ARTIGOS

 

Avaliação do material didático do projeto "Criança saudável - educação dez", ano 2005*

 

Evaluation of the 2005 "Criança saudável - educação dez" teaching material

 

Valuación del material didáctico del proyecto "Niño saludadle - educación diez", año 2005

 

 

Kathleen Sousa Oliveira

Graduada em Nutrição. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição, Ministério da Saúde. QRSW 08, Bloco B-3, apto. 305 - Bairro Sudoeste - Brasília, DF 70.765-823 kathleen.ntr@terra.com.br

 

 


RESUMO

O projeto "Criança saudável - educação dez" destina-se a promover a educação alimentar e nutricional de escolares das séries iniciais do ensino fundamental de escolas públicas. Consiste na distribuição de cartilhas com histórias em quadrinhos para as crianças e de um Caderno do Professor. Este estudo teve por objetivo analisar as cartilhas em quadrinhos como material didático para instruir sobre alimentação saudável. Primeiramente, realizou-se uma descrição dos elementos verbais e visuais da narrativa e da linguagem; em seguida, um processo de conotação buscando identificar e analisar os significados presentes na história, e, por último, analisaram-se as informações técnico-científicas contidas nas cartilhas. Foram encontradas inconsistências na elaboração do material, sendo as restrições relacionadas à presença de aspectos de discriminação racial, ao incentivo ao consumo de produtos industrializados, e à presença de erros conceituais relacionados à alimentação e nutrição

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Palavras-chave: Histórias em quadrinhos. Materiais de ensino. Avaliação. Educação alimentar e nutricional.


ABSTRACT

The educational project "Criança saudável - educação dez" aims to promote nutritional education in schools, focusing on first to fourth grade students and teachers. It consists in the distribution of comics to children and a Teacher's Guide. This objective of this study was to analyze the comics as didactic material on healthy food. Comics were qualitatively evaluated. A description was of the verbal and visual aspects, as well as the characteristics of the narrative and language undertaken. Then the significance of elements in the story were analyzed. Finally, the scientific information presented in the material was analyzed. The results of this study indicate inconsistencies in the production of the material. Restrictions were found with respect to the presence of racial discrimination, the incentive to consume industrialized products and the presence of conceptual mistakes related to food and nutrition.

Key words: Comics. Teaching materials. Evaluation. Food and nutrition education.


RESUMEN

El proyecto "Niño saludable - educación dez" visa promover la educación alimenticia y nutritiva de escolares de la series iniciales de la enseñanza fundamental de escuelas públicas. Consiste en la distribución de cartillas con historias dibujadas para los niños y de un Cuaderno del Profesor. Este estudio tuvo como objetivo analizar las cartillas con dibujos como material didáctico para instruir sobre alimentación saludable. Primeramente se realizó una descripción de los elementos verbales y visuales de la narrativa y del lenguaje; seguidamente, un proceso de connotación buscando identificar y analizar los significados presentes en la historia y por ultimo se analizaron las informaciones técnico-científicas contenidas en las cartillas. Se encontraron inconsistencias en la elaboración del material, siendo las restricciones relacionadas a la presencia de aspectos de discriminación racial, al incentivo al consumo de productos industrializados y a la presencia de errores conceptuales relacionados a la alimentación y a la nutrición.

Palabras-clave: Cómics. Materiales de enseñanza. Valuación. Educación alimentaria y nutricional.


 

 

Introdução

As histórias em quadrinhos, podem ser definidas como imagens pictóricas e outras justapostas em seqüência deliberada, destinadas a transmitir informações e/ou a produzir uma resposta no espectador (McCloud, 2005). É um tipo de linguagem que combina textos e desenhos para contar uma história.

A percepção do uso das histórias em quadrinhos como forma eficiente para a transmissão de conhecimentos específicos data do século XX (Sartori, 2003), e o aspecto mais mencionado do uso das histórias em quadrinhos como ferramenta educacional é a capacidade de motivar os estudantes (McCloud, 2005; Calazans, 2004).

