PARTE II - I SEMINÁRIO DAS ESCOLAS TÉCNICAS DO SUS DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

A trajetória da escola técnica na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo1

 

The trajectory of the technical school in the Municipal Health Department of São Paulo

 

 

Sueli Miyashiro

Diretora do Centro Formador dos Trabalhadores (CEFOR) - Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Endereço: Rua Gomes de Carvalho, 250, Vila Olímpia, CEP 04547-001, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: smiyashiro@prefeitura.sp.gov.br

 

 


RESUMO

A presente exposição traz um breve relato histórico sobre o surgimento da Escola Técnica do Sistema Único de Saúde do município de São Paulo (ETSUS-SP). O relato abrange inicialmente a década de 1990, com a formação do Centro Formador dos Trabalhadores da Saúde, ligado diretamente à Coordenadoria de Recursos Humanos - Gabinete (CRH-G) da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS). Em sua estrutura, o núcleo formador passa, em 2003, para a denominação e concretiza a escola: a ETSUS-SP. Há abordagem de alguns aspectos do projeto político-pedagógico da escola. Faz destaque a sua estrutura organizacional, que privilegia as cinco macrorregiões do município, respeitando a organização local, porém, sem perder de vista o objetivo: problematizar o cotidiano do trabalho e formar profissionais críticos e criativos, realizando mudanças concretas no dia a dia do trabalho.

Palavras-chave: Formação de nível médio; Escolas técnicas do SUS; Centro formador de recursos humanos; Política municipal de formação de recursos humanos.


ABSTRACT

This presentation provides a brief historical report on the creation of Escola Técnica do SUS (ETSUS - Technical School of the National Health System) of the municipality of São Paulo (ETSUS-SP). The report initially approaches the decade of 1990, with the creation of the Center for Health Workers Education, directly connected with the CRH-G (Human Resources Management) of the Municipal Health Department. In its structure, the education nucleus starts to be called and materializes, in 2003, the school: ETSUS-SP. The presentation approaches some aspects of the school's political-pedagogical project. It highlights its organizational structure, which prioritizes the five macro-regions of the municipality, respecting the local organization but always in light of the objective: discussing the daily working routine and forming critical and creative professionals, promoting concrete changes in this working routine.

Keywords: Technical education; Technical Schools of SUS; Center for human resources education; Municipal policy of human resources education.


 

 

Apresentação

Hoje o Município de São Paulo tem, aproximadamente, 11 milhões de habitantes; sendo que, desses, 60% são SUS dependentes. Nós temos 621 equipamentos públicos de saúde e um total de 56 mil trabalhadores com necessidades imensas.

O Centro Formador dos Trabalhadores (CEFOR) da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS) foi criado em 1990. Inicialmente, em sua estrutura, tínhamos Núcleo de Desenvolvimento, Núcleo de Formação e Núcleo de Multimeios. No Núcleo de Formação fazíamos a Educação Profissional. Naquela época tínhamos os cursos de Auxiliar de Enfermagem, Auxiliar Cirurgião-Dentista (ACD), Técnico Higiene Dental e Auxiliar de Farmácia. A certificação dos alunos era feita pela única escola de nível médio do município, que era Derville Alegrete. Formamos cerca de 1700 alunos dessas áreas.

Em 2002, tivemos a transformação do Núcleo de Formação em Escola Técnica do SUS (ETSUS-SP). Em 2003, tivemos autorização de funcionamento, com aprovação dos planos de curso de Técnico em Enfermagem, Técnico em Farmácia, Técnico em Higiene Dental, Técnico em Imobilizações Ortopédicas e Técnico em Laboratório de Análises Clínicas. São cinco cursos técnicos e um de especialização, que é a especialização do Auxiliar de Enfermagem de Saúde Pública.

Durante esse período, não conseguimos nenhuma turma para os cursos de Laboratório de Análises Clínicas e de Técnico em Enfermagem.

A forma de organização da ETSUS-SP apresenta-se desconcentrada, temos 11 unidades: na zona Leste (São Mateus e São Miguel); na zona Norte (Santana e Freguesia do Ó); na região Sudeste (Ipiranga e Tatuapé); na Centro-oeste (Butantã); na região Sul temos quatro unidades (Capela do Socorro, Santo Amaro e Campo Limpo).

Quanto aos números, depois da criação da escola nós tivemos cerca de 1000 alunos formados nos cursos de Imobilização Ortopédica, Técnico em Enfermagem, Farmácia, ACD e, agora, Agente Comunitário de Saúde (Módulo I). Nós também temos o curso de Conselheiro Gestor, no qual cerca de 1400 conselheiros foram capacitados pela escola.

