TEMAS LIVRES

 

Como nossos pais? Gerações, sexualidade masculina e autocuidado

 

Like our parents? Generation, masculinity sexuality and self-care

 

 

Rosane Berlinski CunhaI; Lúcia Emilia Figueiredo de Sousa RebelloII; Romeu GomesIII

IInstituto Fernandes Figueira, Fiocruz. Endereço eletrônico: rosanebbc@iff.fiocruz.br
IIInstituto Fernandes Figueira, Fiocruz. Endereço eletrônico: rebello.lucia@gmail.com
IIIInstituto Fernandes Figueira, Fiocruz. Endereço eletrônico: romeu@iff.fiocruz.br

 

 


RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo analisar a relação entre os sentidos atribuídos por homens, de dois intervalos geracionais diferentes, à sexualidade masculina e ao cuidar de si. Buscou-se identificar se houve mudança no posicionamento desses homens em relação aos cuidados em saúde e se esta mudança é influenciada por aspectos geracionais. O estudo ancora-se nos marcos conceituais teóricos: geração e roteiro sexual. O desenho metodológico é de análise de narrativas. As fontes analisadas são parte do acervo de duas pesquisas realizadas na cidade do Rio de Janeiro com homens com ensino superior e universitários, que tiveram iniciação sexual nos anos 1970 e 1990, respectivamente. Os resultados mostram que os homens estudados se acham confrontados com a inadequação da construção social do masculino e as novas demandas femininas, buscando um novo modelo. Observaram-se permanências e rupturas de padrões hegemônicos da masculinidade, o que está relacionado com a forma como o homem cuida de si.

Palavras-chave: intervalo entre gerações; sexualidade; masculinidade; autocuidado.


ABSTRACT

This paper aims to examine the relationship between the meanings of male sexuality and how male individuals from two different generations take care of their health. We sought to identify whether there were changes regarding the standing of these men in relation to health care, and whether these changes were influenced by generation gaps. The study is anchored in two theoretical conceptual frameworks: generation and sexual script. We used the narrative analysis methodology, and the sources of this study are part of two surveys conducted in Rio de Janeiro with men of higher education as well as university students, whose sexual initiation occurred during the 1970's and 1990's, respectively. The results show that the subjects are currently facing an inadequate male's social model in conjunction with the new social demands from the females, therefore seeking a new model for themselves. During this study, both permanent and changing patterns of hegemonic masculinity were noted to be related to how men take care of their own health.

Key words: Interval between generations; sexuality; masculinity; self-care.


 

 

Introdução

No âmbito da saúde, a masculinidade tem sido foco de discussão. Gomes (2008), com base em Connell (2007), Keijzer (2003) e Oliveira (2004), conceitua a "masculinidade como um espaço simbólico que serve para estruturar a identidade de ser homem, modelando atitudes, comportamentos e emoções a serem seguidos" (p. 70). Esse conceito pode ser traduzido – a partir de uma perspectiva de gênero – por atributos, valores e condutas, dentre outros aspectos, esperados de um homem numa determinada cultura e que podem se diferenciar no tempo e nos distintos segmentos sociais.

As relações entre modelos de masculinidade e cuidados de saúde vêm sendo amplamente discutidas no âmbito da saúde pública (COSTA, 2003; GOMES et al, 2008; KORIN, 2001; SCHRAIBER; GOMES; COUTO, 2005; COURTENAY, 2000 e 2002; PAYNE,2004), destacando que o modelo hegemônico de ser homem, além de exercer influência no cuidado do homem consigo mesmo e com os outros – o autocuidado1 – traz implicações diretas na saúde feminina. Nesse sentido, este modelo de masculinidade tem se estruturado como uma barreira cultural entre o homem e o autocuidado nas negociações de medidas preventivas (GOMES, 2003).

A resistência dos homens em se cuidar decorre das variáveis culturais ligadas aos estereótipos de gênero que permanecem na nossa cultura. O "ser homem" estaria relacionado à ideia de invulnerabilidade, força e virilidade (GOMES, 2008; COURTENAY, 2000) e, portanto, cuidar de si e dos outros pode não ser visto como atribuições masculinas, estando associado ao feminino (GOMES et al, 2007; SCHRAIBER; GOMES; COUTO, 2005; PAYNE, 2004). Esta ideia pode, entre outros aspectos, levar os homens a práticas sexuais que colocam a si e seus parceiros em situação de vulnerabilidade.

A partir desta perspectiva, pretende-se analisar a influência dos modelos de masculinidade compartilhados pelo senso comum nos enredos sexuais de homens de intervalos de gerações diferentes. Busca-se, ainda, analisar se esses modelos influenciam o autocuidado de homens que, em princípio, têm acesso à informação.

A discussão ancora-se em dois marcos teórico-conceituais. O primeiro deles é o de geração. Essa categoria analítica, como observa Alves (2009), pode ser considerada a partir de duas perspectivas. A primeira se refere ao posicionamento no interior da estrutura de parentesco, vinculada à organização social do ciclo de vida, enquanto a segunda diz respeito ao coletivo de indivíduos que vivem em determinada época ou tempo social, que têm aproximadamente a mesma idade e compartilham alguma forma de experiência ou vivência (ALVES, 2009). Este artigo trabalha com a segunda perspectiva.

O estudo de distintas gerações, segundo Domingues (2002), pressupõe que devem ser consideradas as dimensões hermenêuticas (normativas, cognitivas e expressivas) das diversas coletividades que influenciam umas às outras. Este jogo de influências é importante para que se possa de fato entender como se constituem as coletividades particulares e a vida social.

