TESES

 

A abordagem à sexualidade masculina na atenção primária à saúde: possibilidades e limites

 

El abordaje de la sexualidad masculina en la atención primaria de salud: posibilidades y límites

 

The approach to male sexuality in Primary Health Care: possibilities and limitations

 

 


Palavras-chave: Sexualidade, Gênero e Saúde, Masculinidade, Saúde do Homem, Atenção Primária à Saúde.


Keywords: Sexuality, Gender and Health, Masculinity, Men's Health, Primary Health Care.


Palabras clave: Sexualidad, Género y Salud, Masculinidad, Salud del Hombre, Atención Primaria de Salud.


 

 

A relação masculinidades-saúde tem sido investigada por vários estudos nos últimos anos. A aproximação dos homens às práticas de cuidado e aos serviços de saúde é apontada como um desafio que esbarra na construção social das masculinidades e no direcionamento dos serviços para a atenção a mulheres e crianças. Este trabalho tem o objetivo de compreender como as questões relativas à sexualidade masculina são abordadas na Atenção Primária à Saúde. Para tanto, investiga: como homens, situados no contexto de pobreza urbana, percebem e lidam com a sexualidade e com necessidades em saúde sexual; como a sexualidade masculina se configura como tema e demanda nos serviços de saúde, e como interagem profissionais e usuários frente a ela. Trata-se de um recorte de pesquisa multicêntrica, voltada para a investigação da relação dos homens com os serviços de Atenção Primária à Saúde. Este recorte se detém na análise da observação etnográfica da estrutura e do funcionamento de duas Unidades Básicas de Saúde da cidade de Natal/RN, Brasil, e de entrevistas semiestruturadas com 57 homens, usuários desses serviços. O trajeto analítico-interpretativo foi orientado, no campo teórico, pela perspectiva de gênero e, no campo metodológico, pela hermenêutica filosófica. Os resultados permitem vislumbrar a relação entre diferentes construções do ser homem e o exercício da sexualidade. Nos serviços pesquisados, além de uma desigualdade na atenção dada a homens e mulheres, nota-se que a abordagem à sexualidade de ambos é feita de forma diferente. Está presente a imagem de uma sexualidade masculina ativa, impulsiva e exacerbada, em oposição à de uma sexualidade feminina passiva e atrelada à reprodução. Isso pode ser visto na distribuição de camisinhas, feita, para os homens, com sentido prioritário de prevenção de DST/AIDS e, para as mulheres, como método contraceptivo. Destacam-se ainda, como assuntos dessa abordagem: as DST/AIDS, problemas relativos à ereção e a prevenção do câncer de próstata. De forma geral, a abordagem à sexualidade masculina é reduzida aos termos da medicalização e cerceada por valores morais. Não são considerados os sentidos e significados que os assuntos apresentados podem assumir para os homens. Além disso, as demandas em saúde sexual, apresentadas pelos usuários, recebem pouca atenção e são, com frequência, consideradas objeto de serviços especializados. Configura-se, assim, um quadro em que a vulnerabilidade dos homens ao adoecimento sexual parece estar atrelada - para além dos aspectos individuais e sociais da construção das masculinidades - à elaboração das políticas públicas de saúde e à estrutura organizacional dos serviços. O trabalho aponta para a possibilidade de articulação do polo homem-sexualidade, pouco presente nos serviços, ao polo mulher-reprodução. Defende a adoção de uma noção de saúde sexual e uma abordagem da sexualidade masculina (e feminina) mais contextualizadas com a perspectiva de gênero, dos direitos sexuais, da promoção e proteção da saúde.

 

Thiago Félix Pinheiro
Dissertação (Mestrado), 2010.
Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade
de Medicina, Universidade de São Paulo.
thiagopinheiro@hotmail.com

 

 

Texto na íntegra disponível em:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-04112010-154702/pt-br.php

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