Editorial

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Trinta Anos

 

 

Ao longo do ano que ora está em início, a Revista de Saúde Pública publicará o volume 30 de sua série iniciada em 1967 e mantida ininterrupta durante todo esse período. O nível atingido permite que, na atualidade, o periódico seja procurado pela maioria dos pesquisadores brasileiros em saúde pública/coletiva, para a divulgação de seus trabalhos científicos.

Ter artigo publicado na Revista de Saúde Pública representa algo a ser interpretado com, pelo menos, alguma dose de pioneirismo. Os riscos assumidos frente a eventuais decisões contrárias de relatores e de editores não deveriam ser encaradas como "pedras no caminho" de qualquer programação de estudo. Eis que o papel da Revista vem a ser, de preferência, o de estimular e de abrir novas e mais amplas vias para a pesquisa científica. Dentro dos múltiplos campos do conhecimento que formam a saúde pública/coletiva, compreende-se que se dê preferência àqueles artigos que, além da originalidade, encerrem potencial inovador e de interesse geral, ou seja, passível de projeção para público amplo. Assim, por exemplo, a descoberta de nova doença, de nova relação causal ou de novas soluções com aplicabilidade social. Impõe-se sempre perguntar se tais descobertas implicariam inovações que redundassem aumento de eficácia da política de saúde pública. Além disso, procura-se divulgar idéias que estimulem a reflexão e resultem em discussões benéficas para o progresso das várias áreas de conhecimento. De todas as maneiras, o que se objetiva é divulgar avanços concretos e de sua aplicabilidade para a qualidade da vida humana.

Nem de longe se pretende ter alcançado a perfeição. Muito há ainda a fazer. No entanto, alguns indicadores mostram o progresso da Revista de Saúde Pública em época mais recente. Pode-se, a seguir, mencionar alguns deles.

O número de revisores por artigo, foi ampliado de dois para três especialistas. Com isso pretende-se maior garantia de acerto na decisão final, graças a mais amplo crivo de qualidade.

Como ponto de honra, procura-se manter a disseminação em bases de dados estrangeiras, obviamente garantindo a indexação nas bases nacionais. Dentre aquelas há de se mencionar a correspondente ao ISI, tida como altamente seletiva. Ora bem, em que pese a Revista de Saúde Pública estar ali ocupando o segundo lugar dentre aquelas da área da saúde, utilizadas por pesquisadores brasileiros, ela é a primeira e única nacional em saúde pública/coletiva, apresentando-se com 2/3 dos artigos* indexados de autoria brasileira.

Sobre o crescimento de artigos submetidos, observou-se mais significativo, a partir de 1994, dobrando em 1995. Até então a Revista recebia entre 100 - 110 artigos/ano; em 1995 foram-lhe submetidos 200 manuscritos. Esta tendência pode estar representando alguma mudança na produção científica na área de Saúde Pública/Coletiva, no País.

Ainda sobre seu crescimento, a Revista vem mantendo a média de 60/65 artigos publicados anualmente. No espaço entre 1991 a 1995 foram editados 261 artigos, sendo 228 originais e notas e informações (70%). Publicou ainda artigos sob a rubrica " ponto de vista" e artigos especiais, a partir de 1993. Outras categorias de matéria também foram editadas, entre Editoriais, Notas Bibliográficas e Noticías.

É constante a preocupação do corpo dirigente da Revista em torná-la competitiva no meio nacional e internacional. Várias são as discussões sobre esse aspecto, estendendo-se também à preocupação sobre o futuro da divulgação de periódicos científicos, tendo em vista as novas tecnologias e a globalização da ciência. Não há ainda planos a curto prazo de transformar a Revista em publicação eletrônica, seja no formato CD-Rom, seja por redes internacionais. Mas sabe-se que esse é também um caminho, embora com a percepção de que a edição em papel permanecerá, por alguns anos, sobretudo para país como o Brasil. Além do que, tudo isto é ainda muito novo, pois mesmo nos países cientificamente mais adiantados, ainda os formatos eletrônicos estão sendo testados, e a publicação em papel está pelo menos, preventivamente, sendo mantida. A direção da Revista está atenta a essas questões e talvez em 1997 já tenhamos algumas novidades, neste particular.

Fruto das discussões sobre sua internacionalização, está programada, ainda para este ano comemorativo, a versão dos títulos dos artigos das tabelas e dos resumos para o idioma espanhol além do inglês.

Finalmente cabe expressar os agradecimentos a instituições e pessoas que contribuíram, e muito, para que a Revista chegasse a comemorar 30 anos de existência.

Há que se reconhecer o papel exercido pela FAPESP e FINEP, garantindo os recursos para composição e impressão da Revista, e a infra-estrutura de recursos humanos e materiais assegurados pela Faculdade de Saúde Pública/USP, que foram os alicerces para manter em dia a publicação da Revista.

A seguir devemos agradecer aos Editores Associados que, junto com os relatores, vêm participando do processo de julgamento, garantindo o equilíbrio qualitativo necessário à Revista.

Aos autores, não só agradecemos, mas esperamos ter contribuído com algum estímulo para que continuem produzindo suas pesquisas, divulgando-as com o objetivo de alcançar o domínio do conhecimento na área de saúde pública/coletiva no Brasil.

Não existe maior recompensa do que ver o fruto do trabalho, conhecido e apreciado por todos aqueles cuja opinião honra o seu autor. Os que reconhecem na Revista de Saúde Pública o veículo digno para propiciar isso, constituem o público ao qual esse periódico é destinado.

 

Oswaldo Paulo Forattini
Editor Científico

 

 

* Guimarães, R. & Vianna, C. M de U. Ciências e tecnologia em saúde. Tendências mundiais. Diagnóstico global e estado da arte no Brasil. In: Conferência Nacional de Ciênica e Tecnologia em Saúde, Brasília, 1994.

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