Roteiro sexual, baseado na perspectiva sociológica de Gagnon (2006), é o segundo marco teórico-conceitual do nosso estudo. Esse conceito se refere a um conjunto de elementos simbólicos e não-verbais ligados à sexualidade, que estruturam uma sequência de condutas delimitadas no tempo, que configuram os atores dessas condutas, descrevem suas qualidades e indicam motivos do comportamento dos participantes encaminhando a finalizações exitosas (GAGNON, 2006). Esses roteiros são construídos a partir das experiências sexuais que foram apreendidas e inscritas na consciência, formando scripts. Devido à sexualidade humana ter limites, os scripts sexuais irão descrever os cenários de uma sexualidade possível (BOZON, 2004). Segundo Bozon (2004), há três categorias de scripts: os intrapsíquicos, os interpessoais e os culturais, que se manifestam, respectivamente, no plano subjetivo da vida mental, no plano da organização das interações sociais e no plano de prescrições culturais mais gerais ou cenários culturais – estes funcionando como esquemas de interpretação. Os scripts culturais têm uma função estruturante para o imaginário sexual de grupos, para os relacionamentos e para os indivíduos. O principal efeito da estruturação dos scripts é inscrever a sexualidade em uma dramaturgia dos roteiros sexuais.

Neste artigo serão considerados os enredos sexuais de homens de duas gerações distintas no sentido de problematizarmos o autocuidado relacionado à saúde sexual. Nos enredos serão focalizadas as primeiras experiências sexuais, verificando tanto as homologias como as especificidades dos relatos dessas experiências.

 

Material e método

O corpo analítico deste estudo é constituído por parte do acervo de duas pesquisas realizadas com homens na cidade do Rio de Janeiro. A primeira delas, sob o título A construção da masculinidade como fator impeditivo do cuidar de si, teve a proposta de compreender algumas ideias que se encontram no imaginário social relacionadas ao "ser homem" e que podem comprometer a saúde dos homens. A segunda pesquisa, intitulada Sexualidade masculina e cuidados de saúde, se propôs a analisar os sentidos atribuídos por homens à sexualidade masculina e aos cuidados de saúde no campo da sexualidade.

Ambas as pesquisas de cunho qualitativo, aqui denominadas pesquisa I e pesquisa II, foram desenvolvidas com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aprovadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz sob os registros 00330008000-03 e 00070008000-07, respectivamente.

O acervo da pesquisa I compreende 28 entrevistas realizadas com homens com idade acima de 40 anos, sendo: 10 médicos, 8 homens com ensino superior (não-médicos), 10 homens com nenhuma ou pouca escolarização – que declararam ter iniciação sexual nos anos 1970. O acervo da pesquisa II compreende 42 narrativas de homens jovens (20 com baixa escolaridade - séries iniciais do ensino básico – e 22 universitários) nascidos na segunda metade da década de 1980, que declararam ter iniciação sexual nos anos 1990.

Nas duas pesquisas, a seleção dos sujeitos foi realizada a partir do critério de universos familiares (VELHO, 1982; VAITSMAN, 1994). Neste sentido, pessoas conhecidas do pesquisador indicaram outras a serem entrevistadas, e estes, por sua vez, indicaram novos entrevistados. Outro critério utilizado foi o de os sujeitos pertencerem a uma mesma geração (VAITSMAN, 1994).

Privilegiou-se o acervo destas pesquisas ao pretender estudar homens pertencentes a diferentes intervalos geracionais e por focalizar aspectos culturais que possam influenciar os homens em relação ao autocuidado voltado para a saúde e sexualidade. Esta amostra foi composta a partir dos seguintes critérios recomendados por Minayo (2002): (a) escolher os sujeitos que detêm os atributos relacionados ao que se pretende estudar; (b) considerar tais sujeitos em número suficiente para que se possa ter certa reincidência das informações; (c) considerar a possibilidade de inclusões sucessivas de sujeitos até que seja possível uma discussão densa das questões da pesquisa. Assim, na amostra, não foi buscada uma representatividade numérica, e sim um aprofundamento da temática.

Partiu-se da hipótese de que, na narrativa dos sujeitos que tiveram sua iniciação sexual nos anos 90 (pesquisa II), se comparados com os homens que tiveram sua iniciação sexual nos anos 70 (pesquisa I), podem ser identificadas: 1) mudanças no posicionamento da família em relação à sexualidade; 2) aspectos de ruptura e continuidade no que diz respeito à relação entre masculinidade e interações afetivo-sexuais; 3) mudanças de atitudes de autocuidado em saúde sexual.

Nesse sentido, foram selecionadas, no acervo da pesquisa I, as narrativas de homens com ensino superior (não-médicos) – aqui tratados com nomes fictícios iniciados pela letra M – e no acervo da pesquisa II, as narrativas de homens jovens universitários – aqui mencionados com nomes fictícios iniciados pela letra S. Apesar de serem oito os homens com ensino superior da primeira pesquisa, foram estudados apenas sete, porque um estava fora da faixa etária focalizada. Assim, o corpo de análise desta pesquisa é composto de 29 narrativas de homens pertencentes a duas gerações diferentes, que nasceram, trabalham ou estudam na cidade do Rio de Janeiro, e que possuem nível de escolaridade compatível com a possibilidade de acesso e compreensão das informações em saúde.

