study. J Occup Health 2008; 50(1):92-98., assim como a superlotação dos presídios3131. Martin JL, Lichtenstein B, Jenkot RB, Forde DR. “They can take us over any time they want”: Correctional officers’ responses to prison crowding. Prison J 2012; 92(1):88-105., concluindo-se que os agentes que atuam em prisões mais lotadas têm mais medo dos detentos e são mais estressados.

Destacando-se o tema do burnout, estudo na Espanha4747. Hernandez-Martin L. Burnout syndrome in watchmen in a penitentiary center. International Journal of Clinical and Health Psychology. Int J Clin Health Psychol 2006; 6(3):599-611. mostra que 43,6% dos agentes sofrem burnout severo e que os mais jovens apresentam atitudes mais negativas em relação a seus empregos (despersonalização) do que os mais velhos. Para Morgan et al.4141. Morgan RD, Van Haveren RA, Pearson CA. Correctional officer burnout - Further analyses. Crim Justice Behav 2002; 29(2):144-160., os agentes menos experientes também evidenciaram aumento dos níveis de despersonalização e exaustão emocional e diminuição dos níveis de realização pessoal. Já os mais velhos e mais instruídos relataram níveis elevados de realização pessoal.

Fatores que podem proteger do estresse e sofrimento psíquico

O apoio social recebido dentro da prisão (pelos colegas e pelos supervisores) ameniza os efeitos da tensão do trabalho sobre a saúde, ele é um fator relevante e protetivo evidenciado nos estudos sobre estresse (incluindo burnout) e sobre sofrimento psíquico. Uma liderança de boa qualidade5252. Misis M, Kim B, Cheeseman K, Hogan NL, Lambert EG. The impact of correctional officer perceptions of inmates on job stress. SAGE Open 2013; 3(2):1-13. é analisada como um fator de proteção contra o estresse no trabalho, assim como uma de baixa qualidade se relaciona de forma significativa com ele3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82.. Agentes que percebem apoio de seus supervisores ou chefes relataram menos estresse e níveis de satisfação mais elevados5151. Hartley DJ, Davila MA, Marquart JW, Mullings JL. Fear is a Disease: The Impact of Fear and Exposure to Infectious Disease on Correctional Officer Job Stress and Satisfaction. Am J Crim Justice 2013; 38(2):323-340.,5252. Misis M, Kim B, Cheeseman K, Hogan NL, Lambert EG. The impact of correctional officer perceptions of inmates on job stress. SAGE Open 2013; 3(2):1-13..

Na pesquisa de Owen3232. Owen SS. Occupational stress among correctional supervisors. Prison J 2006; 86(2):164-181. nos Estados Unidos, três variáveis se mostraram como fatores protetivos em relação ao estresse: altos níveis de satisfação no trabalho e de apoio social, além da percepção de estar no controle das situações relacionadas ao seu ofício.

Estratégias de enfrentamento contra o estresse e o sofrimento psíquico

Baseados nos resultados encontrados em suas pesquisas sobre o sofrimento no trabalho de agentes penitenciários, alguns estudos propõem estratégias de enfrentamento, com destaque para as relacionadas à formação profissional, ao suporte social e à oferta de espaços de acolhimento para reflexão, reestruturação e reorientação emocional.