A particularidade do uso dos quadrinhos como ferramenta pedagógica encontra-se na combinação de duas formas ricas de expressão cultural: a literatura e as artes plásticas (Rota, Izquierdo, 2003); e no fato de possuírem um componente visual permanente de tempo e espaço. Quando bem exploradas, têm um poder enorme para contar histórias e transmitir mensagens, bem como o de servir como intermédio para abordar conceitos e disciplinas complexas e difíceis.

Nos quadrinhos observa-se a utilização de dois códigos: o lingüístico e o das imagens, não obstante seja a imagem a marca das histórias em quadrinhos (Scareli, 2002).

A palavra é uma linguagem abstrata, podendo ter diferentes representações em diferentes oportunidades, enquanto os desenhos revelam situações concretas que estruturam as configurações mentais (Bim, 2001). Desse modo, a linguagem dos quadrinhos contempla as necessidades das crianças, em qualquer estágio de desenvolvimento de sua linguagem escrita, pois os desenhos funcionam como um estágio inicial para o desenvolvimento da leitura e da escrita.

Em 2005, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) desenvolveu materiais educativos sobre alimentação e nutrição para serem distribuídos às séries iniciais do Ensino Fundamental em todas as escolas públicas. Foram desenvolvidos três temas, apresentados em quadrinhos sob a forma de cartilhas educativas que estão inseridas no contexto do projeto denominado "Criança saudável - educação dez": "O que é educação alimentar?", "Proteínas e carboidratos" e "Vitaminas e minerais".

Essas cartilhas pretendiam produzir e difundir conhecimentos científicos específicos relacionados à alimentação e à nutrição, para um público bem definido - estudantes das séries iniciais do ensino fundamental - e em uma circunstância específica - para o professor trabalhar os temas com os alunos. Contudo, considerando que nem sempre os quadrinhos são a forma mais adequada para o registro de informações científicas e, como pontuado por Guimarães (2001), dependerá muito da relação estabelecida entre desenho e informação, havia dúvidas se as cartilhas produzidas poderiam ser consideradas instrumentos apropriados para o desenvolvimento dessa ação educativa.

O MDS, então, solicitou diversas avaliações, que abrangeram: a análise conceitual do projeto, a avaliação dos conteúdos dos materiais desenvolvidos, a percepção dos professores e estudantes em relação ao material educativo e sua efetiva utilização no âmbito escolar, as estratégias propostas pelas escolas para utilização dos materiais, a utilização pelos estudantes, e a valorização do tema "Alimentação saudável" por esse público a ser atingido.

Este trabalho, portanto, apresenta parte dessas avaliações, resultado da análise das cartilhas em quadrinhos, a serem utilizadas como material didático, destinadas a instruir professores e alunos sobre alimentação saudável.

 

Metodologia

O presente estudo resulta de uma pesquisa descritiva e exploratória. A análise das histórias em quadrinhos baseou-se na metodologia proposta por Santos (2003) e Silva (2001). Primeiramente, foi realizada uma análise quadro a quadro, descrevendo os elementos verbais e visuais, que compõem a semântica da história em quadrinhos. Nesse sentido foi realizado um processo de denotação desses elementos, a saber: requadros, sarjetas, planos e ângulos de visão, balão, onomatopéia, legendas, metáforas visuais, linhas cinéticas e relação entre imagem e texto.

Neste processo foram descritos também os elementos da narrativa e da linguagem, que são: personagens, narração, tempo e espaço. Os personagens são os componentes mais importantes dos quadrinhos, pois são os sujeitos de toda história. Além do protagonista, há os antagonistas e os personagens secundários, devendo ser observado o modo como cada um destes é representado dentro da história.

No que se refere à narração, foi analisado se as histórias em quadrinhos eram narradas pelo personagem principal, na primeira pessoa, ou por uma terceira pessoa, um narrador ausente, porém onipresente. O tempo indica a época em que se passa a história ou a duração narrativa; e o espaço, o lugar onde ocorre o enredo para dar verossimilhança à narrativa.