A análise do material baseia-se na proposta de estudo de narrativas de Gomes e Mendonça (2002), ancorada numa perspectiva hermenêutico-dialética, que busca tanto compreender as estruturas subjacentes aos relatos quanto contextualizá-los e problematizá-los nos seus cenários socioculturais. Esses autores observam que a narrativa – relato elaborado na relação entre um narrador e um ouvinte – é um espaço possível para se apreender a relação entre representações culturais e experiência. Nesse tipo de relato, as fronteiras entre ficção e realidade nem sempre são nítidas, e o passado, o presente e o futuro se articulam.

Ainda com base na proposta de Gomes e Mendonça (2002), numa primeira etapa, busca-se compreender o contexto das narrativas de construção da sexualidade e de autocuidado em saúde de homens de duas gerações distintas, a partir de um breve estudo do contexto histórico e sociocultural da sexualidade em relação às primeiras experiências sexuais masculinas.

A segunda etapa tem como objetivo desvendar os aspectos estruturais da narrativa – os cenários, os personagens e espaços evocados, eventos mencionados para se contar como aconteceu, o enredo e o desfecho delineado pelos narradores.

Como terceira etapa, foi elaborada uma síntese interpretativa, em que os dados revelados pelas narrativas dialogaram com contexto sócio-histórico.

 

Caracterização dos sujeitos

Os sete sujeitos da pesquisa I, que possuíam ensino superior completo quando foram entrevistados, encontravam-se na faixa de 40 a 49 anos. Dos sujeitos analisados neste estudo, segundo a classificação do IBGE, três se declararam de cor branca, dois de cor preta e dois de cor parda. Em relação ao estado civil, três eram casados (incluindo as uniões estáveis) e quatro solteiros. Os entrevistados declararam renda mensal familiar entre 10 e 20 salários mínimos. Entre as atividades exercidas, identificamos as profissões de professor, psicólogo, engenheiro e advogado.

Os 22 sujeitos que compõe a pesquisa II, quando foram entrevistados, encontravam-se na faixa etária entre 21 a 24 anos. Segundo a classificação do IBGE, 14 se declararam de cor branca, quatro de cor preta e quatro de cor parda. Nenhum era casado, apenas um era divorciado e dois indicaram outras opções. A renda média mensal familiar declarada foi de 6 a 10 salários mínimos. Os sujeitos declararam ser estudantes de Serviço Social, História Arquitetura, Administração, Informática, Música, Pedagogia, Moda e Comunicação Social.

 

A construção da sexualidade: cenários, personagens e espaços evocados nas narrativas

Neste estudo, a construção da sexualidade está sendo abordada a partir das primeiras experiências sexuais, descritas mais detalhadamente pelo grupo de entrevistados da pesquisa I, considerando que o tema iniciação sexual foi abordado diretamente na entrevista. No entanto, foi possível identificar que penetração é um significado para iniciação sexual recorrente nas duas pesquisas, tanto nas relações envolvendo parceiros de sexos diferentes como nas que envolvem parceiros do mesmo sexo, corroborando a maioria dos estudos sobre sexualidade (ABROMOVAY; CASTRO; SILVA, 2004; BORGES; SCHOR, 2005; TAQUETTE; VILHENA; PAULA, 2004; REBELLO; GOMES, 2009).

Entretanto, os homens da pesquisa I, ao se reportarem às suas primeiras experiências sexuais, se referem às brincadeiras em grupos de amigos, nas quais as "bolinações" e a "masturbação" são roteiros de sexualidade. Nesse sentido, esta experiência iniciática ganha significados de aprendizado corporal (REBELLO; GOMES, 2009). Desses roteiros emergem como personagens as turmas de bairro, as revistas e livros proibidos, muitos destes trocados entre amigos de escola.

[...] existia muita brincadeira no meio da rua [...] nessa época tinha algumas meninas que se dispunham a fazer bolinações, não tinha penetração, era bolinação, e eu ficava ali participando e acabava sobrando para mim, uma brincadeira ou outra com a menina (Mário, 45 anos).

[...] a solução das companhias era a seguinte: tem as revistas e vamos passear pelo mundo maravilhoso das revistas com as mulheres mais lindas do mundo (Mário, 45 anos).

Em relação à primeira experiência sexual com penetração, os cenários transitam entre o espaço público e o privado. Se para os homens da pesquisa I, a rua, a praia, o carro – espaço público – servem de cenário para os roteiros sexuais, para os homens da pesquisa II este cenário passa a ser casa dos pais e de amigos – espaço privado.

Outro cenário que aparece na fala dos homens da pesquisa I são os espaços onde o sexo é pago, e neste sentido tanto emergem as casas de prostituição como outras realidades. As casas de prostituição e "zonas" foram espaços evocados para o aprendizado do sexo e para as transgressões sexuais.

[...] na época a gente chamava de zona... Então aquilo era... era assim, pô, tinha que ir. Assim, era um programa é... era um programa válido. Hoje uma coisa meio impensável (Murilo, 47 anos).

Os homens da pesquisa I, que declararam fazer sexo com outros homens, descreveram como espaços de encontro os guetos, tendo em vista que ainda hoje encontram dificuldade de aceitação de sua sexualidade nos espaços públicos.

Você não pode entrar numa relação de sedução em qualquer ambiente, em qualquer lugar... você não sabe se vai encontrar um homofóbico na sua frente. As pessoas podem ficar escandalizadas. Existe certa vigilância, certo controle... Então você vai para determinados lugares, chamados guetos (Marcio, 40 anos).

Nas narrativas da pesquisa II, os cenários se ampliam devido aos avanços tecnológicos da Internet:

[se referindo a barebacking] transa com qualquer um sem camisinha...roleta russa...entra na Internet que você vai ver, tem clube e tudo... (Sidnei, 22 anos).

