TESES

 

Produção, leitura e interpretação de textos: contribuições da antropologia do imaginário para uma pedagogia da leitura

 

 

Angelina Batista

Tese de Doutorado, 1997. Orientador: Prof. Dr. José Carlos de Paula Carvalho. Faculdade de Educação/USP

 

 

A partir da arquetipologia geral das estruturas antropológicas do imaginário de Gilbert Durand e de sua modelização realizada por Yves Durand por meio do teste AT.9 – teste arquetípico de nove elementos – tivemos como objetivo verificar a persistência ou não, das estruturas do imaginário e dos micro-universos míticos em textos outros que não os especificamente produzidos quando da realização do teste AT.9. Considerando que, como diz Gilbert Durand, no fim de contas, o imaginário não é mais que esse trajeto no qual a representação do objeto se deixa assimilar e modelar pelos imperativos pulsionais do sujeito, e no qual, reciprocamente, ... as representações subjetivas se explicam 'pelas acomodações anteriores do sujeito' ao meio objetivo, e que os "schèmes", arquétipos e símbolos encontram expressão cultural em sistemas semióticos dos quais o mais abrangente e coletivo é o sistema lingüístico, pensar a emergência de simbolismos na linguagem escrita cotidiana é de suma importância para a compreensão do homem como ser que se utiliza de linguagem não apenas do ponto de vista pragmático da comunicação mas que o faz , também e principalmente, como alguém que atribui sentido às coisas, ao mundo e se atribui sentido na e pela linguagem. Por isso podemos encontrar, nas produções de um sujeito, tais como o teste AT.9, os textos e outras, homogeneidade que remete ao seu imaginário, ao modo como ele enfrenta a angústia existencial frente à passagem do tempo e da morte, ou seja, como ele se posiciona perante as intimações advindas de suas pulsões subjetivas e do meio cósmico e social, o que inscreve as produções do sujeito no trajeto antropológico. Nos textos analisados encontramos constantes temáticas que variaram de protocolo para protocolo, conforme o dinamismo da energia psíquica, em termos junguianos, ou de acordo como o dinamismo do trajeto antropológico, conforme Gilbert Durand, o que confirma a presença das estruturas antropológicas do imaginário nos textos produzidos. As temáticas mostraram-se constantes em relação ao sujeito produtor dos textos. Há, nessas redações, uma redundância temática e simbólica que remete ao contexto individual dos sujeitos, em primeiro lugar. Neste sentido, podemos dizer que um texto, ao ser produzido, interessa primeiro a seu produtor como objeto portador de um sentido existencial, antes de ser um objeto comunicacional ou social, veiculador de informações atinentes a um contexto sócio-cultural. Um texto, mesmo produzido de forma sumária, mesmo trazendo sérios erros do ponto de vista gramatical e da coerência textual, mesmo pobre do ponto de vista narrativo e discursivo, carrega consigo uma carga simbólica que não pode ser ignorada e que precisa ser resgatada para que o ato de escrever e ler adquira sua significação plena.

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