Posteriormente, foi realizado um processo de conotação que consistiu em identificar e analisar os significados presentes na história. Cabe destacar que a interpretação sugerida, portanto possível, a cada quadrinho, não necessariamente será a interpretação atribuída pelo leitor. Nesta etapa buscou-se observar o relacionamento entre o conteúdo dos quadrinhos e os aspectos da realidade social, próximos às experiências dos leitores, neste caso crianças com idade entre seis e dez anos.

Por fim, foi analisado se as informações técnico-científicas apresentadas nas histórias em quadrinhos apresentavam-se corretas, para o que, em determinados momentos, foi necessário recorrer aos gestores do projeto para esclarecer, sobretudo, as referências científicas e literárias utilizadas e/ou indicadas pelos autores das histórias.

 

Apresentação e discussão dos resultados

Os resultados por ora apresentados agrupam características observadas nas três histórias do projeto "Criança saudável - educação dez", intituladas: 'Proteínas e carboidratos', 'Vitaminas e minerais' e 'O que é educação alimentar?'

Na história contada na cartilha "O que é educação alimentar?", o personagem principal é a Emília, e em torno dela se desenvolve a trama, que consiste na realização de uma reportagem sobre alimentação saudável. Todos os demais personagens são adjuvantes e auxiliam a personagem principal a descobrir e responder suas dúvidas sobre como se alimentar bem.

Na história em quadrinhos "Vitaminas e minerais", Emília embarca em uma aventura no Mundo das Vitaminas e dos Minerais. Nesse mundo, o personagem Vitamina A apresenta a Emília as vitaminas e os minerais, e expõe a importância de cada um deles para a saúde humana. Quando as vitaminas e os minerais questionam quem é Emília e percebem que ela é uma intrusa naquele mundo, a personagem vê-se obrigada a fugir e retorna para o Sítio do Pica-pau Amarelo.

Por fim, na história em quadrinhos "Proteínas e carboidratos" não há personagem principal: Dona Benta, Tia Nastácia e Emília se revezam na função de informar o leitor sobre um determinado assunto. A história inicia com a chegada do coronel Teodorico para almoçar. Dona Benta segue, então, para a cozinha, para cobrar de tia Nastácia o almoço, que ainda não está pronto. Enquanto esperam pelo almoço, as personagens trocam informações sobre a importância do arroz e do feijão, e falam da lenda indígena da mandioca e dos costumes alimentares de outros povos. E a história termina com o almoço sendo servido.

 

Os personagens

As histórias em quadrinhos das cartilhas da nutrição do projeto "Criança saudável - educação dez" utilizam os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo criados pelo escritor José Bento Monteiro Lobato.

A escolha da Turma do Sítio do Pica-pau Amarelo ocorreu devido às suas características que valorizam a cultura regional brasileira, bem como pelo caráter curioso e questionador de seus personagens (Oliveira, 2006). Apóia-se, por um lado, na imagem de personagens com as quais as crianças já se identificam - o que pode proporcionar uma melhor inserção do material - além de não haver os custos e o tempo envolvidos no processo de criação e caracterização dos personagens.

Contudo cabe ressaltar que a Editora Globo possui os direitos autorais sobre a obra do escritor, com exceção dos livros, e é hoje defensora dos interesses comerciais dos herdeiros de Monteiro Lobato. Registra-se que, somente na home-page da Editora, foram contados 115 produtos licenciados com marcas relacionadas ao Sítio do Pica-pau Amarelo e seus personagens.

Isso pode ter algumas implicações para o projeto, sabendo-se que, cada vez mais, as corporações buscam ganhar acesso a uma audiência cativa e introduzir, de diferentes maneiras, seus produtos nas escolas (Kanner, 2006). Subliminarmente, a criança associa a cartilha aos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo, ao programa de televisão e aos produtos licenciados, alguns dos quais apresentados nas propagandas de alimentos considerados pouco saudáveis.