Ainda que os jovens não tenham vivenciado aquilo que se vê na Internet ou ainda que isso se situe só no plano ficcional, o cenário virtual passa a ser um espaço em que se torna mais público aquilo que antes se situava mais na instância do privado.

Outro cenário que surge nos dois grupos com o mesmo significado é o carnaval: cenário de sexo, promiscuidade e rotatividade de parceiras, onde as transgressões são liberadas e tudo é permitido. Cabe destacar que, na pesquisa II, o carnaval é mais citado em função de ter sido utilizado como disparador nas entrevistas, sendo tema das campanhas de incentivo ao uso de preservativo nesse período.

No Carnaval... com quantas meninas você ficou? Quantas meninas você beijou? [se referindo à cobrança dos amigos] (Murilo, 47anos).

Carnaval foi transar com quantas mais pudesse. Até esgotar... (Samuel, 22 anos).

Em termos de personagens, nas narrativas das duas pesquisas, as mulheres surgem como principais protagonistas nos relatos das experiências sexuais. Poucos relatos mencionaram homens em suas histórias, demonstrando que a heterossexualidade ainda é normativa. Nesse sentido, são apresentadas como namoradas, esposas, amigas ou como "prostitutas", "empregadas", mulheres da rua. Além destas, a mulher mais velha surgiu na pesquisa I como a personagem que ensina o homem a se relacionar, algumas vezes associadas a profissionais do sexo.

Conheci uma mulher mais velha e... foi minha primeira transa (Marcelo, 41 anos).

As namoradas e amigas surgiram como personagens das primeiras experiências sexuais dos jovens da pesquisa II, tendo em vista que os pais trouxeram a sexualidade de um espaço público para o privado – ou seja, das ruas, casas de prostituição e carros para casa dos pais e das namoradas (BOZON, 2004 e 2003).

No entanto, os jovens da pesquisa II classificaram os parceiros sexuais como confiáveis ou não-confiáveis. De um modo geral, os parceiros confiáveis eram aqueles com quem se estabeleciam laços afetivos, que podiam decorrer ou não de relacionamentos estáveis, estando no campo do privado (casa). Os parceiros considerados não-confiáveis envolviam relações eventuais, sem envolvimento afetivo que são do campo do público (rua).

Quanto maior a confiança menor os cuidados... quando eu conheço, não me preocupo muito (Serafim, 21 anos).

Os amigos são valorizados, presentes da mesma forma nas narrativas das duas pesquisas. Tanto na iniciação sexual quanto nas outras relações, observa-se a influência dos amigos nos roteiros sexuais.

Então tinha uns amigos que pegavam a empregada e eu sempre tinha na minha cabeça: calma, porque teu dia vai chegar... (Marcelo, 41 anos).

Acho que o que mais interfere é essa relação mais íntima que se dá no dia a dia com seus colegas (Silvio, 22 anos).

Em todas as narrativas da pesquisa I, a masturbação surge como um personagem importante. Esta pode ser vista não só como uma tecnologia preparatória para o desempenho sexual, como também se pode traduzir na viabilização do desejo e do gozo. Em alguns relatos, a masturbação apareceu associada às revistas pornográficas. Na década de 70, com a regulamentação e a censura dos filmes que mostravam atividades sexuais, as revistas de pornografia, que eram clandestinas, serviam como estímulo à atividade masturbatória, considerada uma forma de aprendizado (BOZON, 2004).

De 13 [anos] para frente o despertar da sexualidade, com muita masturbação em casa... não tinha iniciativa de me aproximar das pessoas pela inibição e o remédio... a solução eram as revistas (Mario, 45 anos).

A masturbação não aparece nos relatos dos jovens da pesquisa II, apesar de estudos apontarem que esta é uma prática bastante comum, sendo vista como parte constitutiva do processo de iniciação sexual (REBELLO; GOMES, 2009). Dentre outras questões, observa-se que existe dificuldade em lidar com esse tema, considerando que alguns estudos (HEILBORN ET al., 2006) mostram que a afirmação desta prática denuncia uma condição de inexperiência sexual, causando constrangimento e vergonha.

Por último, em termos de personagens das narrativas, destaca-se o preservativo, que na pesquisa II aparece associado à prevenção.

Quanto à sexualidade, em que cuidar... seguro, com camisinha... contra a Igreja católica e tudo, mas tem que usar... temos que nos prevenir (Solano, 24 anos).

Sobre esse personagem, algumas observações devem ser consideradas. O fato de este integrar todas as narrativas da pesquisa II de uma forma positivada não garante que seja um personagem sempre presente nas práticas sexuais dos sujeitos dessa pesquisa. Muitas dessas narrativas revelaram algumas ambiguidades sobre o uso do preservativo: proteção x medo de perder o prazer; adesão às informações das campanhas x influência do senso comum de que diante da aparência das pessoas o uso pode ser dispensável; sentido de sexo seguro x sentido de infidelidade; necessidade de se cuidar x cuidado associado ao ser feminino e não ao masculino; uso como controle x sexualidade masculina vista como desenfreada.