Tradicionalmente, durante sua formação, esses profissionais aprendem que os infratores são “o inimigo” e que o seu trabalho é garantir que eles permaneçam sob controle dentro da penitenciária5151. Hartley DJ, Davila MA, Marquart JW, Mullings JL. Fear is a Disease: The Impact of Fear and Exposure to Infectious Disease on Correctional Officer Job Stress and Satisfaction. Am J Crim Justice 2013; 38(2):323-340.. Autores sugerem uma abordagem diferente na formação, que permita uma maior reflexão sobre as condições de vida das pessoas presas. Na mesma direção, Moon e Maxwell88. Moon B, Maxwell SR. The sources and consequences of corrections officers’ stress: A South Korean example. J Crim Justice 2004; 32(4):359-370. apontam a necessidade de se reexaminar a forma como os agentes interagem com os presos e os procedimentos utilizados nas correções e no tratamento deles. Hartley et al.5151. Hartley DJ, Davila MA, Marquart JW, Mullings JL. Fear is a Disease: The Impact of Fear and Exposure to Infectious Disease on Correctional Officer Job Stress and Satisfaction. Am J Crim Justice 2013; 38(2):323-340. sugerem incluir informações contínuas e aprofundadas sobre doenças infecciosas na formação dos agentes, a fim de prevenir a contaminação de doenças e o estresse. Gould et al.4646. Gould DD, Watson SL, Price SR, Valliant PM. The relationship between burnout and coping in adult and young offender center correctional officers: An exploratory investigation. Psychol Serv 2013; 10(1):37-47. propõem treinamento anual com foco específico nos sintomas de estresse e burnout, além do ensino do uso de técnicas efetivas em seu enfrentamento e gerenciamento.

É importante manter o foco na qualidade do suporte da chefia ou da supervisão5353. Bourbonnais R, Malenfant R, Vézina M, Jauvin N, Brisson I. Work characteristics and health of correctional officers. Rev Epidemiol Sante Publique 2005; 53(2):127-142. e considerar o uso de um estilo mais participativo e flexível de liderança e gestão5050. Atkin-Plunk CA, Armstrong GS. Transformational Leadership Skills and Correlates of Prison Warden Job Stress. Crim Justice Behav 2013; 40(5):551-568., a fim de que as necessidades e os valores individuais dos agentes penitenciários possam ser considerados. O suporte social dos pares pode ser útil no enfrentamento e na prevenção do burnout4141. Morgan RD, Van Haveren RA, Pearson CA. Correctional officer burnout - Further analyses. Crim Justice Behav 2002; 29(2):144-160.,4646. Gould DD, Watson SL, Price SR, Valliant PM. The relationship between burnout and coping in adult and young offender center correctional officers: An exploratory investigation. Psychol Serv 2013; 10(1):37-47.: Gould et al.4646. Gould DD, Watson SL, Price SR, Valliant PM. The relationship between burnout and coping in adult and young offender center correctional officers: An exploratory investigation. Psychol Serv 2013; 10(1):37-47. sugerem a organização de grupos de diálogo entre os agentes, com ênfase no que lhes aflige em relação ao trabalho. As estratégias de intervenção a fim de reduzir o risco de estresse e burnout devem ser no sentido de melhorar a estrutura organizacional e o clima da instituição prisional3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82.. Outra sugestão seria aumentar o número de reuniões de colaboração entre as gerências e os agentes penitenciários a fim de melhorar a comunicação entre eles1515. World Health Organization (WHO). Global Strategy on occupacional health for all. Geneva: WHO; 1995.,3636. Dowden C, Tellier C. Predicting work-related stress in correctional officers: A meta-analysis. J Crim Justice 2004; 32(1):31-47..

Investigou-se nos EUA3939. McCraty R, Atkinson M, Lipsenthal L, Arguelles L. New hope for correctional officers: An innovative program for reducing stress and health risks. Appl Psychophysiol Biofeedback 2009; 34(4):251-272. um novo programa de redução de estresse e de riscos à saúde entre agentes penitenciários, baseado na autorregulação emocional, que incorpora uma série de técnicas de reestruturação e reorientação. Houve melhora significativa do grupo experimental quanto ao nível de colesterol, glicemia, frequência cardíaca, pressão arterial e em relação às perspectivas positivas. Também foram significativas as reduções do sofrimento psíquico em geral e os aumentos significativos de produtividade, motivação, clareza de metas e apoio percebido. Em três trabalhos brasileiros2828. Rumin CR. Sofrimento na vigilância prisional: o trabalho e a atenção em saúde mental. Psicol Ciênc Prof 2006; 26(4):570-581.