É importante considerar, também, a construção dos personagens da obra lobatiana: no Sítio moram somente duas crianças, ambas curiosas e espertas - Narizinho e Pedrinho - que são criadas pela avó, Dona Benta, lúdica, brincalhona e nada repressora.

Sabe-se que o núcleo familiar brasileiro passa por transformações importantes, com a crescente participação da mulher na vida pública, com a desagregação familiar e o aumento de divórcios - observando-se, com isso, uma diminuição do número médio de pessoas por família, e um aumento de famílias chefiadas por mulheres ou de apenas uma pessoa – não se caracterizando tão fortemente o modelo familiar patriarcal no país (Gelinski, Ramos, 2004). No entanto, mesmo que se considere este panorama, sabe-se também que o padrão alimentar dos pais é um aspecto importantíssimo a ser considerado, pois são eles que criam condições, em casa, para a prática de uma alimentação saudável ou não. Neste caso, a opção pelo uso desses personagens impede a abordagem de determinados problemas alimentares, como, por exemplo, a obesidade, sob a perspectiva familiar.

O componente racista, subjacente à obra, é outro fator que necessita ser considerado pois, muito embora não se possa dissociar o contexto histórico no qual os personagens foram criados nem se possam distorcer as características primárias que os constituem, determinadas representações podem ser evitadas ao se utilizar a obra de Monteiro Lobato como referência para histórias contemporâneas.

Na obra de Monteiro Lobato observa-se que Dona Benta é a personagem branca, culta, prudente, sábia e bem arrumada. Tia Nastácia é a "negra beiçuda", termo usado pela boneca Emília para desrespeitar a personagem. Ela é cozinheira, medrosa e supersticiosa, e é a única pessoa que trabalha; seu personagem se congela num papel social e cultural predeterminado, carregado de conotação negativa, enquanto o resto do mundo vive a transformação como valor (Oliveira, 2004; Tezza, 2004). No Sítio do Pica-pau Amarelo, Lobato deixa clara a hierarquia social ao demarcar o lugar da cozinha e o da sala: aquele, o dos negros; e este, o dos brancos.

Este estudo não encontrou, no meio acadêmico, discussão sobre a figura do Saci na obra de Lobato, embora também esse personagem possa estar relacionado ao componente racista da obra lobatiana. O Saci, personagem folclórico criado por portugueses, é descrito como um menino de cor negra, perneta e com uma das mãos furadas, impertinente e assustador. Embrenha-se nas matas (tal como fizeram os escravos fugitivos) para fazer travessuras, assustar as pessoas e roubar; e, nesse sentido, no consenso imaginário, é a expressão simbolizadora do preconceito ao escravo e ao alforriado africano e seus descendentes (Sant'Anna, 2006). Além disso, no folclore, todas as entidades são estranhas e zoomórficas; já o Saci é um menino mesmo, mas magrelo e negro.

Em outras culturas latino-americanas, esse personagem também aparece, como, por exemplo, na Argentina, onde é chamado de Yasi Yatere, sendo descrito como um ser que anda nu, com cabeleira loura (originalmente é possível que tenha sido prateada), e que usa um grande chapéu de palha (Blick, 2002). Também o saci argentino faz as mesmas travessuras relatadas na lenda brasileira. Contudo, na lenda do Saci, como identidade brasileira, agregaram-se-lhe tintas sombrias de inferioridade racial e preconceito (Sant'Anna, 2006).

De forma que, considerando-se o didatismo da obra de Lobato e, especificamente, o uso de seus personagens no projeto "Criança saudável - educação dez", o quadro apontado é bastante relevante para a criança no que se refere à construção das representações sociais. Estas dizem respeito à maneira como os grupos sociais constroem e organizam os diferentes significados dos estímulos do meio social e as possibilidades de respostas que podem acompanhar esses estímulos (Pereira, Torres, Almeida, 2003; Arruda, 2002). Isso significa que as representações sociais têm, como característica, o fato de não serem resposta a um estímulo do meio social, e sim uma construção do significado desse meio; além disso, elas fundamentam as ações sociais, não porque guiam o comportamento, mas por construírem o ambiente para a ocorrência do comportamento (Pereira, Camino, 2003).

