ARTIGO ARTICLE

 

Experimentação e uso regular de bebidas alcoólicas, cigarros e outras substâncias psicoativas/SPA na adolescência

 

Experimentation and regular use of alcoholic beverages, cigarettes and other Psychoactive Substances (PAS) during adolescence

 

 

Maria Conceição O. Costa; Maria Vilma de Q. M. Alves; Carlos Antonio de S. T. Santos; Rosely C. de Carvalho; Karine Emanuelle P. de Souza; Heloísa Lima de Sousa

Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva, Núcleo de Estudos e Pesquisas na Infância e Adolescência, UEFS. BR 116, Km 3, Campus Universitário, Módulo VI, Departamento de Saúde. Feira de Santana BA. costamco@hotmail.com

 

 


RESUMO

OBJETIVO: analisar o uso de bebidas alcoólicas, cigarros, outras substâncias psicoativas - SPA e fatores de risco entre adolescentes das escolas de um município com 500 mil/hab., Bahia/Brasil.
MÉTODO: estudo transversal, com amostra aleatória, estratificada por conglomerado com adolescentes de 14 a 19 anos, totalizando 10 escolas públicas e 1.409 alunos de Feira de Santana. O instrumento auto-aplicável foi elaborado segundo a OMS e outros estudos nacionais adequados à faixa adolescente, com rigoroso procedimento, garantindo anonimato e sigilo.
RESULTADOS: 86,5% dos adolescentes consideravam-se bem informados sobre SPA, a maioria por TV, rádio e escola; 57,0% relataram uso de bebidas alcoólicas, principalmente cervejas e vinhos; 23,3% usavam cigarros e 5,2% outras SPA (cânabis, solventes e cocaína); 29,3% usavam bebidas uma a três vezes/mês e 13% todo final de semana. Na faixa de 10 a 14 anos, 47% experimentaram bebidas e 16,7% outras SPA. A razão de prevalência (RP) mostrou consumo de bebidas, cigarros e outras SPA significantemente maiores na faixa 17 a 19 anos e sexo masculino. A curiosidade foi a principal motivação; na companhia de amigos e pais; festas e casas de colegas.
CONCLUSÕES: A Necessidade de institucionalização de atividades adequadas nas escolas à prevenção do uso das SPA entre jovens.

Palavras-chave: Adolescência, Escola, Uso de SPA, Bebidas, Cigarros


ABSTRACT

OBJECTIVE: To analyze the use of alcoholic beverages, cigarettes, other psychoactive substances - PAS , among adolescents of public schools of Feira de Santana, Bahia/Brazil.
METHOD: Cross sectional study with random samples, stratified in terms of conglomerate units (schools and students). The sample of the study totalled 1,409 adolescents between 14 and 19 years old from 10 public schools; 30% of the total of schools of the municipality with 500,000/inhabitants. The representation of schools and students was respected. The self-report instrument was elaborated according to OMS recommendations and as used in others studies1,2,3. The data were collected according to guaranteed the anonymity of the subjects investigated.
RESULTS: 86,5% of the adolescents were considered well informed on PAS; 57,0% reported alcoholic beverage consumption, mainly beers and wines; 23,3% used cigarettes and 5.2% other PAS (marijuana, solvents and cocaine); 29,3% reported drinking alcoholic beverages one to three times/month and 13% every weekend. Among subjects 10 to 14 years old, 47% reported drinking alcohol and 16.7% using other PAS. The statistics analysis showed that consumption of alcohol, cigarettes and other PAS is significantly higher among 17-19 years males. Interestingly, the main motivation for drug use is the company of friends and parents.
CONCLUSIONS: implement of a drug prevention program's in schools.

Key words: Adolescence, School, Drugs, Alcoholic beverages, Cigarettes


 

 

Introdução

Na atualidade, o uso abusivo das substâncias psicoativas (SPA) constitui um dos mais importantes problemas de saúde pública mundial, considerando-se a magnitude e a diversidade de aspectos envolvidos1. O consumo das SPA percorre diferentes países, contextos geográficos e culturais, classes sociais e faixas etárias; provoca prejuízos pessoais, familiares e sociais, alto custo econômico, assim como retroalimenta a violência urbana, familiar e interpessoal.

