EDITORIAL

 

 

Interface - Comunicação, Saúde, Educação vem, com este número 19 e suas 274 páginas, expressar a força do campo interdisciplinar de conhecimento e práticas em que se conformou a Saúde Coletiva brasileira. Em nosso caso, destacando sua articulação com as Humanidades, especialmente a Educação e a Comunicação. Ao mesmo tempo, verificamos um crescente interesse de pesquisadores de distintas áreas das Ciências Humanas por temas que envolvem a Saúde e / ou a formação dos profissionais de Saúde.

O expressivo crescimento da demanda de textos para publicação em nossa revista tem exigido um grande trabalho do corpo editorial de Interface. Tal fato tem nos desafiado a aprimorar nossa prática editorial para que a quantidade não comprometa a qualidade. Estamos nos referindo, aqui, não só à qualidade do que publicamos, como, também, à qualidade da relação com nossos colaboradores-autores. Compreendemos que o trabalho editorial não se limita à publicação ou rejeição de um artigo; sua essência está, sobretudo, no caráter pedagógico e cooperativo do processo editorial-científico, promovendo o diálogo entre autores, editores e assessores-consultores da revista. Com a finalidade de aprimorar a qualidade do processo editorial, aumentamos o nosso corpo de editores no último ano e ampliamos a responsabilidade dos editores-associados com a avaliação e julgamento dos trabalhos submetidos à publicação.

A diversidade de campos temáticos e recortes teórico-metodológicos apresentados neste número 19 de Interface reflete, em boa medida, os comentários que abrem este editorial.

No Dossiê sobre o Estado, o público e o privado, três diferentes abordagens desta temática trazem aos leitores recortes distintos e complementares da dialética e complexa relação "público-privado". Giovanni Aciole examina tais esferas buscando superar a leitura dicotômica usualmente feita, enquanto Fausto Santos e Emerson Merhy examinam criticamente a regulação pública na saúde. Maria e Marco Andreazzi, em conjunto com Diana Carvalho, apresentam proposta metodológica de análise e gestão de conflito na relação público-privado no setor saúde.

Charles Tesser abre a seção Artigos discutindo criticamente o processo de medicalização social no Brasil, com base na visão illicheana e ancorando-se nas concepções epistemológicas de Fleck análise essa que terá continuidade no próximo fascículo de Interface. Questões epistemológicas também estão presentes na revisão crítica realizada por Ildeberto de Almeida sobre a análise de acidentes de trabalho, na qual aponta a emergência de um novo paradigma.

A formação universitária e a questão curricular comparecem em três artigos: um deles focaliza as relações que médicos egressos da residência em Obstetrícia/Ginecologia estabelecem com a realidade de saúde-doença no Brasil; outro discute as concepções de professores e alunos sobre o papel da comunicação no exercício da prática médica, apontando a necessidade de se contemplar esse campo de conhecimento em projetos pedagógicos de cursos de Medicina; e o terceiro analisa a presença de temas sobre Educação em Saúde no currículo de cursos de Pedagogia.

A comunicação também é objeto de estudo em investigação sobre o papel do discurso da mídia impressa na construção de imagens e sentidos acerca de questões que envolvem a saúde de trabalhadores; e em outro artigo que defende a emergência do virtual em projetos de inclusão social e de formação de pessoas com necessidades especiais.

A Educação em Saúde, tema nuclear da revista, presente em todos os fascículos, comparece em vários outros artigos da presente edição, tratando da problemática da saúde bucal na terceira idade. Outros textos discutem estratégias de Educação em Saúde em diferentes contextos e espaços das práticas de atenção à saúde.

A diversidade temática deste número se completa com a resenha sobre humanização do parto e os vários resumos de teses e dissertações.

Por fim, mas não menos importante, temos o instigante texto de Ana Alcídia Moraes, discutindo as possibilidades de uso da carta na pesquisa qualitativa; e, ainda, a expressão criativa de André Nunes, em nossa seção Criação, com "Pêlos pelos fora da ordem".

Esperamos que nossos leitores estabeleçam um diálogo profícuo com os colaboradores desta edição, instigando-os a novas reflexões e futuros debates.

 

Os editores

UNESP Botucatu - SP - Brazil
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