A ausência do preservativo nas narrativas da pesquisa I pode ser vista com a argumentação de que a Aids não faz parte do cenário da juventude dos anos 70. Entretanto, isso pode ser contra-argumentado pelo fato de esse recurso na época já ser visto como forma de se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis. Talvez o que melhor explique essa ausência é que, com as campanhas voltadas para Aids, o preservativo passou a ser um dos personagens centrais, e isso, pelo menos no nível dos discursos, vem influenciando narrativas sexuais masculinas. Inquéritos populacionais realizados no Brasil constatam que houve aumento substantivo no uso de preservativos, no período de 1998 a 2005, em todos os tipos de parceria analisados, sendo aproximadamente 14% entre homens e mulheres somente com parcerias estáveis, 15% entre aqueles apenas com parcerias eventuais e 22% nas parcerias estáveis e eventuais (BERQUÓ et al., 2008).

 

A heterossexualidade como enredo

A heterossexualidade destaca-se como principal enredo nas narrativas das duas pesquisas, corroborando com o pensamento de autores, a exemplo de Welzer-Lang (2001), que apontam a heterossexualidade como um eixo estruturante para a sexualidade masculina.

Tanto nas narrativas da pesquisa I como nas da pesquisa II, esta surge como um enredo hegemônico, traduzido por um roteiro padrão necessário para ser considerado socialmente como um homem, demonstrando que este enredo atravessa gerações. Mesmo nos depoimentos de homens que declararam fazer sexo com outros homens, este padrão hegemônico é mantido através das gerações, considerando que a construção de sua sexualidade foi vivida com intensos conflitos, ao não se sentirem "normais" nem aceitos por sua família e por seu meio social.

Meu desejo não era um desejo e não é um desejo e dentro daquilo que está concebido como... como sendo normal. Então isso trouxe conturbações bastante grandes (Márcio, 40 anos).

No depoimento de dois homens jovens que compõem o grupo de entrevistados da pesquisa II, a homossexualidade é associada à "prática de atos condenáveis", demonstrando uma luta por espaço num confronto com o modelo dominante.

Gosto de homem... experimentei e gosto de homem e daí... não roubei não matei... o corpo é meu (Sidnei, 22anos).

Heterossexual é dominante... quando você abre espaço para o dominado [homossexual]... o dominado ganha espaço e o dominante perde... o dominante quer que o dominado lute pelo seu espaço, contanto que ele não perca o dele... não mexe no meu espaço porque o meu espaço está garantido e você quer tirar o que é meu (Serafim, 21 anos).

No entanto, a relação entre parceiros do mesmo sexo emerge como uma possibilidade, na fala de outros homens da mesma pesquisa, reprovando preconceitos e tabus existentes na sociedade.

A questão dos gostos do cara [se referindo aos limites da sexualidade], preferências sexuais do cara, se o cara é hetero, bi, punk todas estas denominações que foram criadas para distinguir a sexualidade humana... é saber como ele curte mesmo, saber o que é bom para ele (Salomão, 22 anos)

Estudos destacam que "na década de 90, a partir das lutas que deram mais visibilidade à homossexualidade e à liberdade sexual, surge um heterossexismo diferenciado que aceita o fato de existir seres diferentes os/as homossexuais, e, por consequência, é normal e progressista lhes dar alguns direitos" (WELZER-LANG, 2001, p. 468). Ao defender os direitos de expressão da sexualidade, o medo de ser confundido com homossexuais reforça o predomínio da herança cultural de um enredo heterossexual como hegemônico.

As relações homossexuais têm a fama da promiscuidade... a rotatividade de parceiros é bem maior (Samuel, 22 anos).

Nos seios das famílias... que ainda vêem com muito receio... o seu filho ou as filha... mostrando ser homossexuais... preconceito e não aceitação da própria família e da sociedade que vê isso como aberração (Sandro, 23 anos).

Portanto, embora se diga "no jargão do mercado, que a homossexualidade está se transformando em um estilo de vida aceitável" (GRIFFIN, 2005), e que os homens estão se adaptando e assimilando novos padrões de masculinidade, identifica-se uma tensão entre a manutenção da hegemonia do homem como heterossexual e a assimilação de conceitos não-hegemônicos voltados para a sexualidade, provocando algumas mudanças nos valores que permeiam as narrativas dos homens.

A hegemonia da heteronormatividade ainda continua bastante presente no imaginário social, podendo ser ilustrada com os resultados de uma pesquisa (ALMEIDA, 2007) realizada em 102 municípios brasileiros, com amostra probabilística de 2.363 participantes. Segundo a investigação, 89% dos entrevistados foram contra a homossexualidade masculina e 88% contra a feminina.

Estudo de Paiva e colaboradores (2008), que compara dois inquéritos populacionais realizados em 1998 e 2005, observa que os preconceitos contra as minorias homossexuais ainda é marcante, e que a aprovação da relação sexual entre pessoas do mesmo sexo vem surgindo de forma tímida. Os autores consideram que os fundamentalismos religiosos contribuem para o conservadorismo contra a homossexualidade. Por isso, veem como saída as políticas laicas voltadas para a sexualidade, ao viabilizarem um diálogo mais aberto entre as diversas perspectivas sobre o tema.

 

A conjugalidade como desfecho

A conjugalidade surge como desfecho na maioria dos roteiros, reforçando a concepção de amor romântico e valorização da fidelidade, integridade e afetividade, como qualidades dos parceiros nas relações afetivo-sexuais, ainda que na seleção dos parceiros apareçam diferenças de gênero significativas quanto aos predicados preferenciais (OLTRAMARI; CAMARGO, 2010; ABOIM, 2009; HEILBORN, 2004).

Talvez se for a garota da minha vida... se um dia eu tiver casado ...(Sebastião, 23 anos).

Como aponta Bozon (2003), se por um tempo a sexualidade era um dos atributos do papel social dos indivíduos casados, na sociedade contemporânea tornou-se uma experiência interpessoal indispensável à existência da união.