Em Québec, no Canadá, pesquisa realizada com estudantes do curso secundário, nos períodos de 1998 e 2000, verificou que a proporção de consumo de bebidas alcoólicas, ao curso de doze meses precedentes, aumentava significativamente entre os períodos, de 43% para 89% e 2/3 (60%) referiram consumo nos últimos trinta dias. Entre os consumidores de cânabis (39%), 18% relataram uma vez por semana e 4,4% diariamente, sendo o sexo masculino mais envolvido. Quanto às outras substâncias (ilícitas), inclusive cânabis, o consumo aumentava com a série de estudo, ao contrário dos solventes, cujo consumo diminuiu com o avanço da faixa etária. Os alucinógenos tenderam a estabilizar-se com o avanço da escolaridade2.

No Brasil, a divulgação de pesquisas sobre o aumento do consumo das SPA entre adolescentes vem sendo incrementada desde o final da década de 80, conforme os quatro levantamentos nacionais realizados em dez capitais brasileiras, pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas – CEBRID (1987, 1989, 1993, 1997). Nesses estudos, as bebidas e os cigarros foram as principais drogas consumidas, sendo que cerca de 25% relataram a utilização de outras: inalantes (13,8%); cânabis (7,6%); ansiolíticos (5,8%); anfetamínicos (4,4%) e cocaína (2%)3. Também nesses levantamentos, foram observados consumo superior de cocaína na região Sudeste e Sul e alto consumo de bebidas e cigarros em todas as regiões. Verificou-se ainda maior freqüência de hospitalizações por dependência às bebidas, aumentando essa ocorrência pelo uso da cocaína; associação dos acidentes de trânsito com abuso de bebidas alcoólicas4,5,6. O primeiro levantamento brasileiro de base populacional realizado pelo CEBRID, nas 107 maiores cidades do Brasil, verificou freqüência de uso de bebidas alcoólicas em 48,3%, na faixa de 12 a 17 anos, sendo 52,2% no sexo masculino, 44,7% no feminino e dependência de 5,2%. Na região Nordeste, este mesmo levantamento verificou proporções de 45,8% nesta faixa etária (52,4% no masculino e 39,8% no feminino), com taxa de dependência de 15,2%, no sexo masculino7.

Segundo estudos, a adolescência é a faixa etária de maior vulnerabilidade para experimentação e uso abusivo das SPA, tanto as lícitas (bebidas alcoólicas e cigarros), como a associação com outras SPA, consideradas ilícitas8,9,10,11. A vulnerabilidade da faixa adolescente (experimentação e uso precoces), em geral, está relacionada a diversos fatores, inerentes à juventude - onipotência, busca de novas experiências, ser aceito pelo grupo, independência, desafio da estrutura familiar e social, conflitos psicossociais e existenciais – assim como aspectos relacionados à família - estrutura, apoio, presença de drogadição. No que diz respeito a outros determinantes, destacam-se a facilidade de acesso, a permissividade e a falta de fiscalização no cumprimento das leis12,13,14,15. Nesse contexto, destaca-se o incentivo social veiculado pela mídia, através de propagandas exaustivas de bebidas alcoólicas e cigarros, transmitindo bons momentos e sentimentos - sucesso, beleza, felicidade, humor - atendendo, portanto, às expectativas do público mais jovem16.

No Brasil, a venda de bebidas alcoólicas é proibida aos menores de 18 anos (lei 9.294, de 1996); entretanto, o que se observa é uma conduta social permissiva e omissa, quanto ao cumprimento da lei, nas festividades e ocasiões sociais. Segundo normas do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR), é proibido imagens de menores nas propagandas de bebidas, assim como é obrigatório algumas advertências ("produto destinado a adultos"; "se beber não dirigir")16. Essas medidas podem contribuir; entretanto, fica evidente a desproporcionalidade entre a propaganda convidativa e a tímida advertência, sem nenhum estabelecimento entre causa e conseqüência, o que, certamente, compromete o impacto esperado.

Campanhas exitosas veiculadas pela mídia mostram que a advertência, tomada como possível punição, tem baixo impacto na mudança de conduta e adesão à proposta, sendo necessário qualificação e adequação da informação. Pesquisa realizada com adolescentes (usuários e não usuários) sobre as principais motivações para a não utilização das SPA apontou a informação adequada e plena sobre os efeitos devastadores do uso abusivo como um dos importantes fatores de proteção, assim como o medo da morte e crime com narcotráfico, o diálogo sobre o tema com a família, projetos de vida e metas a ser concretizadas11.

Quanto ao consumo dos cigarros (tabaco), a nível mundial, pesquisas constatam ser uma importante causa de doença, sendo responsável por incapacitações e óbitos precoces, constituindo uma das principais fontes de poluição ambiental intradomiciliar e custo social com a saúde17, 18, 19.