Nas histórias em quadrinhos do projeto, não é muito diferente. Tia Nastácia e Tio Barnabé sempre são os personagens que trabalham, respectivamente, na cozinha e na horta. Mesmo em uma situação de emergência - como a retratada em "Proteínas e carboidratos", em que o leitor é informado, desde o começo da história, que o almoço a ser servido para uma visita está atrasado - essa representação não se modifica. Na mencionada história, em momento algum, Dona Benta se dispõe ou é apresentada ajudando Tia Nastácia a terminar o almoço; pelo contrário, em dois trechos, Dona Benta claramente cobra o almoço e nota-se que a culpa pelo atraso recai sobre Tia Nastácia, que é apresentada com expressão de culpa e desconforto pelo ocorrido.

A informação comunicada por esses personagens é restrita ao conhecimento popular, como pode ser observado na cartilha "O que é educação alimentar?", em que Emília pede a Tia Nastácia: "Explica pra gente como é a alimentação da turma do Sítio". A cena avança para a imagem de uma horta e não há nenhuma outra cena em que Tia Nastácia aparece explicando a alimentação do Sítio. Aqui dois fatos se somam: a pergunta reservada ao personagem está relacionada ao observável no seu cotidiano, logo, não há espaço para um saber mais erudito; e, ao chegar o momento da personagem falar, o autor opta por não verbalizar, e as cenas seguintes são imagens da Emília e da Tia Nastácia na televisão, assistida pela personagem Cuca.

Também na cartilha "Proteínas e carboidratos" reforçam-se os estereótipos e a submissão de Tia Nastácia quando esta trata Dona Benta por "sinhá": "Sabe, sinhá, eu pedi para a Emília trazer uns livros de receitas!..." (grifo da autora). Este termo - "sinhá"- fez parte da linguagem popular brasileira e era o tratamento utilizado pelos escravos a sua senhora (Ferreira, 2004), e representava a submissão e o pertencimento do escravo à senhora branca. Palavra obsoleta no mundo contemporâneo, sua utilização em uma história atual é injustificável e inadmissível.

Observou-se, deste modo, que as histórias em quadrinhos do projeto "Criança saudável - educação dez", contribuem para a criança construir um ambiente de significação em que o comportamento racista é visto como algo normal e aceitável, perpetuando-o na sociedade brasileira.

 

Apresentação das imagens e textos/narrativa

Nas três histórias, quanto à apresentação das imagens e dos textos, percebe-se o uso excessivo do ângulo de visão médio, o que pode tornar a história cansativa e monótona, por ser utilizado em cenas de ação mais lenta (Rama, Vergueiro, 2004). Na história "Vitaminas e minerais", esse uso é minimizado, pela ação e drama presentes nos quadrinhos, o que não ocorre nas demais. Nesta história o roteiro é envolvente, ainda que em determinado momento torne-se extremamente narrativo, perdendo um pouco de ritmo e ficando cansativo, com o uso de muitas legendas na parte superior dos quadros.

Por outro lado, em "Proteínas e carboidratos", o roteiro não possui uma ação clara e é pouco envolvente, pois os personagens passam a maior parte do tempo contando "histórias", com o uso de muitas legendas e pouco diálogo. A apresentação da lenda da mandioca, possivelmente, é o trecho da história que mais envolva o leitor, pois expõe um drama, tendo como tema a morte que, normalmente, é muito significativa para a criança.

Já na história "O que é educação alimentar?", o roteiro não apresenta nenhum drama e é também pouco envolvente, pois usa o artifício da reportagem para os personagens apresentarem diversos conceitos ao leitor. Em alguns trechos, as falas são muito extensas, sem que haja, propriamente, um diálogo entre os personagens. Na verdade, os vários temas abordados vão sendo apresentados ao leitor ora por legenda, ora por alguém respondendo a Emília, ora simplesmente com a Emília "narrando".