Mello e Novais (1998) afirmam que, nos anos 90, o casamento passa a ser um contrato entre livres e iguais em que a confiabilidade, a fidelidade, a responsabilidade e a honestidade são mais valorizadas que o amor-paixão ou o amor-verdadeiro.

Eu sou casado e... a minha vida... a minha vida sexual se restringe ao casamento e tal. É monogâmica. Mas é... a... mas eu tenho assim, a... a impressão de que se eu fosse procurar, eu ia ter muito que aprender ainda (Murilo, 47 anos).

Para Oltramari e Camargo (2010), tanto o amor quanto a conjugalidade se estabelecem como um jogo social, da mesma forma que qualquer outra interação humana. Esse jogo aparece nas narrativas dos dois grupos analisados. Os homens da pesquisa II se referem ao casamento, como ponto de chegada e final da liberdade sexual, entendendo que deve haver fidelidade entre um casal para manter a relação de confiança, de afeto, e não necessitar usar preservativos.

Se você tem uma pessoa fixa, casado, se você tá infeliz, tem que reverter a situação. Não ficar pulando cerca, não trair sua parceira, porque da mesma maneira que você tá sujeito a pegar Aids ...tem que tomar cuidado com a pessoa que está ao teu lado (Sinval, 22 anos).

Após o casamento, sim, vai haver relações sem camisinha, porque a confiança é algo que existe... até para manter a confiança, acho que é fundamental (Sabino, 23 anos).

Entretanto, para os homens da pesquisa I, o casamento não significa necessariamente viver uma relação monogâmica, podendo haver outras relações, desde que esta não ameace seu casamento.

Sou casado, tenho quase 20 anos de casamento, basicamente eu não procuro aventuras. Também não sou santo, por assim dizer, se ocorrer, eu... a não ser que seja algo que eu tenha em mente, que eu vou é estar colocando em jogo o meu casamento, alguma coisa que vá me comprometer, é claro que eu vou me portar, mas... se acontecer eu não me culpo (Miguel, 44 anos).

Alguns estudos observam que a visão encontrada nos jovens, no que se refere à fidelidade, não deve ser entendida como sinal de uma nova mentalidade geracional, já que diz respeito a um momento específico de suas trajetórias de vida que difere da realidade dos homens mais velhos que já viveram relações desgastadas, separações, satisfações e insatisfações com a vida de casado. Entretanto, encontram-se diferenças nos comportamentos das duas gerações ligadas a questões de gênero. Nas gerações anteriores, "a mulher era mais interditada, o homem mais livre, e a infidelidade masculina mais tolerada" (HEILBORN; CABRAL; BOZON, 2006, p. 213).

 

Sexualidade e autocuidado: o que pensam os homens?

Nos dois grupos de homens, encontramos significados semelhantes para o autocuidado em saúde. Ambos consideram a prevenção e os cuidados do corpo como as principais formas de se cuidar. No entanto, embora alguns significados perdurem no imaginário coletivo, as situações sociais com que os homens se deparam nem sempre lhes permitem atender a este apelo (VAITSMAN, 1998). Nos relatos analisados, os homens reconhecem que ainda falta algo que faça diferença para que o hábito de se cuidar possa ser incorporado e se tornar uma cultura masculina, entendendo que o autocuidado está essencialmente ligado ao feminino, não sendo, portanto, considerado como atribuição masculina.

Os entrevistados destacam as diferenças entre a fisiologia da mulher e do homem, associando a mulher à reprodução e por isso mais habituada a ir a médicos, especificamente ginecologistas. Ainda, os homens da pesquisa II consideram que só os homens mais velhos necessitam se cuidar.

As mulheres procuram mais o médico... é cultural. Os homens só consertam a fechadura depois que a porta foi arrombada, ou seja, vai ao médico só quando sente dor (Mateus, 49 anos).

Diferentemente das mulheres, que são um tanto levadas culturalmente a se cuidar... a ir ao ginecologista...os homens não tem esse hábito, a não ser quando estão ficando mais velhos... (Saulo, 22 anos).

Na relação entre prevenção e sexualidade, a Aids é denominada pelo grupo II como "doença cabo de morte", e ter relações sexuais com parceira desconhecida é associado a "uma bomba biológica". Neste sentido, os cuidados com prevenção tomam um significado de privação, ao se referirem aos limites impostos pela doença (Aids).

A ideia de que Aids é doença do outro traz, nos dois grupos, resquícios de alguns conceitos da lógica higienista, marcando diferenças entre o corpo do homem e da mulher.

Às vezes você pode encostar em alguma coisa, assim, digamos assim, você vai num bar e tá apertado pra ir ao banheiro, você vai no bar. Você senta no vaso daquele bar e ali você pega uma micose. Pro homem isso não é tão comum, sentar no vaso de um bar, mas pra mulher é extremamente comum... (Sabino, 23 anos).

Incentivar seus amigos a usar camisinha como forma de proteção... uma boa... assepsia também, né... higiene com as partes íntimas... (Sergio, 23 anos).

 

Considerações finais

Ao afirmar que os enredos sexuais e o autocuidado em saúde são influenciados pelo modelo de masculinidade hegemônico, em parte, confirma-se o pressuposto de que o enredo heterossexual ainda permanece como eixo estruturante da masculinidade. Esse enredo emerge nas narrativas como um reflexo de processos diferenciados de socialização de homens e mulheres. Tais processos influenciam a formação de papéis sexuais masculinos que se complementam ou se formam em oposição a partir daqueles considerados femininos. Entretanto, observa-se que o roteiro sexual desses homens pode variar de acordo com o universo geracional em que se insere, provocando algumas mudanças.