Esse estudo teve como objetivo analisar a utilização de bebidas alcoólicas, cigarros, outras SPA e fatores de risco associados, entre adolescentes das escolas públicas de Feira de Santana, Bahia, Brasil.

 

Método

Estudo de corte transversal, com amostra aleatória, estratificada por conglomerado e por estágios múltiplos. No processo de amostragem, foram consideradas as escolas do ensino médio da zona urbana do município (35 escolas, com 32.395 alunos), na faixa etária definida (14 a 19 anos). Foram sorteadas dez escolas, equivalendo a 30% do universo, e definido um n de 1.409 alunos.

A amostra foi calculada em dois estágios. No primeiro, as escolas foram selecionadas e sorteadas proporcionalmente, a partir da classificação da Secretaria de Educação do Estado (porte pequeno, médio, grande e especial); em seguida, foram calculados as classes escolares e o número de alunos da amostra, por escola. Para esse cálculo, assumiu-se a proporção de 10%, como referência da característica pesquisada, com nível de confiança de 95% (z=2) e grau de precisão em 2 %, majorando-se em 20%, supondo a existência de perdas e recusas, resultando em amostra de 1.409 alunos. Foi respeitada a proporcionalidade de alunos por escola, garantindo a representatividade das unidades amostrais (escolas).

O instrumento de coleta foi um questionário auto-aplicável, previamente testado, elaborado a partir das recomendações da OMS e instrumentos utilizados em estudos nacionais20,21,22, adaptado aos objetivos e população alvo da pesquisa. O instrumento foi estruturado em seções: dados sociodemográficos; uso/abuso de bebidas alcoólicas, cigarros (tabaco) e outras substâncias psicoativas. Enfatiza-se que, até o momento, não existe um instrumento padrão-ouro para medir o consumo das SPA, hábito estigmatizado socialmente. Cabe lembrar ainda que o instrumento avalia apenas o relato de consumo, não tem o poder de avaliar o consumo em si.

Neste estudo, a elaboração do instrumento e os aspectos metodológicos-operacionais foram cuidadosamente discutidos com profissionais – pesquisadores do Centro de Estudos e Terapia ao Abuso de Drogas/CETAD–UFBA. A equipe foi treinada para a coleta, através de manual e procedimentos sistematizados: os professores foram afastados da sala; foram fornecidas explicações aos alunos sobre o anonimato, o instrumento e a importância da pesquisa, anterior à execução; as carteiras organizadas eqüidistantes; as urnas foram lacradas, codificadas e depositadas em local específico; foi realizada supervisão eqüidistante pela equipe e estabelecido o livre-arbítrio, com autodeposição dos instrumentos nas urnas. Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UEFS (76/2000 de 21/02/2000).

Os resultados foram processados no programa SPSS 9.0 for Windows. Foram realizadas análises descritiva e bivariada, medindo-se a taxa de associação, através da razão de prevalência (RP). Para o cálculo da significância estatística, adotou-se o nível crítico de 5%.

 

Resultados

Foram registrados 2,8% de perdas, tendo participado da pesquisa o total de 1.372 estudantes.

A faixa etária de 17 a 19 anos totalizou 839 (61,2%); a de 14 a 16, 512 (37,3%), sendo 844 (61,5%) do sexo feminino. A média geral da idade foi 16,9 anos (± 1,3); sendo 17,0 (± 1,3) no sexo masculino e 16,8 (± 1,3) no feminino; 614 (44,8%) cursavam o primeiro ano do ensino médio; 429 (31,1%) o segundo ano; 317 (23,1%) o terceiro ano. A coabitação de 867 (63,2%) era com os pais e irmãos; 267 (19,5%) apenas com a mãe e irmãos; 203 (15,7%) coabitavam a partir de outros ajustes com pais, parentes, companheiro, outras pessoas (Tabela 1).

 

 

A auto-avaliação apontou que 1.187 (86,5%) dos adolescentes consideravam-se bem informados, sendo que a TV e o rádio foram referidos por 1.120 (81,6%); a escola por 854 (62,2%); família, revistas e jornais por mais de 50%. Dos 674 adolescentes que responderam sobre atividades nas escolas, 100% referiram palestras e 581 (86,2%) diálogos entre alunos e professores (Tabela 1).