As três histórias apresentam diversas divergências em sua linguagem imagética, que levam o leitor não-alfabetizado à confusão quanto ao seu significado, seja pela relação estabelecida entre imagem e texto, seja somente na leitura da imagem.

Ao representar a Torre de Pisa e uma mulher vestida com indumentária japonesa e com um par de hashi na mão - mas sem nenhum traço fisionômico japonês - a mensagem só será plenamente reconhecida pelo leitor que conheça essas referências culturais. Certamente a Torre de Pisa é um símbolo monumental da cultura italiana, bem como os modos de comer e de se vestir dos japoneses são bastante peculiares; mas, é muito provável que não sejam representações claras para todas as crianças, especialmente aquelas que ainda estão em processo de alfabetização. Nas demais cenas, para que a mensagem seja compreendida, é necessário complementar a leitura visual com a textual, dificultando, para os leitores não-alfabetizados, a compreensão e o reconhecimento de toda a informação que o autor desejava transmitir. Tal fato, porém, pode ser minimizado caso o professor aborde e aprofunde o tema em questão com os estudantes, conforme previsto no Caderno do Professor.

 

Conteúdo científico

Na história "Vitaminas e minerais", a personagem Vitamina A faz a seguinte narração: Bom, pelo menos, temos mais um reforço para combater as doenças, inclusive algumas causadas pelo ataque de vírus e bactérias ou por falta de vitaminas e minerais. E, então, aparecem personagens representando as seguintes doenças: anemia, gripe, infecção e desnutrição.

Sabe-se que a desnutrição é uma patologia decorrente de déficit energético protéico na alimentação (Mahan, Escott-Stump, 2002; Monteiro, 1985). De modo que, ao representar a desnutrição neste quadro, uma informação incorreta é dada ao leitor, pois a interpretação é que a desnutrição pode ser causada por vírus ou bactérias ou pela falta de vitaminas e minerais.

Ao fim desta mesma história, Emília é retratada pálida em decorrência de um susto. Tia Nastácia, não sabendo o que havia acontecido, sugere uma vitamina de frutas, para fazer Emília recobrar a cor, e pega uma maçã. No entanto, não é estabelecida nenhuma relação de causalidade entre a palidez e a ingestão de vitaminas. Aqui cabe o seguinte questionamento: Por que a vitamina de frutas é uma boa pedida quando se está pálido? Qual a mensagem que se pretende comunicar ao leitor?

A palidez cutânea, quando não resulta de uma reação emocional, está relacionada a alguma patologia (no contexto da história, seria com a anemia). Por sua vez, a anemia é prevenida pelo consumo de alimentos que contenham ferro, como: carnes vermelhas, grão-de-bico, mariscos, hortaliças de folhas verde-escuras, açaí, entre outros. Desse modo, em termos científicos, a mensagem informada não faz sentido algum.

Já na história "Proteínas e carboidratos", destacam-se três mensagens. Em uma passagem da história Emília afirma: "Então, deixa ver se eu entendi. Para o nosso corpo crescer saudável, é preciso ter uma alimentação bem variada!". Contudo, na seqüência anterior, comenta-se apenas sobre os alimentos protéicos. Assim, fica muito difícil compreender como a personagem Emília conclui que a alimentação variada é importante para o corpo crescer. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, uma alimentação variada é aquela que propicia "o consumo de vários tipos de alimentos" que fornecem os diferentes nutrientes, evitando "a monotonia alimentar, que limita a disponibilidade de nutrientes necessários para atender às demandas fisiológicas e garantir uma alimentação adequada" (Brasil, 2005, p.38). Assim, uma alimentação variada é aquela que fornece diferentes nutrientes, a saber: proteínas, carboidratos, vitaminas, minerais e gorduras.

Logo, pode-se inferir que há um erro conceitual grave nesse trecho da história, pois tal como se apresenta a informação, a interpretação do leitor será a de uma alimentação variada relacionada somente aos alimentos protéicos.