29. Rumin CR, Barros GIF, Cardozo WR, Cavalhero R, Atelli R. O sofrimento Psíquico no trabalho de vigilância em prisões. Psicol Ciênc Prof 2011; 31(1):188-199.
-3030. Tschiedel RM, Monteiro JK. Prazer e sofrimento no trabalho das agentes de segurança penitenciária. Estud Psicol Natal 2013; 18(3):527-535. foi proposta a organização de um “serviço de assistência psicológica” a fim de acolher o sofrimento psíquico dos agentes, além de políticas públicas de valorização e qualificação profissional.

Estratégias disfuncionais como a negação e o abuso de substâncias devem ser desencorajadas, pois elevam os níveis de burnout em suas três dimensões4646. Gould DD, Watson SL, Price SR, Valliant PM. The relationship between burnout and coping in adult and young offender center correctional officers: An exploratory investigation. Psychol Serv 2013; 10(1):37-47..

Discussão

Sofrimento psíquico, estresse e burnout são constructos que se interrelacionam, mas que não são idênticos, porém seus fatores desencadeadores são muito parecidos. Podem ser consideradas teorias que nascem no contexto da explosão da produção e consumo no capitalismo e que se referem ao desenvolvimento de sentimentos negativos em conexão com a atividade do trabalho5959. Murofuse NT, Abranches SS, Napoleão AA. Reflexões sobre estresse e Burnout e a relação com a enfermagem. Rev Latino-Am Enfermagem 2005; 13(2):255-261..

A partir desses três grandes temas outros assuntos se destacam na abordagem do problema, como os conceitos de satisfação no trabalho, apoio social, riscos psicossociais, comprometimento organizacional, bem estar psicológico e violência. Os temas também se ampliam a partir dos fatores de risco e proteção revelados nas pesquisas como: sobrecarga de trabalho, falta de recursos materiais e humanos, nível de contato e percepções sobre o preso, superlotação, percepções sobre medo ou perigo, paradoxo punir/reeducar, estresse de mudança de turno, entre outros.

A diversificação das áreas temáticas dos periódicos que abordam o tema é um fator positivo, pois amplia a possibilidade de se obter novos conhecimentos e gerar resultados propositivos. Porém, percebe-se que o campo da saúde pública não vem dando ênfase às discussões sobre o sofrimento psíquico dessa categoria profissional e que a produção vem se concentrando em revistas com vocação de estudos em saúde mental e na área da criminologia2222. Dial KC, Downey RA, Goodlin WE. The job in the joint: The impact of generation and gender on work stress in prison. J Crim Justice 2010; 38(4):609-615..

Algumas características relacionadas com o trabalho e a saúde de agentes penitenciários se mostram gerais como a violência dos ambientes prisionais discutida em vários artigos e também evidenciada por Santos6060. Santos MM. Agente penitenciário: Trabalho no cárcere [dissertação]. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte; 2010., que mostra no fenômeno da superlotação os riscos iminentes de ataques violentos entre os encarcerados e os agentes. Também geral é a necessidade de controle a fim de manter a segurança, sendo essa a maior preocupação dos agentes, em detrimento até de sua própria saúde6161. Diuana V, Lhuilier D, Sánchez A, Amado G, Araújo L, Duarte AM, Garcia M, Milanez E, Poubel L, Romano E, Larouzé B. Saúde em prisões: representações e práticas dos agentes de segurança penitenciária no Rio de Janeiro, Brasil. Cad Saude Publica 2008; 24(8):1887-1896.. O mal estar da privação da liberdade é outra peculiaridade enfrentada por esses trabalhadores, para Moraes33. Moraes PRB. A identidade e o papel de agentes penitenciários. Tempo Social 2013; 25(1):131-147. “o mal está no ar”, se referindo à energia negativa ou pesada que circula em uma unidade prisional. Essas características nivelam a vivência profissional desses sujeitos que são apresentados nos estudos com relativamente pouca saúde física e problemas psíquicos associados aos problemas físicos1717. Harvey J. Perceived Physical Health, Psychological Distress, and Social Support Among Prison Officers. Prison J 2014; 94(2):242-259..