Na Tabela 2, encontram-se sumarizadas características e modalidades de consumo, onde 782 (57,0%) dos adolescentes avaliados informaram ter experimentado bebida alcoólica e apenas 72 (5,2%) outras substâncias psicoativas (SPA). Problema familiar relacionado ao abuso de bebidas alcoólicas foi referido em 329 (24%), sendo 167 (50,7%) o pai e 60 (18,2%) irmãos; assim como 84 (6,1%) relataram familiares com problemas por uso das outras SPA, sendo 28 (33,3%) os irmãos e proporção semelhante para avós, tios, primos e namorado.

Segundo os 782 (57,0%) adolescentes que responderam sobre modalidades do consumo de bebidas alcoólicas, 416 (53,2%) usavam menos que uma vez por mês; 229 (29,3%) de uma a três vezes no mês e 102 (13,0%) todo final de semana. Daqueles que relataram usar outras SPA (72), 24 (33,3%) usavam menos que uma vez no mês; 11 (15,4%) de uma a três vezes no mês; e 09 (12,5%) todo final de semana, sendo que 23 (31,9%) não responderam este quesito (Tabela 2).

A experimentação de bebidas na faixa de 10 a 14 anos foi relatada por 368 (47,0%); na faixa de 15 a16 anos, em 246 (31,5%), totalizando 78,5% de experimentação na fase inicial e intermediária da adolescência. Com relação às outras SPA, 18 (25,0%) experimentaram com 15 a 16 anos e 12 (16,7%) com 10 a 14 anos, totalizando 30 (41,7%) de experimentação nas faixas mais jovens, sendo que 28 (38,9%) não responderam esta questão. Os amigos foram relatados como a principal companhia para a experimentação de bebidas alcoólicas, em mais de 50% dos casos, sendo que os pais e familiares foram citados em cerca de 15% (Tabela 2).

Sobre o tipo de SPA consumida, o local de uso e o meio de aquisição, a maioria dos adolescentes responderam preferir as bebidas alcoólicas fermentadas, 567 (72,5%) cerveja e 387 (49,5%) vinho; 125 (16,0%) destiladas e 75 (9,6%) outras bebidas. Entre as outras SPA, as mais citadas foram cânabis, 5 (6,9%), solventes, 4 (5,6%) e cocaína, 2 (2,8%). As festas periódicas foram relatadas como locais preferidos para a utilização de bebida, 509 (65,0%), assim como das outras SPA, 26 (36,1%); a própria casa para uso das bebidas foi citada por 214 (27,4%) e a casa de amigos para uso das outras SPA por 19 (26,4%). Os meios de aquisição identificados para o uso de outras SPA foram os amigos de fora da escola, 27 (37,5%), a "boca de fumo", 13 (18%), sendo que 27 (37,5%) não responderam a esta questão (dados não presentes na tabela).

Embora os dados não estejam apresentados em tabela, a curiosidade foi a principal motivação para o consumo, tanto de bebidas como as outras SPA, 332 (42,4%) e 34 (47,2%), respectivamente, assim como foram relatadas outras motivações de ordem psicossocial (sentir prazer, ficar animado, diminuir timidez, diminuir angústia/ansiedade, ser aceito pelos amigos). Quanto às conseqüências das bebidas alcoólicas, mais de 60% dos adolescentes negaram problemas, muito embora 217 (27,7%) tenham referido embriaguez e 13 (14,5%) a interferência na prática sexual (pouco conhecimento sobre parceiro sexual e esquecer do preservativo).

O uso de cigarros foi relatado por 320 (23,3%) do total de adolescentes, sendo que 122 (38,1%) experimentaram na faixa etária de 10 a 14 anos; 97 (30,3%) de 15 a 16 anos, sendo a curiosidade citada como a principal motivação, 246 (75%). A manutenção do hábito foi referida por 89 (27,8%), dos quais 22 (24,7%) fumavam de um a dez cigarros diariamente. Entre os 470 (Tabela 4) que relataram fumantes na família, 184 (39,1%) e 180 (38,3%), respectivamente, eram pai e mãe (Tabela 3).

 

 

O cálculo da Razão de Prevalência (RP) do uso de bebida alcoólica, cigarro e outras SPA por sexo e faixa etária (Tabela 4) apontou utilização significantemente superior no sexo masculino (RP de 1,23; 1,52 e 1,92, respectivamente), assim como na faixa de 17 a 19 anos, (RP de 1,20 ; 1,32 e 1,60 respectivamente). Ressalta-se que, embora nesta faixa tenha sido observado maior risco para uso de outras SPA, os resultados não mostraram significância estatística.