Neste estudo foi analisada a transformação dos comportamentos sexuais ocorridos no intervalo entre 1970 e 1990, considerado como período de liberação sexual e rupturas sociais. Apesar do tempo que os separa, certos comportamentos parecem muito semelhantes, considerando que os processos de mudanças que falam de temporalidades distintas apresentam persistências, marcando também singularidades e peculiaridades.

Nos depoimentos dos homens que compõem o acervo desta pesquisa, apesar de se perceber a permanência dos padrões hegemônicos de masculinidade, identificam-se algumas modificações nos cenários, personagens, espaços e nas instituições, que ganham novo significado de acordo com o macrocenário vivido em cada época.

A ruptura dos papéis no âmbito público e privado atribuída ao gênero, na década de 70, produziu transformações marcantes no modo como homens e mulheres passaram a construir suas identidades, valorizando autonomia e igualdade inclusive na condução de suas relações afetivas. Isto propiciou nos homens um confronto entre a inadequação da construção social do masculino e as novas demandas femininas. Este confronto trouxe mais diálogo e maior abertura das ideias no campo da sexualidade, interferindo na transmissão de valores para a geração seguinte. A partir daí, a sexualidade juvenil, de certa forma, tornou-se socialmente aceita, não sendo mais vista como período preparatório para o casamento. Com isto ocorreu o deslocamento das práticas sexuais do espaço público para o espaço privado, marcando uma importante transformação, nos anos 80, no cenário da sexualidade.

Esta mudança pode ser observada nas narrativas dos sujeitos da pesquisa, ao serem analisados os personagens e espaços que compõem os roteiros sexuais de iniciação sexual. Para a geração dos anos 70, os espaços evocados foram as ruas, carros, "zonas" e casas de prostituição, e os personagens em geral foram as prostitutas, empregadas domésticas e mulheres mais velhas. Já os jovens da geração dos anos 90, após as conquistas dos movimentos feministas ocorridas nas gerações anteriores, passaram a ter como personagem de suas primeiras experiências sexuais suas namoradas, utilizando como espaço suas próprias casas.

As mudanças observadas nas narrativas, tanto em relação aos cenários da iniciação sexual, quanto aos personagens femininas, apontam para o fato de os enredos sexuais dos homens jovens não serem necessariamente iguais aos dos nossos pais. Portanto, observam-se permanências e rupturas de padrões estereotipados e algum desejo de mudanças, que refletem a forma como o homem contemporâneo vive e cuida de si. Críticas à manutenção dos modelos hegemônicos e reflexões sobre a construção de novas possibilidades de viver já são observadas e são o primeiro passo para uma transformação no cuidado em saúde.

Apesar de entender que as diferenças e desigualdades de gênero não foram abolidas, considera-se relevante que estas estão sendo redefinidas, redimensionadas e ressignificadas. São sem dúvida movimentos de idas e vindas da construção de uma nova forma de masculinidade, como ondas, que muitas vezes podem trazer ideias novas e em outro momento retomar aquelas que pareciam superadas, sem com isso negar a existência das subjetividades dos atores sociais.2

 

Referências

ABOIM, S. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.24, n.70, p.107-185, jun 2009.         

ABROMOVAY, M.; CASTRO, M.G.; SILVA, L.B. Juventude e sexualidade. Brasília: Unesco, 2004.         

ALMEIDA, A.C. A cabeça do brasileiro. Rio de Janeiro: Record, 2007.         

ALVES, M.F.P. Sexualidade e Prevenção de DST/AIDS: representações sociais de homens rurais de um município da Zona da Mata pernambucana, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v.19, n.2, p. 429-439, 2003.         

ALVES, A.M. Fronteiras da relação. Gênero geração e a construção de relações afetivas e sexuais. Sexualidad, Salud y Sociedad Revista Latinoamericana, n.3, p.10-32, 2009.         

BERQUÓ, E.; BARBOSA, R.M.; LIMA, L.P. Grupo de Estudos em População, Sexualidade e Aids. Uso do preservativo: tendências entre 1998 e 2005 na população brasileira. Revista Saúde Pública, v.42, supl. 1, p.34-44, 2008.         

BORGES, A.L.V.; SCHOR, N. Homens adolescentes e vida sexual: heterogeneidade nas motivações que cercam a iniciação sexual. Cadernos de Saúde Pública, v.23, n.1, p.25-234, 2007.         

BOZON, M. Sociologia da Sexualidade. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2004.         

______. Sexualidade e conjugalidade: a redefinição das relações de gênero na França contemporânea. Cad. Pagu [online], n.20, p.131-156, 2003.         

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.         

CONNELL, R.W. Understanding men: Gender Sociology and the new International research on masculinities <Disponível em: www.europrofem.org/contri/2_04_en/research-on-masculinities.pdf.> Acesso em: 22 set 2007.         

COSTA, R.G. Saúde e masculinidade: reflexões de uma perspectiva de gênero. Revista brasileira de Estudos de População, v.20, n.1, p.79-92, 2003         

COURTENAY, W.H. Construction of masculinity and their influence on men's well-being: a theory of gender and health. Social Science and medicine, v.50, p.1385-1401, 2000.         

______. A global perspective on the field of men's health: an editorial. Int J Men'sHealth, v.1, n.1, p.1-13, 2002.         

DOMINGUES, J.M. Gerações, modernidade e subjetividade. Tempo Social - Rev. Sociol. USP. São Paulo, v.14, n.1, p.67-89, maio 2002.         

