APRESENTAÇÃO

 

 

Com alegria registramos a escolha do tema da formação para este número da Revista Interface Comunicação, Saúde, Educação que, desde seus primeiros fascículos, vem manifestando um compromisso com seu tempo e com uma "política estética", tão expressa nas páginas de suas diferentes edições. Com a postura de contribuir para uma "textualidade heterogênea", vem assumindo o papel de se constituir num laboratório de ideias, de culturas e de saberes. Por si só, a própria Revista se constitui como um espaço de formação.

Este termo, porém, exige uma reflexão conceitual para alcançar suas reais possibilidades de comunicar um significado. Pode estar ligado preponderantemente, ao mundo do trabalho e à força produtiva, atribuindo à expressão formação um caráter pragmático e utilitário. Mas pode assumir uma visão mais ampla de cunho humanista, que atribui à formação uma condição axiológica, alargando a perspectiva anteriormente mencionada.

A compreensão do significado de formação tem profunda relação com o lugar e o tempo em que se realiza. Se entendermos a formação como processo vital, que acompanha o homem enquanto ele vive, os lugares da formação serão múltiplos, assim como o tempo dedicado para tal.

A virada epistemológica, que favoreceu a ruptura com os princípios da ciência moderna, favoreceu a compreensão de que os processos de formação são intencionais, incluem a subjetividade dos envolvidos e se instituem em contextos históricos e geográficos definidos. Nesse sentido, formação é sempre auto-formação, mesmo contando com estímulos externos. Coerente com esses princípios, instalou-se a busca de uma genealogia para fazer avançar o conhecimento e construir teorias que pudessem ajudar a explicação dos fenômenos. Tal perspectiva distanciou-se das grandes generalizações porque procurou valorizar tanto as regularidades quanto as especificidades das construções cotidianas.

Esse pode ser o estruturante que alinha os diferentes estudos apresentados neste número da Revista que tem a formação como principal eixo articulador. Sem distanciar-se do campo que dá especificidade ao tema, amplia a compreensão dos processos de formação, assumindo a sua complexidade e a importância do protagonismo na sua produção.

Inova, ainda, a Revista, ao publicar pela primeira vez, nesses 15 anos de sua trajetória, uma reflexão em linguagem de vídeo intitulada "Mas de que forma/fôrma?" uma expressão absolutamente pertinente para explicitar a ambígua possibilidade que o vocábulo formação contém. A linguagem de imagens se constitui na materialização de uma experiência de formação que assume a subjetividade como valor em que "as sensações serão o ponto de partida, com o objetivo de construção de um território com várias teias, suficiente para dar consistência às experiências vividas".

Esta é a trilha para a humana formação, na feliz expressão de Miguel Arroyo. Completa ela a perspectiva de formação como caminho, trajetória, investigação, reflexão, companheira inseparável da experiência. Esta inspiração permeia os textos apresentados neste número de Interface, que deseja ter nos leitores parceiros de apreensão dos seus significados.

 

 

Maria Isabel da Cunha
Scientific Editorial Board
Interface Comunicação, Saúde, Educação

UNESP Botucatu - SP - Brazil
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