A análise (RP) sobre o tipo de bebida alcoólica consumida por sexo (Tabela 5) apontou maior consumo de cerveja e bebida destilada no sexo masculino (RP de 1,11 e 2,43, respectivamente). Esta mesma análise por faixa etária mostrou que, embora o grupo de 17 a 19 anos tenha apresentado 1,28 vezes maior chance para consumo de bebida destilada, o resultado não apresentou significância estatística.

 

Discussão

Para dar início à discussão dos resultados, ressaltam-se alguns aspectos apontados pelos estudiosos da temática. A adoção de método padronizado, com a utilização coletiva de questionário auto-aplicável e garantia de confidencialidade, tem mostrado ser um procedimento adequado, amplamente utilizado em pesquisas9,14. Entretanto, é fundamental considerar que esse avalia apenas o relato do uso de SPA. Outro aspecto a se considerar é a possibilidade de alguma dificuldade dos sujeitos da pesquisa em responder à demanda, por tratar-se de assunto de extremo preconceito e estigmatização social. Pode-se assim sugerir a hipótese de que, na interpretação dos dados, seja considerado o sub-registro do consumo, mesmo com a garantia do sigilo durante a operacionalização da coleta. É possível que muitos alunos não tenham revelado o uso das SPA, principalmente as ilícitas, por autocensura, desconfiança quanto ao sigilo, sentimento de culpa, entre outras manifestações inibidoras.

No que diz respeito ao objeto de estudo, de modo geral, pesquisas implementadas em diferentes contextos geográficos e culturais apontam que as bebidas alcoólicas e os cigarros são as substâncias psicoativas (SPA) mais utilizadas na faixa adolescente, assim como os solventes e cânabis destacam-se entre as outras SPA3,21,23,24,25,26. Os altos índices do uso de bebidas alcoólicas e de cigarros, observados no presente estudo (57% e 23,3% respectivamente), assim como o relato do consumo de cânabis e solventes, concordam com os achados dessas pesquisas.

Quanto à experimentação, os dados de Feira de Santana apontaram altas proporções de utilização de bebidas e cigarros precocemente (faixa de 10 a14 anos), em relação aos achados de pesquisas que relatam experimentação em faixas etárias mais tardias - 15 a 16 anos22. Pesquisadores têm enfatizado a precocidade de consumo das diversas SPA, inclusive das consideradas ilícitas2,9,10. Entre os 72 adolescentes que responderam sobre a utilização das outras SPA, cerca de 25% citaram a experimentação na faixa etária de 15 a 16 anos e em torno de 16% na faixa de 10 a 14 anos, observando-se a precocidade desta prática, conforme relatam outros estudos9,10. A faixa etária adolescente ou escolar apresenta-se como idade de risco para consumo de substâncias psicoativas, ainda que não tenha havido o uso abusivo, apontando a importância de medidas de educação e prevenção nas escolas.

Estudos realizados em diferentes centros apontam para o aumento do consumo de bebidas alcoólicas, cigarros e das outras SPA com o avanço da idade8,9,23,24,25. Em Feira de Santana, trabalhou-se com a classificação da faixa etária adolescente, segundo a OMS, sendo observada tendência semelhante, ou seja, maior consumo na faixa de 17 a19 anos e sexo masculino, comparada à faixa de 14 a 16 anos.

Em Feira de Santana, as bebidas alcoólicas mais utilizadas pelos adolescentes foram cerveja (72,5%) e vinho (49,5%), resultados também encontrados pelo CEBRID3; com consumo significantemente superior no sexo masculino e na faixa de 17 a 19 anos; destacando-se ainda as destiladas, (16,0%), e outras bebidas (9,6%) que, em geral, são de baixo custo e, portanto, de fácil acesso aos adolescentes.

De acordo com levantamento bibliográfico, ao longo dos últimos dezoito anos (1987 – 2005), em diferentes contextos culturais e regionais, do Brasil e da América Latina, o consumo de bebidas alcoólicas entre jovens sustenta altos índices. As bebidas assumem o primeiro lugar entre as internações por dependência, muito embora a cocaína e outras SPA venham disputando este posto3,4,25,27,28.

Segundo estudiosos, o uso abusivo de bebidas está diretamente relacionado aos sintomas depressivos e sua severidade, assim como ao baixo rendimento acadêmico29. De acordo com a American Academy of Pediatrics, as etapas de envolvimento de jovens com as SPA diferem dos adultos, identificando-se a abstinência, o uso experimental, abuso inicial, abuso, dependência e recuperação. O abuso é caracterizado por sintomas decorrentes do uso freqüente, com prejuízo social e na evolução apresentando um cortejo de sinais e sintomas de dependência, de abuso e abstinência2,16,28,29.