FÉRES-CARNEIRO, T. A escolha amorosa e interação conjugal na heterossexualidade e na homossexualidade. Psicol. Reflex. Crit., v.10, n.2, p.351-368, 1997.         

GAGNON, J.H. Uma interpretação do desejo: estudo da sexualidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.         

GOMES, R. A construção da masculinidade como fator impeditivo de cuidar se si. Projeto de Pesquisa vinculado a bolsa de produtividade em Pesquisa apoiado pelo CNPq. Rio de Janeiro: IFF-Fiocruz, 2004.         

______. Masculinidade e cuidados e saúde. Projeto de Pesquisa vinculado a bolsa de produtividade apoiado pelo CNPq. Rio de Janeiro: IFF-Fiocruz, 2006.         

______. Sexualidade masculina e saúde do homem: proposta para uma discussão. Ciência e Saúde Coletiva, v.8, n.3, p.825-829, 2003.         

______. Sexualidade masculina, gênero e saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008        

GOMES, R. et al. As arranhaduras da masculinidade: uma discussão sobre o toque retal como medida de prevenção do câncer prostático. Ciência & Saúde Coletiva, v.13, n.6, p.1.975-1.984, 2008.         

GOMES, R.; MENDONÇA, E.A. A representação e a experiência da doença: princípios para a pesquisa qualitativa em saúde. In: MINAYO, M.C.S.; DESLANDES, S.F. (Org.). Caminhos do pensamento: epistemologia e método. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.         

GOLDENBERG, M. Ser homem-ser mulher: dentro e fora do casamento. Rio de Janeiro: Revan, 1991.         

GIFFIN, K. A inserção dos homens nos estudos de gênero: contribuições de um sujeito histórico Ciênc. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.10, n.1, p.45- 55, jan-mar 2005.         

HEILBORN, M.L.; CABRAL, C.S.; BOZON, M. Valores sobre a sexualidade e elenco e práticas: tensões entre modernização diferencial e lógicas tradicionais. In: HEILBORN, M.L. et al (Org.). O aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias de jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.         

HEILBORN, M.L. Dois é par: gênero e identidade social em contexto igualitário. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.         

KEIJZER, B. Hasta donde el cuerpo aguante: género, cuerpo y salud masculina, In: CÁCERES, C. et al. (Org.). La Salud como Derecho Ciudadano: perspectivas y propuestas desde América Latina. Lima: Facultad de Salud Pública y Administración de la Universidad Peruana Cayetano Herida, 2003. p. 137-52.         

KORIN, D. Nuevas perspectivas de gênero em salud. Adolescencia Latinoamericana, v.2, n.2, p.67-79, 2001.         

NOVAIS, F.A.; MELLO, J.M.C. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna In: NOVAIS, F.A. (Org.). História da vida privada do Brasil. V. 4. São Paulo: Cia das Letras, 1998, p.561-658.         

OLIVEIRA, P.P. A construção social da masculinidade. Belo Horizonte: EdUFMG, 2004.         

OLTRAMARI, L.C.; CAMARGO, B.V. Psicologia em Estudo, Maringá, v.15, n.2, p.275-283, abr-jun 2010.         

PAIVA, V.; ARANHA, F.; BASTOS, F.I. Opiniões e atitudes em relação à sexualidade: pesquisa de âmbito nacional, Brasil 2005. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v.42, supl.1, p.54-64, 2008.         

PAYNE, S. Gender influences on men's health. The Journal of the Royal Society for the Promotion of Health 2004, 124-206. Disponível em: http://rsh.sagepub.com. Acesso em: 3 maio 2010.         

REBELLO, L.E.F.S.; GOMES, R. Iniciação sexual, masculinidade e saúde: narrativas de homens jovens universitário. Ciênc. Saúde Col., v.14, n.2, p.653-660, 2009.         

SCHRAIBER, L.B.; GOMES, R.; COUTO, M. Homens na pauta da Saúde Coletiva. Ciência e Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v.10, n.1, p.17, 2005.         

TAQUETTE, S.R.; VILHENA, M.M.; PAULA, M.C. Doenças sexualmente transmissíveis e gênero: um estudo transversal com adolescentes no Rio de Janeiro. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v.20, n.1, p.283-290, 2004.         

VAITSMAN, J. Flexíveis e plurais. Identidade, casamento e família em circunstâncias pós-modernas. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.         

WELLER, W. Karl Mannheim: um pioneiro da sociologia da juventude. In: Congresso Brasileiro de Sociologia, 13. Anais... 2007. Recife. Disponível em http://www.espm.br/nucleodeestudosdajuventude.pdf. Acesso em: 3 mai 2010.         

WELZER-LANG, D. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Estudos Feministas, n.2, p.460-482, 2001.         

 

 

Recebido em: 25/02/2011.
Aprovado em: 20/09/2011.

 

 

Notas

1 Na Biblioteca Virtual em Saúde, o termo autocuidado é citado como descritor, sendo definido como cuidado prescrito por médico ou efetuado pela própria pessoa e inclui cuidado para si mesmo, família ou amigos. No entanto, neste estudo, o autocuidado não está sendo vinculado à prescrição médica, mas às negociações de medidas preventivas envolvendo sexualidade e saúde.

2 R.B.B. Cunha, L.E.F.S. Rebello e R. Gomes participaram igualmente de todas as etapas da elaboração do artigo.

IMS-UERJ RJ - Brazil
E-mail: publicacoes@ims.uerj.br