Questões específicas relacionadas à realidade de cada território são evidenciadas. Os EUA, país que mais encarcera no mundo, com 2.228.000 pessoas custodiadas em 20126262. World Prison Brief. ICPS-International centre for prison studies [Internet]. [acessado 2015 mar 4]. Disponível em: www.prisonstudies.org/country/unites-states-america.
www.prisonstudies.org/country/unites-sta...
é o que mais produz academicamente sobre saúde mental de trabalhadores prisionais, porém com abordagem predominantemente criminológica e não de saúde (apenas uma publicação na temática psicológica), o que indica o interesse mais voltado para a indústria da prisão do que para a saúde dos profissionais que ali trabalham. Como se evidencia no trabalho de Dial et al.2222. Dial KC, Downey RA, Goodlin WE. The job in the joint: The impact of generation and gender on work stress in prison. J Crim Justice 2010; 38(4):609-615., os temas abordados voltam-se para as preocupações gerenciais e administrativas, com foco na importância do apoio social interno (supervisão/liderança), treinamento, problemas causados pela superlotação, aumento da motivação e da produtividade.

Embora pesquisas sobre burnout tenham uma longa tradição na América do Norte e na Europa6363. Mazon V, Carlotto MS, Câmara S. Síndrome de Burnout e estratégias de enfrentamento em professores. Arq. bras. psicol. 2008; 60(1):55-66., este levantamento bibliográfico mostrou que, entre profissionais prisionais, o tema é mais investigado na Europa e indica altos índices de incidência.

Os artigos brasileiros apesar de serem apenas quatro, abrangem 10% de toda a produção e são os únicos da América Latina. A abordagem dejouriana combinada com o método qualitativo demonstra uma visão ampla e complexa do problema com foco no bem estar do trabalhador.

No que tange à metodologia quantitativa, a mais utilizada nos artigos analisados, nota-se o desenvolvimento de dois novos instrumentos de verificação de estresse em agentes penitenciários3333. Şenol-Durak E, Durak M, Gençöz T. Development of work stress scale for correctional officers. J Occup Rehabil 2006; 16(1):157-168.,5555. Botha C, Pienaar J. South African correctional official occupational stress: The role of psychological strengths. J Crim Justice 2006; 34(1):73-84. e adaptação de outros já utilizados anteriormente (Quadro 1).

Apesar de ser cada vez maior o número de agentes mulheres, elas trabalham em um ambiente projetado para custodiar e para o labor de pessoas do sexo masculino. Elas atuam tanto em unidades masculinas quanto femininas, porém em cada uma delas suas funções diferem, assim como o tipo de sofrimento e estresse vivenciados. Nesse sentido, elas se adaptam ao ambiente muito mais do que o ambiente se adapta a elas4141. Morgan RD, Van Haveren RA, Pearson CA. Correctional officer burnout - Further analyses. Crim Justice Behav 2002; 29(2):144-160..

As estratégias de enfrentamento sugeridas nos artigos encontrados (formação, suporte social e atendimentos psicológicos) também foram evidenciadas em outros trabalhos33. Moraes PRB. A identidade e o papel de agentes penitenciários. Tempo Social 2013; 25(1):131-147.,6464. Aragão EIS, Vieira SS, Alves MGG, Santos AF. Suporte social e estresse: uma revisão da literatura. Psicologia &m foco 2009; 2(1):79-90.,6565. Bravo-Yáñez C, Jiménez-Figueroa A. Psychological well-being, perceived organizational support and job satisfaction amongst Chilean prison employees. Rev Esp Sanid Penit 2011; 13(3):91-99.. Elas são consideradas importantes e viáveis, porém apontam mais para um esforço do próprio trabalhador em se qualificar, dar suporte aos seus pares e se “tratar” do que responsabilizam as empresas ou os governos pela negligência com as condições de trabalho ofertadas e seus impactos na saúde dos agentes penitenciários. Na visão de Constantino et al.6666. Constantino P, Souza ER, Assis SG, Correia BSC. Burnout Aspects of Physical and Mental Health Conditions. In: Bahler- Koher S, organizador. Burnout for Experts. Nova York: Springer US; 2013. p. 89-98., se os estudos identificam que fatores de estresse estão relacionados tanto a questões individuais quanto aos aspectos organizacionais do trabalho, será mais eficiente, a fim de prevenir e minimizar os efeitos desse problema, envolver estratégias em ambos os níveis.