Na presente pesquisa, foi verificado alto índice de experimentação precoce de cigarros (10 a 14 anos), assim como de fumantes entre pais e irmãos. Estes resultados apontam a possibilidade dessa influência, concordando com estudos que indicam o hábito de fumar na adolescência associado à presença de tabagismo nos pais, irmãos mais velhos e amigos fumantes, baixa escolaridade, não freqüência ou repetência escolar, abuso de bebidas alcoólicas, entre outros8,9,17,22. Foi também observada alta proporção da manutenção do hábito de fumar (27,8%), em relação aos achados de Machado Neto, com estudantes de escolas públicas de Salvador; entretanto, o número de cigarros utilizados diariamente pelos adolescentes de Feira de Santana foi inferior aos índices observados por esse pesquisador, tanto para o uso de um a dez cigarros/dia, como para aqueles que usavam onze a vinte cigarros/dia (24,7% x 79%; 6,7% x 18,8%, respectivamente)17.

Quanto ao consumo das SPA consideradas não lícitas, em Feira de Santana, os resultados mostraram utilização em apenas 5,2% (72) dos adolescentes, sendo que 20% referiram a manutenção dessa prática, através do uso de cânabis, solventes e cocaína (dados não referidos em tabela). Estudos realizados em diferentes contextos apresentaram taxas mais elevadas: Paulilo et al.10 encontraram freqüência de uso em 21,6% dos jovens atendidos em instituições e programas sociais públicos, com taxa de manutenção de 40,3%; Souza et al.24 apontaram proporção de 25,2% entre adolescentes das escolas em Cuiabá, taxas próximas às encontradas por Galduroz et al.3, (24,7%), no IV levantamento nacional realizado pelo CEBRID, com estudantes de 1 º e 2º graus de escolas públicas de dez capitais brasileiras.

De acordo com a classificação do IBGE, Feira de Santana é considerada município de médio porte (população de 500.000 habitantes)30, tendo como peculiaridade fazer parte de um importante entroncamento rodoviário e estar situada nas proximidades de uma capital de estado, com grande fluxo de turismo, aspectos esses que estariam de acordo com a hipótese de índices elevados de consumo das outras SPA ilícitas entre jovens. Considera-se, portanto, a possibilidade dos resultados não refletirem a realidade de utilização dos alunos que participaram da pesquisa, por dificuldades em relatar uma prática estigmatizante, assim como a preocupação com o ambiente escolar, muito embora tenham sido empreendidos esforços no sentido de garantir os aspectos éticos. No comentário final do questionário (questão subjetiva), as observações dos adolescentes apontaram para a importância deste tipo de investigação e a necessidade de obtenção de informações sobre o uso das SPA. Esse resultado sugere a necessidade de pesquisas adicionais, que considerem aspectos qualitativos, tendo em vista aprofundar o conhecimento sobre os diferentes fatores que envolvem o consumo das SPA entre jovens, particularmente as ilícitas.

Apesar das limitações, a presente pesquisa mostrou resultados importantes, sugerindo a necessidade de implementação de políticas e ações voltadas à prevenção do consumo precoce de bebidas alcoólicas e cigarros, bem como das outras SPA. O uso precoce também chama atenção quanto à possibilidade para o fenômeno da escalada (consumo eventual, uso freqüente e em maior quantidade; ou transferência de uma substância "leve" para outra "mais pesada"), com um significativo papel na dependência e deterioração do estado de saúde e integração social e familiar2,31.

As outras SPA mais consumidas pelos adolescentes em Feira de Santana (excluindo-se as bebidas alcoólicas e os cigarros) foram a cânabis (6,9%), solventes (5,6%) e cocaína (2,8%) (os medicamentos não foram considerados para este estudo), seguindo a mesma ordem quanto à experimentação (dados não referidos em tabela), corroborando com os achados de estudos que apontam a cânabis como primeira SPA ilícita experimentada pelos adolescentes pesquisados2,10.