No momento temos duas turmas de ACD, duas turmas de Farmácia, 1350 matriculados no curso de Agente Comunitário e 330 no curso de Conselheiro Gestor, em andamento. Há uma perspectiva de aumento de Agente Comunitário que, até o final do ano, teremos cerca de 2700 matriculados.

Em relação às perspectivas da escola, o município estabeleceu o compromisso no PPA (Plano Plurianual) de qualificar cinco mil trabalhadores e de 70% passar por capacitação nos três níveis (médio, elementar e universitário), e capacitar 50% dos conselheiros gestores. Temos também, enquanto perspectiva para o próximo ano, previsto no OP (Orçamento Programa) 20 turmas de Técnico em Enfermagem, que é fruto da mesa de negociação.

 

Projeto Político-Pedagógico

Na realização da pesquisa pela escola, aprovada no Ministério da Saúde, ao discutir quais seriam as questões instigadoras da escola, uma coisa que sempre ficou em nossas cabeças foi: qual é o segredo dessa escola que, apesar de tantos problemas e tantas dificuldades, se mantém viva e continua com seu trabalho, andando e cada vez se constituindo mais e se fortalecendo? Qual é o segredo por trás de tudo isso? Aí nós elegemos explorar mais a questão da prática pedagógica, que é objeto dessa pesquisa, como elemento central; esperamos encontrar nela nossas respostas. Acredito que esse é o segredo. Então, a questão de qual é o projeto político-pedagógico da escola que dá sustentação para a sua prática é que acaba fazendo vivo e deixando a escola cada vez com mais força e cada vez mais viva.

Uma das questões é a que nós nos propomos a problematizar: o cotidiano do trabalho e a formação de profissionais críticos e criativos, realizando mudanças concretas no dia a dia do trabalho. Então, além de juntarmos vários outros problemas, uma escola com esse propósito tinha tudo para não acontecer, e não é isso o que vivenciamos.

A intencionalidade do projeto político-pedagógico da nossa escola está expressa no material didático pedagógico que produzimos, nas relações interpessoais que estabelecemos e vivenciamos dentro da escola, com muito respeito e com muita responsabilidade, buscando autonomia, reconhecendo todos como sujeitos ativos, com identidade própria, autonomia e responsabilidade, e uma necessidade da realização de projetos comuns, e é isso que torna viva a nossa escola e esse nosso projeto comum que é a Escola Técnica do SUS.

A Escola Técnica do SUS do Município de São Paulo foi criada em 2002, acreditando-se na possibilidade da transformação social, na construção do SUS, no ensino público e na valorização dos servidores públicos do Município de São Paulo. Em 2003, tivemos autorização de funcionamento com os planos de curso, conforme citado anteriormente.

A outra característica da escola diz respeito à sua operacionalização. As 11 unidades constituídas e as decisões sobre os cursos ocorrem tanto na região, com gestores locais, como também dentro da Secretaria Municipal da Saúde. Mas o planejamento e a realização do curso ocorrem em cada região e nós fazemos esse planejamento no local.

 

Encerramento

Agora eu vou falar uma coisa "de coração". Este evento, para mim, tem um significado muito grande porque estamos juntando algumas pessoas que eu considero que marcam a Educação Profissional no Município de São Paulo e que eu tenho um carinho muito grande. Aqui foi lembrado o nome da Isabel dos Santos. No começo do CEFOR, em 1990, nós não conseguíamos e não sabíamos nem conversar com a educação. Então, qualquer problema que tínhamos, para falar com a educação ou internamente, nós falávamos: "Liga para a Isabel dos Santos ou para a Ena Galvão". Hoje a participação da Ena Galvão, para mim pelo menos, tem essa representação da história.

Naquela época, tínhamos o "Projeto Larga Escala", na região Sudeste e na região Leste, no município de São Paulo, no qual muitas turmas eram desenvolvidas com muitas dificuldades. Mas desde aquela época estamos juntas nessa "briga toda". Tem uma pessoa pela qual temos um carinho muito grande, muito especial, que é a Ausônia Favorito Donato, nossa diretora pedagógica. Há outras pessoas que também consideramos especiais: Marco Akerman e a nossa equipe - Cecília, Regina, Alva Helena, Irene, Deise, Verinha, Valderez, Elizete, Zenaide e Caty. Que estão contribuindo na implantação e na consolidação dessa escola.

 

 

1 Palestra proferida no 1 Seminário ETSUS-SP, outubro de 2007.

Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Associação Paulista de Saúde Pública. SP - Brazil
E-mail: saudesoc@usp.br