A segunda mensagem a ser destacada apresenta-se na lenda indígena, contada nesta história em quadrinhos, sobre a origem da mandioca. Na versão apresentada, há um componente diferente de outras, no que se refere ao nascimento de Mani, quando relata que "nasceu uma menina branca como a Lua" (grifo da autora). Nos relatos de pesquisadores como Luís da Câmara Cascudo (2004) e Edgar Normanha (2002), e da escritora Helena Pinto Vieira (apud Lenise Resende, 2003), esta referência não aparece.

Por meio de entrevista com os gestores do projeto, foi averiguado que a referência utilizada nessa passagem foi uma publicação do Ministério da Saúde, intitulada Alimentação e Cultura (Brasil, 1999). Esta publicação não possui a bibliografia utilizada como referência para esse trecho e apresenta duas versões: uma, de autoria de Helena Pinto Vieira; e outra, com texto adaptado de Maria Thereza Cunha de Giacomo. Esta última faz referência ao nascimento de uma menina branca; no entanto, a publicação não traz a bibliografia utilizada por essa autora, impossibilitando maior aprofundamento a respeito.

Os índios do Brasil são povos que diferem entre si. Cada grupo indígena apresenta usos e costumes, atitudes, hábitos, organização social, crenças e filosofia peculiares e distintas. Portanto, cada povo terá também seu folclore e, conseqüentemente, cada um irá elaborar suas lendas como forma de valorizar o que lhe é importante (Cascudo, 2004). Assim como ocorre com outras lendas, é possível também existir diferentes explicações sobre a origem da mandioca.

Chama a atenção, contudo, que a lenda apresentada na história em quadrinhos corresponda à versão menos usual nas referências pesquisadas, quanto ao elemento destacado (nascimento de uma menina branca), seja pelo fato de só ter sido encontrado um relato, seja pelo fato de não estar referenciada, como é o caso da publicação do Ministério da Saúde. Esta discussão é importante, na medida em que a afirmação de que nasce uma menina branca pode se configurar, para os povos indígenas, como uma incorporação, que se constitui proposta de dominação cultural por meio de uma reinterpretação da lenda (Benjamin, 2002). Seria, portanto, apropriada uma profunda e extensa pesquisa relacionada ao tema, que busque referências que dêem voz aos povos indígenas, e que não sejam somente textos escritos por outras culturas.

A terceira mensagem apresentada na história "Proteínas e carboidratos" refere-se à origem da feijoada, em que o autor afirma que a mesma foi trazida ao Brasil pelos africanos. Convencionalmente, é dito que a feijoada foi inventada nas senzalas. Contudo, alguns historiadores (Pombo, 2006; Cascudo, 2004) apontam que o hábito de combinar carnes de porco salgadas, verduras, legumes e feijão branco era uma tradição mediterrânea. O historiador Rodrigo Elias (2004) lembra que as partes salgadas do porco, como orelha, pés e rabo, nunca foram restos e eram muito apreciados na Europa, ao passo que o alimento básico nas senzalas era uma mistura de feijão com farinha.

Por fim, na história "O que é educação alimentar?", destaca-se o trecho final em que a personagem Cuca está parada sobre uma bicicleta ergométrica, com o braço suspenso no ar, e seu semblante é o de quem está desconcertado. A personagem declara: "Sabe que essa boneca tem razão? Eu estava fazendo ginástica e continuava gorducha!".

Aqui a dificuldade relaciona-se com o fato de que, em nenhum momento da história, Emília ou outro personagem estabeleceu a relação entre alimentação e atividade física. De modo que é preciso que o leitor deduza que isso foi comentado na reportagem, sem ter sido mencionado diretamente. No entanto, tal pulo temático na história não é interessante, pois pode prejudicar a compreensão da história pelas crianças.

 

Textos complementares

Dois textos complementares são apresentados, após a história em quadrinhos, em cada cartilha, conceitualmente para aprofundar o tema apresentado em cada história. No entanto, nas cartilhas "Vitaminas e minerais" e "Proteínas e carboidratos", são abordados outros temas: nesta, o cuidado com a carne e o consumo de gordura; e naquela, o consumo de sal, açúcar e uma alimentação saudável.