Ainda em relação às outras SPA consideradas mais consumidas, os resultados de Feira de Santana concordaram com os achados de outras pesquisas3,8,23,24,25, sendo que nesses estudos os solventes foram as substâncias mais utilizadas, seguidas por cânabis, medicamentos e cocaína. Quanto ao uso de cânabis, os resultados encontrados por Muza et al.23 e Guimarães et al.25 (6,2% e 6,6%, respectivamente) assemelham-se aos resultados do presente estudo, os quais também se aproximaram do índice nacional, encontrado pelo CEBRID (7,6%)3. Em relação aos solventes, a prevalência de uso em Feira de Santana se distancia de estudos que apontam entre 10 a 31%3,8,23,24,25. Para a cocaína, estudos indicam que as maiores proporções de consumo encontram-se no sul do país3,8, variando de 2 a 4,5%, concordando com achados do estado de Quebéc2. O consumo de cocaína entre os adolescentes de Feira de Santana se assemelha ao de Ribeirão Preto (2,7%)23 e de Curitiba (2,8%)3.

A literatura aponta uso significativo de solventes nos países da América Latina, retratando uma realidade do cotidiano dos jovens mais atingidos pela pobreza que, juntamente com a cânabis, apresentam-se mais acessíveis a esta população, em relação às outras SPA. A maconha é apontada como uma das SPA mais disseminadas na sociedade, sendo atualmente uma das mais usadas e com tendência de crescimento do consumo3,10. Em Feira de Santana, foi ainda relatado o uso múltiplo de SPA, bem como de injetáveis, em cerca de 14% (dados não referidos em tabela), corroborando com os achados de Paulilo et al.10, que apontam 15,8% desta prática entre adolescentes.

Neste estudo, as principais formas de aquisição das outras SPA, segundo os adolescentes, foram os amigos, a "boca de fumo" (local onde são comercializadas) e a escola (dados não referidos em tabela), corroborando com Paulilo et al.10 que também observaram proporções significativas para os pontos de venda, escola e bares, sugerindo a necessidade de realização de ações preventivas no âmbito escolar. Os locais de uso mais freqüentes foram as festas periódicas e casa de amigos. Esses achados ratificam os achados de outras pesquisas, que apontam a importância do grupo de amigos e dos colegas da escola, o papel da mídia e dos familiares influenciando adolescentes na utilização de bebidas alcoólicas, cigarros e outras SPA3,10,18,19.

Em Feira de Santana, a curiosidade foi a principal motivação citada pelos adolescentes para experimentação e consumo regular de bebidas alcoólicas e outras SPA, além de outras motivações psicossociais, como a busca de novas experiências, comportamento próprio do indivíduo nessa etapa do desenvolvimento. Em pesquisa realizada por Paulilo et al.10, o motivo mais citado foi a influência de amigos (33,33%), embora outros aspectos tenham sido relatados, como a curiosidade, problemas familiares e afetivos e a necessidade de ser aceito no grupo. Sabe-se que as motivações para o consumo das SPA são multifatoriais; entretanto, na adolescência, esses fatores são potencializados pelas características próprias desta fase, diante do processo de construção da identidade e dos diferentes fatores de vulnerabilidade10,12,15.

Entre os fatores de risco associados ao consumo das SPA, são apontados familiares envolvidos com drogas, conflitos com pais, pais separados, não coabitação com família, pouco envolvimento com práticas esportivas, amigos usuários de drogas, maus tratos, desconhecimento dos prejuízos do abuso das SPA, alta permissividade e facilidade de acesso, inadequada fiscalização das leis, baixo aproveitamento escolar, problemas psicoemocionais (depressão, ansiedade exagerada e baixa auto-estima), privações econômicas extremas. Entre os fatores sociais, destaca-se o papel da mídia, através da veiculação massiva de propagandas que têm no público adolescente um alvo vulnerável, considerando as peculiaridades do indivíduo nessa fase do desenvolvimento. Não se pode perder de vista o papel da cultura "globalizante" que vem utilizando os meios de comunicação (internet, TV, outros), como forma de massificação de costumes, entre as diferentes culturas, interferindo no comportamento e, conseqüentemente, incentivando condutas inadequadas entre jovens8,9,12,18,19,24.

Os fatores protetores mais destacados para a não utilização das SPA são as práticas esportiva e religiosa (grupos), relacionamento familiar e apoio dos pais, conhecimento dos efeitos desastrosos do abuso das SPA, expectativas educacionais e projetos de vida14,16,27,28,32.

Em Feira de Santana, 24% dos adolescentes apontaram pessoas da família com problemas de alcoolismo, assim como 6,1% relacionados às outras SPA, sendo os pais, os irmãos e amigos os mais citados. Esses achados ratificam a prévia discussão e estudos que mostraram a importância da família e do grupo de amigos para experimentação e consumo precoce das SPA. O IV levantamento do CEBRID com estudantes de 1º e 2º graus apontou 28,6% da iniciação com bebidas alcoólicas no domicílio, sendo 21,8% ofertados pelos pais e 23,8% dos amigos3, resultados esses corroborados pelos achados de Feira de Santana, onde foram verificados dados semelhantes.