Considerações finais

Nesta revisão da literatura demonstra-se o aumento gradativo da produção científica sobre estresse e sofrimento psíquico do agente penitenciário, um trabalhador invisível e desvalorizado, mas imprescindível na estrutura social. São poucas as investigações frente ao aumento constante do número de unidades prisionais nos países.

Quando os agentes penitenciários não dispõem dos recursos necessários para realizar seu trabalho de forma otimizada (por exemplo, falta de pessoal, falta ou inadequação de equipamentos), quase a metade experimenta altos níveis de estresse2727. Summerlin Z, Oehme K, Stern N, Valentine C. Disparate levels of stress in police and correctional officers: Preliminary evidence from a pilot study on domestic violence. J Hum Behav Soc Environ 2010; 20(6):762-777.. Durante as três décadas passadas muitas pesquisas examinaram os fatores que contribuem para o estresse no trabalho, percebendo-se a importância de analisar criticamente os estressores organizacionais, a fim de contribuir para a constituição de ambientes e trabalhadores mais saudáveis2020. Boudoukha AH, Hautekeete M, Abdelaoui S, Groux W, Garay D. Burnout and victimisation: Impact of inmates’ aggression towards prison guards. Encephale 2011; 37(4):284-292.. As características individuais podem moderar os efeitos do estresse no trabalho, no entanto, elas se tornam pouco úteis em condições de estressores organizacionais duradouros ou esmagadores3737. Finney C, Stergiopoulos E, Hensel J, Bonato S, Dewa CS. Organizational stressors associated with job stress and burnout in correctional officers: a systematic review. BMC Public Health 2013; 13:82..

É importante investir não apenas em nível individual, mas também no contexto do sistema organizacional usando uma perspectiva psicossocial para entender as dificuldades e propor estratégias de mudança a fim de melhorar as condições de trabalho. É relevante frisar que no universo penitenciário, a visão dos seus agentes a respeito da dinâmica do ambiente prisional é apenas uma das percepções possíveis, dentre os diferentes atores envolvidos nesse cotidiano. Outras versões também devem ser consideradas na elaboração de projetos, programas ou políticas públicas.

Um objeto tão complexo quanto a saúde mental, sendo pesquisado em um ambiente violento e insalubre onde se inserem profissionais que presenciam diariamente o sofrimento da privação da liberdade e que têm uma missão perigosa e com poucas retribuições simbólicas, deveria ser investigado também de forma mais complexa. São muito raras as pesquisas que utilizam abordagens qualitativas a fim de compreender mais profundamente seus objetos, principalmente no que diz respeito à análise das múltiplas relações que se travam em uma instituição prisional. Como demonstrado anteriormente, o fator de proteção contra o sofrimento no trabalho mais destacado nas pesquisas analisadas foi o “suporte social” que implica na análise dessas relações. Escutar esses homens e mulheres trabalhadores pode dar mais sentido aos resultados encontrados.

É importante notar que a prevenção e a atenção à saúde mental de agentes penitenciários beneficiam não só os profissionais prisionais, mas também suas famílias, o preso, a família do preso e a sociedade como um todo.

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Histórico

  • Recebido
    30 Set 2015
  • Aceito
    13 Fev 2016
  • Aceito
    15 Fev 2016
  • Publicação
    Jun 2016
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revscol@fiocruz.br