Na cartilha "Vitaminas e minerais", poderiam ter sido explorados textos que abordassem, por exemplo, as fontes dos minerais e das vitaminas, bem como a relação de biodisponibilidade entre eles; na outra história, como o enfoque maior é dado à cultura alimentar, poderiam ter sido aprofundadas questões relacionadas aos alimentos fontes de proteínas e carboidratos.

Quanto à cartilha "O que é educação alimentar?", os textos complementares apresentam-se adequados para a proposta de uma abordagem ampla da alimentação e nutrição.

Uma última consideração referente às três cartilhas merece ser mencionada quanto aos textos complementares: o tamanho das letras dos textos é muito pequeno; considerando que o público focado pelo Projeto são crianças em fase de alfabetização, textos longos e com letras pequenas são pouco apropriados, cansativos e logo dispensados da leitura pretendida.

 

Outros elementos analisados

Ainda é importante ressaltar a inadequação do título da história "O que é educação alimentar e nutricional?". Seguindo o que foi apresentado na história em quadrinhos, poderia ser definido pelo leitor que educação alimentar e nutricional é alimentar-se bem, comer frutas, verduras e legumes, plantados na horta e nos horários considerados corretos; bem como comer sem exageros e evitar o desperdício.

Primeiramente, é preciso considerar que os elementos citados na frase anterior constituem-se como objetos da educação alimentar. E, segundo, que educação implica uma ação: a de educar. Não se pretende esmiuçar o conceito de educação alimentar e nutricional, mas é importante ressaltar aqui a diferença entre o objeto ("alimentar-se bem, comer frutas, verduras e legumes, plantados na horta e nos horários considerados corretos; bem como comer sem exageros e evitando o desperdício") e a ação (educar para uma alimentação saudável).

Portanto, seria mais apropriado que a história em quadrinho apresentasse outro título, pois em nenhum momento a história traz a definição do que seja educação alimentar e nutricional.

 

Conclusão

O presente trabalho buscou avaliar as cartilhas do projeto "Criança saudável - educação dez" como material didático de educação alimentar e nutricional, dirigido aos alunos das séries iniciais do ensino fundamental. As cartilhas da nutrição, como também são chamadas, possuem falhas importantes na elaboração dos seus elementos visuais, da narrativa, da linguagem empregada e na conotação das histórias. Assim, esta análise identificou que as histórias desenvolvidas:

1 manifestam componentes de discriminação racial.

2 apresentam erros conceituais e históricos relacionados à alimentação e nutrição.

3 possuem, em sua linguagem imagética, divergências que levam o leitor não-alfabetizado à confusão, quanto ao seu significado.

Desta avaliação, foram levantadas diversas recomendações para os gestores do projeto, entre as quais se destacam duas. A primeira, refere-se ao desenvolvimento de personagens próprios para o projeto e ao cuidado na elaboração do roteiro, de modo a respeitar a diversidade racial e refletir a multiculturalidade brasileira. A segunda, que o roteiro das histórias em quadrinhos seja revisado por um supervisor científico da área da nutrição.

Reconhece-se, entretanto, que as cartilhas podem ser importantes instrumentos de estímulo, para sensibilizar alunos e professores para o tema alimentação e nutrição. Embora as inconsistências nelas encontradas não cheguem a comprometer o projeto "Criança saudável - educação dez", as suas atuais apresentações revelam uma delicada relação ética com o uso de personagens, que foram criados dentro de um contexto eugenista e que, também, são utilizados em propagandas de alimentos pouco saudáveis.

Finalmente, espera-se que a metodologia utilizada neste trabalho possa subsidiar na análise dos materiais que serão desenvolvidos na continuidade do projeto, se for mantida como estratégia a utilização de histórias em quadrinhos.

 

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Recebido em 30/11/06.
Aprovado em 06/02/08.

 

 

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* Baseado no documento técnico produzido no âmbito do Projeto 914BRA3026 - Unesco/MDS.

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