Entre as conseqüências decorrentes do uso abusivo das SPA, destacam-se problemas interpessoais (com família, amigos, trabalho, escola), assim como de saúde (depressão, déficit de memória, seqüelas de acidentes), envolvimento com outras violências e os acidentes14,26,29,32. Os achados do presente estudo concordam com essas pesquisas, onde foi observada falta à escola e trabalho, assim como envolvimento com acidentes de trânsito. Uma importante conseqüência do consumo apresentada pelos estudos é a falha na utilização do preservativo (condom). Concordando com esses achados, no presente estudo, foi verificada associação entre embriaguez, prática sexual com pessoa pouco conhecida e a não utilização do condom (dados não referidos em tabela), caracterizando situação de vulnerabilidade para contaminação por DST/AIDS, assim como a utilização de injetáveis10,33.

No contexto atual, o consenso aponta para a necessidade de investimento nos aspectos preventivos, culturais e sociais, que envolvem o estilo de vida do jovem, assim como nas formas de relacionamentos interpessoais (grupos), familiar e social (escola e outros espaços de convivência). O aprendizado dos jovens, através dos adultos de referência e grupos de convivência, parece ter um impacto positivo na reflexão e tomada de posição quanto à adoção de hábitos saudáveis de vida13.

Quanto à implementação de medidas de prevenção voltadas à adolescência, considera-se a necessidade prévia de conhecimento sobre peculiaridades do comportamento deste grupo populacional. O impacto positivo das intervenções voltadas à adolescência e juventude nessa faixa etária costuma estar relacionado à efetiva participação destes no planejamento e na implementação das propostas. Em geral, a participação dos sujeitos na elaboração e execução facilita a intervenção e adesão às ações; conseqüentemente, interfere de forma positiva no impacto desejado. Estudiosos recomendam que as estratégias voltadas à adolescência, além de fornecer informações adequadas e plenas quanto aos prejuízos do consumo de SPA, devem incentivar atividades voltadas a um estilo de vida saudável. Destaca-se a importância do envolvimento da escola, legitimada quanto à formação e socialização de jovens1, 11.

 

CONCLUSÕES

Entre os adolescentes avaliados, a freqüência do consumo de bebida alcoólica foi de 57,0%; de cigarros de 23,3% e das outras SPA de 5,2%, com uso significantemente maior no sexo masculino e faixa etária de 17 a 19 anos.

As bebidas alcoólicas preferidas foram as fermentadas (cerveja e vinho), assim como as outras SPA foram a maconha e os solventes.

A maior freqüência da experimentação de bebida alcoólica ocorreu na faixa de 10 a 14 anos; das outras SPA, de 15 a 16 anos; as motivações mais referidas para ambos os grupos de SPA foram a curiosidade e "ter prazer"; as principais companhias foram os amigos e outros familiares; utilizadas, principalmente, nas festas periódicas.

Em torno de 25% dos adolescentes usavam de um a dez cigarros/dia (risco de dependência).

Os principais problemas relatados foram a dificuldade de utilizar o condom e a relação sexual com pessoas pouco conhecidas.

As altas proporções do uso de bebidas alcoólicas entre adolescentes, verificadas neste e em outros estudos, apontam a necessidade de envolvimento das escolas na institucionalização de ações e programas voltados à prevenção do uso das SPA entre jovens, assim como a qualificação e adequação da informação em campanhas na mídia sobre os riscos e efeitos do uso abusivo de álcool e fumo na adolescência.

Os resultados sugerem a necessidade de estudos adicionais, com vistas à melhor elucidação de alguns aspectos que envolvem o uso/abuso de SPA entre adolescentes.

 

Colaboradores

MCO Costa e MVQM Alves participaram em todas as etapas de elaboração do artigo.

CAST Santos foi responsável pelas análises estatísticas. RC de Carvalho contribuiu com a revisão de literatura e formatação. KEP de Souza contribuiu com as análises de dados. HL de Sousa foi responsável pela formatação.

 

Agradecimentos

Agradecemos o apoio do CNPq para a realização da pesquisa.

 

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Artigo apresentado em 08/01/2007
Aprovado em 15/02/2007
Versão final apresentada em 15/02/2007

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