EDITORIAL

 

 

O fascículo 28 abre o décimo segundo ano de publicação de nosso periódico, momento oportuno para um balanço do trabalho editorial com a comunidade de leitores, autores e avaliadores. Dentre as diferentes questões que compõem o processo de comunicação científica, gostaríamos de destacar as principais razões pelas quais os manuscritos são rejeitados em seu processo de avaliação de mérito científico.

Como outros periódicos nacionais e internacionais, Interface adotou uma etapa inicial de pré-avaliação, na qual seu Corpo Editorial (editores, editores assistentes e editores associados) busca responder aos autores, com brevidade, se o manuscrito atende aos requisitos da revista e de um documento científico. Aprovado nesta etapa, o processo segue para a segunda e mais longa avaliação, realizada, nessa fase, pelos membros do Conselho Editorial Científico ou por avaliadores ad hoc.

Em 2008, 46% das 429 submissões recebidas foram rejeitadas nessa etapa de pré-avaliação. Entre as razões mais constantes para a alta frequência de rejeição estão: o desacordo com as normas de submissão e a não adequação do manuscrito ao escopo da revista. É importante ressaltar que parte das recusas se deve ao caráter interdisciplinar de nosso periódico e à não aceitação de textos cuja temática ou abordagem seja muito específica de uma área de conhecimento. Neste caso, buscamos orientar os autores a encaminharem seus manuscritos a periódicos que melhor alcancem os leitores daquela área. Outros aspectos da qualidade do manuscrito que motivam sua rejeição na pré-avaliação compreendem a originalidade e relevância da temática tratada. A experiência tem indicado que a etapa de pré-avaliação é extremamente importante por reduzir o tempo de avaliação, nos casos de um julgamento negativo. Permite, ainda, interação entre autor e editor, já no início do processo, dando mais agilidade na tramitação dos manuscritos submetidos e, nos casos de aprovação em pré-avaliação, da análise de mérito por pares.

Na segunda etapa de avaliação dos manuscritos, com a colaboração efetiva dos editores associados, membros do Conselho Editorial Científico e avaliadores ad hoc, as razões mais frequentes para a rejeição têm sido: o objeto do estudo está mal-estruturado ou pouco claro; o referencial apresentado não alcança a densidade teórico-metodológica requerida e/ou não traz elementos suficientes para expor as questões do manuscrito e o debate dentro do campo, contribuindo para o avanço do conhecimento ou trazendo novas questões ou propostas para o debate; o desenho estabelecido para o estudo não está adequado aos seus objetivos e/ou há uma desarticulação do mesmo com a descrição e análise dos resultados e conclusões do estudo; em muitos casos, falta clareza na descrição dos objetivos e/ou do problema da investigação; os resultados são apenas descritivos, sem uma análise e interpretação apoiadas pelo referencial escolhido; as conclusões apresentadas não são sustentadas pelos resultados obtidos e não respondem ao problema levantado e aos objetivos propostos; as características desejáveis de um texto científico - entre as quais: objetividade, clareza de idéias, sintaxe e gramática - são desconsideradas na apresentação do manuscrito; no caso de estudos teóricos, além dessas características, muitas vezes os textos são rejeitados pela falta de coerência interna e consistência teórica e argumentativa.

É importante ressaltar que, em caso de rejeição de manuscrito, há uma preocupação especial dos editores responsáveis pelo processo, ao se comunicarem com o autor, de apresentarem os pareceres emitidos (ou a síntese deles), no sentido de colaborarem para a sua reelaboração e possível superação de suas deficiências.

Por fim, cabe comentar que, como todo processo que avalia a produção, este não é simples ou fácil e está sempre em amadurecimento. Faz-se por meio das trocas entre os pares, entre os que são avaliados e os que avaliam, sendo estas as situações que todos nós alternamos. Ser criticado é tão difícil quanto criticar e temos buscado o bom trânsito por essas situações, estimulando a crítica construtiva e o diálogo franco e direto entre Interface e os autores, bem como entre aqueles que colaboram como revisores dos manuscritos submetidos à revista.

Instamos, assim, os colaboradores interessados em publicar na Interface a se sentirem à vontade para o uso dessa comunicação.

 

Os editores
Antonio Pithon Cyrino
Lilia Blima Schraiber
Miriam Foresti

UNESP Botucatu - SP - Brazil
E-mail: intface@fmb.unesp.br